A inteligência artificial está revolucionando a saúde ao automatizar atendimentos, apoiar diagnósticos, otimizar a gestão hospitalar e até salvar vidas. Com a IA, é possível prever demandas, reduzir filas, agilizar laudos e melhorar o uso de leitos e recursos. “Além disso, a integração de dados clínicos e operacionais permite decisões mais rápidas e precisas, resultando em mais eficiência, qualidade e melhor experiência para paciente e equipe médica”, afirma o especialista em Inteligência Artificial e inovação tecnológica Cássio Marcelo Morando Salinas, diretor de Engenharia de Soluções e Tecnologia para a América Latina da Aaxis, empresa focada em IA, Transformação Digital e Customer Experience.
Nos próximos anos, a IA deve se integrar ainda mais à rotina médica, de forma ética, transparente e colaborativa. “A detecção precoce de doenças como o Alzheimer, a partir de padrões sutis de exames cerebrais, é um exemplo de uso da tecnologia no futuro”, diz ele, que acrescenta: “Será possível também a descoberta acelerada de medicamentos, reduzindo em anos o tempo de desenvolvimento; integração com sensores corporais, permitindo detectar alterações fisiológicas antes de sintomas visíveis; além de monitoramento em saúde mental, com a IA analisando voz, escrita e comportamento para detectar precocemente sinais de depressão.”
Mas, a inteligência artificial vai substituir o ser humano? Não. Afinal, a empatia, a escuta e o discernimento clínico são frutos de anos de estudo, prática e sensibilidade — qualidades que pertencem exclusivamente aos profissionais de saúde. Ela pode apoiar, mas é o coração e a experiência humana que fazem e vão continuar fazendo a diferença na vida dos pacientes.
“Ela pode analisar dados, mas não sente empatia. Pode reconhecer sintomas, mas não entende a dor. O fator humano e emocional — o toque, o olhar e a escuta — continuam sendo o que mais cura na medicina. E é justamente nessa união entre ciência, tecnologia e humanidade que está o verdadeiro futuro da saúde. Afinal, a IA salva tempo. O humano salva vidas”, afirma Salinas.
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Uso da IA em hospitais
Para Marcelo Teixeira, diretor médico do Hospital São Luiz Alphaville, a inteligência artificial permitirá, cada vez mais, que os profissionais de saúde dediquem seu tempo ao contato humano, ao acolhimento dos pacientes e de seus familiares. “Aparentemente pode ser estranho e contra intuitivo, mas vejo que a IA resultará em uma maior humanização na Saúde”, afirma Dr. Teixeira.
O Hospital São Luiz Alphaville utiliza a tecnologia em diversos processos. Confira alguns deles:
Processo assistencial
1. Avaliação de imagens sugestivas de neoplasia nos exames de RX, tomografia e ressonância magnética ;
2. Monitorização de exames e seus resultados , antecipando e alertando o médico de potenciais doenças raras;
3. Criação de contraste venoso ou arterial virtual, evitando a infusão de grandes volumes de contraste nos pacientes; e
4. Nas salas cirúrgicas, possibilitando ao cirurgião planejar e realizar a cirurgia de forma virtual se adaptando inclusive durante a realização da cirurgia.
Processo de Monitorização e Segurança Patrimonial
1. Por meio de câmeras de monitorização, a IA acompanha e identifica atitudes suspeitas no hospital, aumento a segurança contra furtos, golpes e vazamento de exames.
O hospital está implantando vários projetos que envolvem a tecnologia, abrangendo todas as áreas da unidade em Alphaville: no agendamento cirúrgico, na experiência do cliente e em processos financeiros.

IA usada em diagnósticos
A Inteligência Artificial já é uma aliada poderosa dos médicos no diagnóstico de doenças. Em vez de substituir o olhar humano, ela o amplia — ajudando a detectar padrões e sinais sutis em exames de imagem ou dados clínicos. “Hoje, sistemas de IA analisam radiografias, tomografias e ressonâncias com precisão surpreendente. Há um estudo bem interessante publicado na ScienceDirect na qual os médicos consideraram correta a hipótese gerada pela IA em 84% dos casos”, conta Cássio Salinas.
Em alguns estudos, modelos de IA superaram radiologistas humanos em até 10% na acurácia de diagnóstico de doenças cardíacas e pulmonares. “Enfim, ela funciona como um segundo par de olhos — ela alerta, prioriza e dá mais confiança, mas quem interpreta e decide é sempre o médico.
Tecnologia em tratamentos
A IA permite personalizar terapias, sugerir combinações de medicamentos mais eficazes e até prever reações adversas antes que elas aconteçam — sempre com base em dados clínicos e genéticos. “Na prática, já existem sistemas que monitoram pacientes em tempo real em UTIs, analisando batimentos cardíacos, pressão, oxigenação e outros sinais vitais para emitir alertas precoces quando algo sai do padrão”, afirma o especialista.
Em oncologia, modelos de IA são capazes de propor ajustes de quimioterapia personalizados conforme o perfil genético do tumor, aumentando a chance de sucesso do tratamento.
“Um exemplo que vale a pena citar também é um estudo clínico que mostrou que intervenções de saúde baseadas na trecnologia ajudaram pacientes a parar de fumar e obter melhorar hábitos alimentares, reforçando o papel da tecnologia como aliada da medicina preventiva”, cita Salinas.

Maior revolução na prevenção
A maior revolução da inteligência artificial na saúde pode estar antes do diagnóstico, ou seja, na prevenção. Com o uso de grandes volumes de dados, a tecnologia auxilia médicos e autoridades de saúde a identificar riscos, prever surtos e agir antes que as doenças apareçam.
Algoritmos que cruzam informações de histórico médico, genética e estilo de vida conseguem prever risco de diabetes, doenças cardíacas ou câncer com boa precisão.
Salinas destaca que clínicos gerais da Inglaterra estão utilizando um sistema que aumentou em 8% a taxa de detecção de câncer entre pacientes do SUS britânico. “Outro avanço está em plataformas que acompanham tendências populacionais: com IA, é possível antecipar epidemias ou ajustar campanhas de vacinação antes de um surto”, diz ele.
Apoio clínico
João Galdino, CEO da Genesis, especialista em desenvolvimento de projetos com inteligência artificial, destaca a capacidade da tecnologia analisar de forma mais ampla todos os parâmetros clínicos de um paciente, comparando com o seu histórico. “Estamos falando de melhorar o prognóstico em mais de 50%, 60%, combinando o uso da IA junto com o médico. Os ganhos são estratosféricos”, afirma Galdino.
A Genesis desenvolveu a doutora Mia, que atende, auxilia, ajuda e tira dúvidas, dando apoio clínico a enfermeiros e médicos. “Ela dá laudo, analisa os sinais vitais do paciente, dá o prognóstico e alerta o médico, ou seja, auxilia no diagnóstico clínico”, explica ele.
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