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Infarto e doenças do coração crescem com maus hábitos

Cardiologista Deise Duprat alerta sobre fatores de risco, sinais de alerta e destaca avanços no diagnóstico e tratamento das doenças cardíacas
Pandemia agravou os indicadores metabólicos da população (Divulgação/Freepik)

As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil. Embora os avanços na medicina tenham ampliado as possibilidades de diagnóstico e tratamento, o número de casos ainda cresce, impulsionado pelo sedentarismo, má alimentação e altos níveis de estresse.

Para a cardiologista Deise Duprat, a rotina moderna tem contribuído diretamente para o aumento dos problemas cardíacos. “O ritmo de vida acelerado, associado a maus hábitos, é um combo perigoso para o coração”, afirma.

Segundo ela, os casos de infarto e doenças coronarianas — aquelas causadas pelo entupimento das artérias — estão surgindo cada vez mais cedo. “A partir dos 30, 35 anos, já começamos a ver uma incidência maior de coronariopatia obstrutiva. Antes disso, quando há morte súbita, geralmente a causa é uma anomalia de nascença, como cardiomiopatia hipertrófica”, explica.

Entre os fatores de risco mais recorrentes, a médica destaca o tabagismo, o uso de cigarro eletrônico, o abuso de energéticos e a falta de atividade física. “Esses hábitos, somados à pressão alta e ao diabetes, elevam muito as chances de um evento cardíaco. E ainda há a influência da poluição e do estresse, que agravam o quadro”, diz.

Deise também lembra que a pandemia teve impacto negativo na saúde metabólica da população. “Houve uma piora significativa nos exames de sangue das pessoas. Muitos engordaram, ficaram mais sedentários e com níveis mais altos de colesterol e triglicerídeos”, observa.

Quando o corpo avisa: os primeiros sinais de alerta

Os sintomas de que algo não vai bem no coração podem surgir de forma sutil. “Antes da dor no peito, a pessoa pode começar a sentir um cansaço diferente, ficar mais ofegante ao fazer o mesmo esforço que fazia antes”, alerta a cardiologista.

O sinal clássico é a dor ou pressão no centro do peito, que pode irradiar para o pescoço, mandíbula ou braço esquerdo. “É nessa hora que a pessoa precisa procurar atendimento imediatamente. Quanto antes chegar ao hospital, maiores as chances de salvar o músculo cardíaco e evitar sequelas”, ressalta.

Avanços que salvam vidas

A medicina também evoluiu. Hoje, exames como a angiotomografia coronariana permitem detectar entupimentos nas artérias com alta precisão e menos riscos. “É um exame muito seguro, que ajuda a definir se há necessidade de cateterismo. Em alguns casos, o tratamento pode ser feito com angioplastia, sem necessidade de cirurgia aberta”, explica.

Mesmo assim, a médica reforça que o melhor tratamento ainda é a prevenção. “O ideal é nem precisar passar por isso. Com alimentação equilibrada, atividade física regular e controle do estresse, é possível evitar grande parte dos casos de infarto.”

Estilo de vida como remédio

Após um episódio cardíaco, o paciente precisa mudar completamente a rotina. “Não adianta tratar o infarto e continuar com os mesmos hábitos”, diz Deise. “É hora de deixar o sedentarismo, parar de fumar e rever a alimentação. Quanto mais natural e menos industrializado o cardápio, melhor.”

A médica resume a receita para cuidar do coração em uma frase simples: “Movimente-se, durma bem, alimente-se com comida de verdade e faça seus exames em dia. Cuidar do coração é cuidar da própria vida”, finaliza.

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