No final de abril (30), o Ministério da Cidadania anunciou a liberação de recursos para ampliação de vagas para moradores de rua, pessoas desabrigadas, sem-teto em abrigos públicos ou casas de acolhimento. O valor do repasse para estados e município chegaria a R$ 1 bilhão, valor que poderá atender 290 mil pessoas, ou 50% da população de rua estimada no Brasil.
A reportagem do Giro S/A fez um levantamento com as prefeituras da região para saber quais as condições de tratamento para este público durante a pandemia. Nenhuma das cidades consultadas registraram casos de covid-19 entre os desabrigados.
Em Barueri existem 160 pessoas moradoras de rua. O município conta com o serviço de acolhimento institucional e uma casa de passagem, ambos gerenciados pela Cáritas, Casa São Francisco de Assis, em parceria com a prefeitura.
Para enfrentar o Covid-19, a prefeitura informa que ampliou a capacidade para pernoite no serviço de acolhimento; implantação de espaço adicional (tendas) como medida de proteção e distanciamento no período de quarentena; intensificação do serviço de abordagem de rua; cuidados redobrados em relação a medidas de higiene/limpeza, entre os usuários e funcionários. De acordo com a administração municipal não há informações sobre contagiados ou vítimas de coronavírus nesse público.
Em Cotia existem 37 pessoas em situação de rua. Há aproximadamente 20 pessoas que permanecem nessa condição, ressaltando que apesar das várias ações realizadas, ainda não se convenceram ao acolhimento, segundo a prefeitura.
Para o advento do covid-19 a administração municipal criou um plano de ação preventivo e com cuidados próprios para essa população. As atividades são: mapeamento dos moradores, abordagens sociais, entrega de kits de higiene e comunicação específica, instalação de pias com água e sabão em pontos estratégicos da cidade, unidade de acolhimento. A prefeitura informa que os médicos da rede pública estão empenhados no atendimento à população de Cotia independente da sua condição de moradia e não divulgou casos de covid-19 entre este público.
Em Jandira, segundo dados divulgados pela prefeitura, a população moradora de rua é oscilante e está entre 20 e 30.
Elas são amparadas pelo Creas, que localiza e se aproxima das famílias, viabiliza a internação em clínicas de recuperação para álcool e drogas gratuitas (normalmente masculinas) e abrigo noturno. Para o enfrentamento da pandemia a prefeitura trabalha com a conscientização para que permaneçam em suas residências já que na cidade a população que fica na rua são moradores da cidade, com problemas de relacionamento familiar, álcool e drogas. Não existem dados oficiais sobre os números de moradores contagiados.
Itapevi conta com cerca de 35 moradores de rua. De acordo com a prefeitura, foi realizado um convênio com instituição para acolhimento das pessoas em situação de rua. Com a proposta de acolhimento em tempo integral contatados pelos agentes da Secretaria de Desenvolvimento Social. Segundo informado à nossa reportagem, no final de março, todas essas pessoas foram abordadas por agentes da Secretaria de Desenvolvimento Social, 23 aderiram, sendo que apenas 8 permaneceram e 01 retornou para família. Também foram feitos testes para os acolhidos para vacinação, além de atuação social e psicológica, orientação sobre auxílio emergencial.
A cidade não conta com albergues mas adaptou o Centro de Iniciação ao Esporte (CIE) para receber os moradores de rua, e segundo informou a prefeitura, não aceitaram o acolhimento nesta instituição. De acordo com a prefeitura não há pessoas que moram nas ruas que estejam contagiadas ou tenham vindo à óbito por covid-19.
Cajamar, cidade que vem se destacando com os melhores índices de isolamento social na quarentena tem 50 pessoas em situação de rua. De acordo com a prefeitura esse público conta com abordagens periódicas e acolhimento em Casa de Passagem que atualmente tem 20 pessoas. Para enfrentamento ao Covid-19 o município instalou um alojamento provisório no Ginásio de Jordanésia, de modo a garantir o isolamento social adequado, durante o período de calamidade pública. Não há registro de vítimas de coronavírus entre os moradores de rua.
Osasco não informou o número de pessoas em situação de rua, mas divulgou que a cidade realiza um pacote de ações para atender a este público. A cidade disponibiliza o consultório de rua, local para banho, troca de roupas e refeições. Além do Serviço de Acolhimento (albergue) a administração municipal alugou uma casa para atendimento exclusivo de pessoas em situação de rua que apresentem os sintomas da Covid-19. Recentemente foi firmado um contrato com o Hotel Íbis, que poderá receber até 30 pessoas. Elas terão direito a café da manhã, almoço e jantar.
Em Osasco, a decisão pela contratação de vagas em hotel considera o esgotamento de vagas nos serviços de acolhimento, na necessidade de realização de distanciamento social com a redução da quantidade de pessoas por dormitório e eliminação de espaços de uso coletivo, e ainda na garantia de segurança alimentar, acesso à água potável e condições adequadas para realização de higienização.







