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Sinal de Frank: dobra no lóbulo da orelha pode indicar risco cardiovascular

Conhecido como Sinal de Frank, traço foi associado em estudos a maior probabilidade de doença nas artérias do coração, mas não substitui exames nem avaliação médica
Henrique Maderite, morto aos 50 anos, apresentava marca semelhante ao sinal de Frank (Reprodução/Instagram@henriquemaderite)

Por Vanessa Dainesi e Alessandra Terra

As redes sociais foram tomadas por uma onda de curiosidade e preocupação nos últimos dias. Após a morte do empresário e influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, vítima de um infarto fulminante, um detalhe físico chamou a atenção: uma dobra diagonal no lóbulo da orelha, visível em algumas fotos. Mas o que isso significa? 

A característica é chamada de sinal de Frank e foi descrita pela primeira vez em 1973 pelo médico norte-americano Sanders T. Frank. Essa linha diagonal no lóbulo da orelha pode estar relacionada a maior risco de doenças cardiovasculares.

De acordo com o cardiologista Israel Marcos de Paula Júnior, do Hospital São Luiz Alphaville, na cidade de Barueri, o sinal é identificado como “uma dobra que vai do canal do ouvido em direção à borda inferior do lóbulo”.

Segundo o especialista, pesquisas observaram uma possível associação entre a presença dessa linha e problemas nas artérias coronárias. “Alguns estudos mostraram que pessoas com o Sinal de Frank podem ter maior chance de doença nas artérias do coração, além de risco aumentado de infarto e AVC”, afirma.

O médico ressalta, porém, que o achado não deve ser interpretado como diagnóstico. “É importante deixar claro: não é um diagnóstico. É apenas um possível sinal de alerta. Nem todo mundo que tem essa linha terá problema cardíaco. E muitas pessoas com doença cardíaca não apresentam o sinal, destaca.

Sinal de Frank: dobra no lóbulo da orelha pode indicar risco cardiovascular
Dr. Israel Marcos de Paula Júnior, cardiologista do Hospital São Luiz Alphaville (Divulgação)

A explicação mais aceita, segundo o médico, é que a dobra possa refletir alterações na microcirculação e no envelhecimento vascular. “A hipótese é que o sulco no lóbulo esteja relacionado a mudanças nos pequenos vasos sanguíneos, mas isso não substitui exames clínicos e laboratoriais”, explica.

Para o cardiologista, a presença do sinal deve funcionar como estímulo à investigação. “Ele pode servir como um aviso para investigar melhor os fatores de risco, especialmente em quem já tem pressão alta, colesterol elevado, diabete ou histórico familiar”, orienta.

Prevenção depende de hábitos e acompanhamento

Independentemente da presença do Sinal de Frank, a prevenção de infarto e AVC está ligada a medidas já consolidadas na cardiologia.

“O que realmente reduz o risco é controlar pressão arterial, colesterol e diabetes, não fumar, manter peso saudável e praticar atividade física regular”, destaca. Ele também cita a importância de “dormir bem, reduzir o estresse e manter uma alimentação equilibrada. O sinal na orelha, sozinho, não determina nada. O que protege o coração são hábitos saudáveis e acompanhamento médico regular”, conclui.

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