Um surto gripal iniciado no Rio de Janeiro que se espalhou por São Paulo e outros estados começa a sobrecarregar as unidades de saúde pública e privada da região. O crescimento se deve ao vírus Influenza H3N2 Darwin que tem sintomas parecidos com o coronavírus, dizem OS especialistas.
Os dados preliminares de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Influenza disponíveis no SIVEP Gripe do Ministério da Saúde (MS) referentes a 2021, até 10 de dezembro, indicam 665 casos e 50 óbitos no estado de São Paulo. No ano passado, houve 713 casos e 54 mortes. Em 2019, foram 1.693 casos e 288 óbitos, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde.
Procura por hospitais aumenta na região
Nas cidades da região oeste da Grande SP que integram o consórcio Cioeste, já há relatos de aumento de atendimentos com sintomas da Influenza H3N2 em unidades hospitalares públicas e privadas. Médicos ouvidos sob anonimato disseram à reportagem que aumentou muito a procura nos últimos dias. Um deles que atende em um Pronto-Socorro público afirmou que em um plantão atendeu quase 200 pessoas com quadro gripal forte.
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Na tarde desta quarta-feira (15), a Prefeitura de Barueri ressaltou que não houve notificação de nenhum caso de H3N2 até o momento, apenas aumento de casos de síndrome gripal, que se referem a situações bem mais simples, de fácil tratamento e que não levam a internações, como a SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave). “Uma das medidas mais importantes é ir aos prontos-socorros (PS) da cidade só em caso de emergência. E se realmente precisar ir, evitar levar mais de um acompanhante para não haver aglomeração e aumento de contaminações. De preferência deixe o acompanhante esperando do lado de fora da unidade”, ressalta o secretário de Saúde, Dionisio Alvarez Mateos Filho.
Ainda segundo o secretário, quando não for caso de emergência, o recomendável é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência. “Uma das medidas mais importantes é ir aos prontos-socorros (PS) da cidade só em caso de emergência. E se realmente precisar ir, evitar levar mais de um acompanhante para não haver aglomeração e aumento de contaminações. De preferência deixe o acompanhante esperando do lado de fora da unidade”, diz Filho.
De acordo com dados da Secretaria da Saúde de Barueri, o número de atendimentos nos PS da cidade aumentou mais de 60%. E boa parte deles se refere a quadros com sintomas gripais e não de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). No caso dos atendimentos no PS Central, por exemplo, o número saltou de 933 no primeiro dia deste mês para 1.445 no dia 14. Os casos específicos de “sintomas gripais” foram de 153 para 619, no mesmo período.
Em decorrência do aumento dos atendimentos, o tempo de espera nos PS também aumentou, daí a importância de se dirigir à unidade só em caso de emergência.
Doença preocupa autoridades
De acordo com o pesquisador em saúde pública e coordenador do Infogripe da FIOCRUZ, Marcelo Gomes, o vírus H3N2 é um vírus Influenza A, e os sintomas usuais são típicos da gripe (que é causada pelo vírus Influenza): tosse, dores de garganta, congestão nasal, respiração pesada, eventualmente dores no corpo e febre (embora em idosos a febre não seja um sintoma frequente).
“A grande preocupação em relação à circulação desse vírus é que, assim como os demais vírus Influenza A (como o H1N1, por exemplo), ele também tem capacidade de gerar casos graves que necessitam internação. Os vírus Influenza A são causa importante de internações pela chamada síndrome respiratória aguda grave (SRAG), sendo os principais vírus associados a esses casos antes da chegada da covid-19, afetando principalmente crianças e idosos. Como tivemos uma baixa adesão à campanha de vacinação contra a gripe no ano de 2021, podemos ter um impacto maior em termos de casos graves”, comenta Gomes.
“Como essa variante ganhou força no hemisfério norte apenas no fim do inverno de lá (final de 2020 e começo de 2021), ela não está na composição da vacina da gripe distribuída no hemisfério sul em 2021. No entanto, ela já está contemplada na vacina que será oferecida em 2022. A vacina oferecida na rede pública brasileira segue a recomendação da Organização Mundial da Saúde para o hemisfério sul, e contém uma cepa de Influenza A H1N1, uma cepa de Influenza A H3N2, e uma de Influenza B. A cepa do H3N2 presente na campanha de 2021 é a Hong Kong, que foi substituída pela cepa Darwin na composição da vacina para 2022. No entanto, ainda que a vacina de 2021 não contenha a variante Darwin, ela é importante para proteger contra o H1N1 e contra o Influenza B, além de proteção parcial para a cepa Darwin do H3N2 por mais que para essa cepa a proteção seja inferior”, explica o pesquisador.







