“Quero ajudar a região a voltar a ter papel importante na política”, garante João Paulo

João Paulo Cunha
João Paulo Cunha aceitou o convite do presidente Lula e volta a disputar uma eleição para deputado federal

Após 16 anos afastado das disputas eleitorais, João Paulo Cunha decidiu voltar às urnas em 2026. Ex-presidente da Câmara dos Deputados e com cinco mandatos como deputado federal, o político retorna ao cenário eleitoral como candidato a uma nova vaga no Congresso pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

A volta é um dos principais temas da entrevista de João Paulo Cunha ao Giro Talks – Especial Giro nas Eleições 2026, do Jornal Giro. Durante a conversa, o candidato foi questionado sobre sua trajetória, as razões que o levaram a disputar novamente uma eleição, suas propostas para Osasco e a região e temas que estão no centro do debate político nacional.

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Nascido em Caraguatatuba, João Paulo Cunha mudou-se ainda criança para Osasco, onde construiu sua trajetória profissional, sindical e política. Metalúrgico, participou da Pastoral da Juventude, das Comunidades Eclesiais de Base e do movimento sindical.

Com formação acadêmica em Direito e mestrado na área, entrou na política institucional aos 23 anos, quando foi eleito vereador de Osasco. Em 1990, chegou à Assembleia Legislativa de São Paulo. Quatro anos depois, foi eleito pela primeira vez para a Câmara dos Deputados. João Paulo Cunha permaneceu no Congresso por cinco mandatos e ocupou diferentes funções na Câmara dos Deputados até chegar à presidência da Casa, cargo que exerceu entre 2003 e 2004.

Ministro Alexandre Padilha reforça apoio a João Paulo Cunha

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o presidente Lula pediu a João Paulo Cunha (PT) que colocasse seu nome à disposição para disputar uma vaga de deputado federal por São Paulo. A declaração ocorreu durante uma plenária com militantes petistas de diferentes regiões do estado.

O encontro marcou a mobilização do partido para a reta final da campanha. João Paulo concorre à Câmara dos Deputados e recebeu o apoio do ministro durante a atividade. “O próprio presidente Lula pediu para João Paulo Cunha colocar o nome à disposição para ser nosso deputado federal aqui em São Paulo”, declarou Padilha.

“Quero ajudar a região a voltar a ter papel importante na política", garante João Paulo
O ministro Alexandre Padilha e João Paulo Cunha

Ao defender a candidatura, o ministro citou a trajetória, a capacidade de articulação e a experiência política de João Paulo, que presidiu a Câmara dos Deputados entre 2003 e 2005. “João Paulo é um companheiro que, pela experiência, pela competência, pela história e pela capacidade de articulação, já tem esse papel”, afirmou.
Durante a plenária, João Paulo agradeceu o apoio do ministro e reafirmou sua ligação com o projeto político liderado por Lula. “Agradeço ao companheiro Padilha pelo apoio à nossa candidatura”, afirmou

Jornal Giro — Depois de tantos anos longe das urnas, o que motivou o senhor a voltar a ser candidato?

João Paulo Cunha — Duas coisas básicas. A primeira é que o presidente Lula está entrando para o seu último mandato. Tenho uma crença muito forte de que será um mandato que vai definitivamente colocá-lo na história de forma bastante positiva. Para isso, o próximo mandato terá que apresentar um programa de governo de médio e longo prazo, que faça o país se desenvolver e complemente tudo aquilo que já foi feito na área social. Esse desafio me motivou muito. A segunda razão é voltar a interagir em Osasco e na região. Quando fui deputado, andava muito por aqui, ajudei bastante e acho que ainda tenho condições de contribuir. Evidentemente, o presidente Lula solicitou que eu fosse candidato, inclusive publicamente, em Osasco. Aceitei esse desafio, estou organizando a campanha e estou confiante e animado para fazer um bom mandato.

Jornal Giro — Caso seja eleito e retorne à Câmara dos Deputados, quais serão suas principais bandeiras para Osasco e para as demais cidades da região?

João Paulo Cunha — A primeira coisa é atuar para o presidente Lula construir uma base mais sólida no Congresso. Acredito que, passada a eleição, será necessária uma articulação mais refinada para estabelecer uma relação mais efetiva, clara e transparente entre o governo e o Congresso. A segunda questão é ajudar o Brasil a construir um plano estratégico de desenvolvimento nacional. Precisamos recuperar o parque industrial brasileiro em diversos setores, não somente no petróleo, mas também na agricultura e nos minerais, como as terras raras. A terceira é olhar para Osasco e região. Em Osasco, temos projetos importantes. No braço morto do Tietê, por exemplo, já fizemos muito e ainda há novas intervenções previstas. Temos também a Universidade Federal, que já está funcionando, mas pode receber mais cursos e ser ampliada. O Instituto Federal está começando e também precisa ser estruturado. Além de Osasco, quero dar atenção especial a Carapicuíba, Barueri, Jandira, Itapevi, Cotia, Vargem Grande Paulista, Pirapora do Bom Jesus e Santana de Parnaíba. Naquilo que estiver ao meu alcance, junto ao governo federal, vou ajudar.

Jornal Giro — O senhor fez críticas à saúde de Osasco. Na sua avaliação, faltam representantes para buscar recursos ou existe um problema de gestão?

João Paulo Cunha — Eu diria que são três coisas. Existe problema de gestão, falta gente para buscar mais recursos e falta uma iniciativa da própria administração para tornar o sistema mais funcional. Osasco tem uma estrutura que precisa funcionar melhor. É necessário integrar exames, medicamentos e consultas e reduzir o tempo de espera. Então, são três pontos: gestão, busca de recursos e cobrança para o sistema funcionar melhor.

Jornal Giro — O senhor foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal no processo do mensalão e cumpriu pena. Hoje, considera que ainda precisa dar explicações sobre aquele episódio? Como encara esse período da sua trajetória?

João Paulo Cunha — Sempre que um eleitor ou cidadão perguntar sobre esse processo, tenho a obrigação de responder, e respondo com tranquilidade. Considero que esse processo foi uma grande farsa. Fui condenado e cumpri minha pena. Nesse período, procurei transformar uma situação difícil. Eu não tinha curso superior, concluí a graduação, fiz pós-graduação e mestrado, formei-me em Direito e montei meu escritório de advocacia. Estou voltando porque o presidente Lula solicitou e porque acredito que ainda posso colaborar. Tenho absoluta tranquilidade em relação ao que fiz e ao que deixei de fazer. Não tenho nenhum problema em discutir esse assunto.

Jornal Giro — Em 2016, o senhor apoiou Rogério Lins no segundo turno da eleição para prefeito de Osasco. Houve posteriormente alguma ruptura entre vocês?

João Paulo Cunha — Houve um engano nessa interpretação. A declaração sobre ingratidão que fiz naquela época era em relação ao ex-prefeito Jorge Lapas, não ao prefeito Rogério Lins. Quanto a Rogério, nós o apoiamos formalmente no segundo turno contra Jorge Lapas. No primeiro turno, tínhamos como candidato Valmir Prascidelli. Rogério venceu e, no primeiro ano, o PT participou da gestão por meio de duas secretarias. Hoje estamos em partidos diferentes, temos projetos e posições políticas diferentes. Eu o respeito. Ele toca a vida política dele e nós tocamos a nossa. Provavelmente, em alguns momentos, estaremos em lados diferentes de uma disputa.

Jornal Giro — E como está hoje sua relação com o ex-prefeito Jorge Lapas?

João Paulo Cunha — Prefiro não falar sobre ele. Não costumo guardar mágoa e me relaciono bem com as pessoas, mas, especificamente sobre essa pessoa, prefiro não comentar.

Jornal Giro — Durante anos surgiram relatos sobre divergências entre o senhor e o deputado estadual Emidio de Souza. Existe hoje alguma ruptura política entre vocês?

João Paulo Cunha — Em determinado momento, tivemos uma diferença na leitura da conjuntura e sobre o papel que o PT poderia ter, mas isso foi superado. Estamos novamente conversando e fazendo campanha juntos. Ele é minha principal dobrada. Tenho conversado sistematicamente com o Emidio e desejo que seja bem votado. Minha relação com ele não tem problema algum. Pelo contrário, é uma relação solidária e aponta para o futuro.

Jornal Giro — Como o senhor avalia o momento do PT em Osasco? O partido tem condições de recuperar o espaço político que já ocupou na cidade?

João Paulo Cunha — Temos o vereador Heber, com seu coletivo, fazendo um papel importante e auxiliando o PT a promover uma transição geracional. Há muitos jovens participando e com bastante atividade no partido. O PT sempre foi muito forte em Osasco. Passou por uma crise, mas está voltando. Minha impressão é de que estamos recuperando força em uma velocidade até acima do esperado. Quem achou que o PT poderia ter morrido terá que se acostumar com o partido novamente de pé e trabalhando por Osasco.

Jornal Giro — O que o PT perdeu ao longo desse caminho e o que precisa fazer para voltar a conversar diretamente com uma parcela do eleitorado?

João Paulo Cunha — De alguns anos para cá, o PT não conseguiu rejuvenescer sua linguagem, sua retórica e seu programa. Ficou com uma imagem mais associada ao sistema. Principalmente para a juventude, o discurso antissistema acaba recaindo sobre o próprio PT. Precisamos fazer um grande trabalho de rejuvenescimento da imagem, melhorar a linguagem e captar o sentimento dessa juventude, que quer olhar para o futuro e ter esperança.

Jornal Giro — Uma parcela da população beneficiada pelas políticas sociais ascendeu economicamente e passou a ter outras expectativas. O PT não teve dificuldade para conversar com esse eleitor?

João Paulo Cunha — Esse é um dos nossos problemas. As pessoas que se beneficiaram dos programas sociais querem mais, e o PT ainda não está conseguindo oferecer plenamente esse próximo passo. Uma pessoa que conseguiu comprar sua casa pelo Minha Casa, Minha Vida começa a pensar em melhorar a casa, comprar uma geladeira ou trocar outros bens. Quem se formou pelo ProUni passa a pensar onde vai trabalhar e quanto vai ganhar. Essas pessoas deram um passo e querem avançar. Precisamos oferecer condições para conseguirem fazer isso.

Jornal Giro — Caso seja eleito, qual será sua primeira iniciativa como representante da região em Brasília?

João Paulo Cunha — Quero convidar todos os deputados federais eleitos pela região para tentarmos construir uma plataforma comum de atuação. Se tivermos uma bandeira regional para a saúde e todos os deputados forem juntos ao ministério ou a uma agência federal, acredito que teremos mais força e condições de viabilizar as demandas com maior rapidez. Minha primeira prioridade será tentar reunir os parlamentares. Depois, localizar as prioridades de cada município para conduzir esse trabalho conjunto.

Jornal Giro — Quais seriam as principais áreas desse trabalho regional?

João Paulo Cunha — Saúde e segurança aparecem sempre entre os principais problemas das famílias. Na saúde, precisamos identificar as necessidades de cada município. São mais UPAs? Laboratórios? Convênios? Farmácia Popular? É preciso dialogar com os prefeitos, que estão mais próximos da realidade local. A união dos parlamentares da região pode dar mais força a essas reivindicações. Depois, naturalmente, cada deputado terá também seu próprio trabalho.

Jornal Giro — O senhor é próximo do presidente Lula. Qual considera o principal acerto do atual governo e qual ponto deveria ser corrigido?

João Paulo Cunha — O aspecto mais positivo dos governos Lula sempre foi o olhar para a área social. Programas como ProUni, Minha Casa, Minha Vida e Bolsa Família têm como foco aqueles que mais precisam. O ponto negativo, para mim, é a política de juros. Considero que juros elevados afetam a produção industrial, o poder aquisitivo dos trabalhadores e agravam o endividamento das famílias. Entendo que o governo poderia ter atuado mais nessa questão e foi até um pouco complacente com o Banco Central.

Jornal Giro — A direita ampliou sua presença no Brasil e ocupa espaço importante no Congresso. O que a esquerda ainda não compreendeu sobre esse crescimento?

João Paulo Cunha — A direita compreendeu rapidamente a linguagem das redes sociais e foi mais rápida nesse mundo virtual. Ao mesmo tempo, captou parte do sentimento antissistema e do desgaste provocado por vários governos do PT. Não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. Existe um movimento internacional de crescimento da direita. Precisamos reconhecer que a direita tem força no Brasil e fazer o debate corretamente. Também acredito que o PT demorou para se rejuvenescer e trazer uma linguagem mais moderna.

Jornal Giro — O senhor já presidiu a Câmara dos Deputados. Como avalia a atual tensão entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal? O STF tem ultrapassado seus limites?

João Paulo Cunha — Entendo que ambos os lados têm razão em determinados aspectos. O Supremo, de fato, ultrapassa seus limites em alguns momentos e avança sobre prerrogativas do Legislativo e, às vezes, do Executivo. Por outro lado, o Legislativo também reclama indevidamente em algumas situações, porque os próprios partidos provocam o Supremo para que se manifeste sobre leis aprovadas pelo Congresso. Hoje, praticamente qualquer conflito político termina no Judiciário. Nós também transferimos uma parte da arena política para o Judiciário. Acredito que precisamos discutir uma reforma do Judiciário, mas isso exige muita cautela. Não pode ser feito na correria, de um dia para o outro.

Jornal Giro — O senhor é favorável à criação de mandato para ministros do Supremo Tribunal Federal?

João Paulo Cunha — Tenho dúvidas. A princípio, sou contra. Se você estabelece um mandato, a pessoa pode começar a atuar considerando o tempo que ainda tem no cargo. Além disso, teríamos que discutir por que o Supremo teria mandato e outras instâncias do Judiciário não. Então, a princípio, sou contrário.

Jornal Giro — As chamadas emendas Pix foram criadas para agilizar a transferência de recursos, mas passaram a ser questionadas pela falta de transparência. O senhor manteria esse modelo?

João Paulo Cunha — Em tese, considero que a existência de emendas impositivas representa uma deformação do nosso sistema presidencialista. O orçamento é uma peça do Executivo, embora seja votado pelo Legislativo. Quanto mais recursos são retirados da capacidade de investimento do Executivo e direcionados às emendas parlamentares, menos recursos ficam disponíveis para grandes projetos estruturantes. Se eu chegar ao Congresso e as emendas continuarem existindo, evidentemente vou utilizá-las para beneficiar Osasco, Carapicuíba, Jandira, Itapevi, Barueri, Santana de Parnaíba, Pirapora e outras cidades. Mas, se o modelo for mantido, precisamos garantir transparência absoluta. Sou contra enviar uma emenda sem que se saiba quem é o autor, de onde veio o dinheiro e para onde ele será destinado. Tudo precisa estar identificado.

Jornal Giro — Qual é sua posição sobre a redução da maioridade penal? Que proposta apresenta para enfrentar a participação de adolescentes em crimes violentos?

João Paulo Cunha — Não considero a redução da maioridade penal uma solução. Adolescentes que cometem atos infracionais graves já são responsabilizados por meio das medidas previstas na legislação.

A segurança pública precisa de polícia equipada, inteligência e capacidade de investigação, mas não é apenas uma questão policial. Segurança também passa por iluminação pública, educação, escola em período integral, creches e outras políticas públicas. Precisamos tratar o problema de maneira transversal. Apenas reduzir a maioridade penal não resolverá a questão da segurança.

Jornal Giro — E como enfrentar crimes praticados por meio das redes sociais, inclusive aqueles que envolvem crianças e adolescentes?

João Paulo Cunha — As redes sociais e as Big Techs precisam ser regulamentadas. Não podem ser um território em que qualquer coisa é produzida ou publicada sem fiscalização ou responsabilização. Esse é um problema grave. As redes sociais fazem parte de um mundo de muita ansiedade e competição, e precisamos discutir formas de proteção, principalmente para crianças e adolescentes.

Jornal Giro — Osasco registra reclamações sobre roubos e furtos, inclusive no Centro. Como o senhor avalia a situação da segurança na cidade?

João Paulo Cunha — Em grandes centros e áreas de grande movimentação, é necessário policiamento ostensivo também como forma de prevenção. Osasco tem enfrentado problemas de segurança não apenas no Centro, mas também em alguns bairros, com ocorrências de roubos de celulares e outros crimes. É preciso lembrar que a responsabilidade pela segurança pública é principalmente do governo estadual. A discussão que faço é: reduzir a maioridade penal resolveria esse problema? Acredito que não.

Jornal Giro — Como o senhor avalia o embate comercial entre Estados Unidos e Brasil e as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump? O governo Lula está conduzindo corretamente as negociações?

João Paulo Cunha — Considero o tarifaço uma tentativa de interferência no processo eleitoral. Na minha avaliação, não há justificativa comercial para essas medidas, porque os Estados Unidos historicamente mantêm uma relação comercial favorável com o Brasil. Diante das tarifas, acredito que o governo Lula tem tomado a cautela necessária. Não deve haver uma resposta precipitada. É preciso amadurecer as negociações e agir com cuidado para não agravar a situação. Minha impressão é de que o presidente Lula está conduzindo bem esse processo.

Jornal Giro — Se eleito deputado federal, o senhor pretende cumprir o mandato em Brasília ou ainda existe o projeto de disputar a Prefeitura de Osasco?

João Paulo Cunha — Gosto muito de Osasco e acredito que teria condições de fazer uma boa gestão porque conheço profundamente a cidade. Trabalhei na feira, em comércio e em empresas de Osasco. Andei muito pela cidade, conheço sua realidade e tenho muitas ideias. Entretanto, sei fazer a leitura das circunstâncias. Estou com 68 anos e quero observar como estará o cenário político em 2027 e como chegaremos a 2028. Osasco tem hoje vários bons nomes. Não precisa ser necessariamente eu e pode, inclusive, ser alguém de outro partido. Estou aberto a discutir o cenário. O que desejo é que, independentemente de quem seja o prefeito, a cidade seja bem cuidada.

Jornal Giro — Então existe a possibilidade de uma candidatura de João Paulo Cunha à Prefeitura de Osasco em 2028?

João Paulo Cunha — Não estou falando em candidatura. Existe a perspectiva de avaliar o cenário da disputa de 2028. É preferível esperar para ver como esse cenário vai se construir.

Jornal Giro — O senhor está com 68 anos. Assim como existe idade mínima para disputar determinados cargos, deveria existir uma idade máxima para candidaturas?

João Paulo Cunha — Considero que não. A idade é muito relativa. Há pessoas mais velhas com enorme lucidez e capacidade e pessoas mais jovens que não necessariamente fariam um bom governo. Estabelecer um teto de idade não me parece uma boa medida. A capacidade de exercer um cargo não pode ser determinada simplesmente pela idade.

Jornal Giro — Para encerrar, o que o senhor apresenta ao eleitor nesta volta às urnas após 16 anos?

João Paulo Cunha — Estou animado com as possibilidades de um próximo mandato. Nesses 16 anos que me separam da última eleição, preparei-me mais. Estudei Direito, fiz mestrado, publiquei dois livros e estudei muito o Brasil, sua economia e sua história. Considero que posso ajudar no Congresso Nacional e também contribuir para um trabalho mais integrado entre as cidades da nossa região. Tenho a impressão de que a região perdeu um pouco de sua projeção política nos últimos anos. Grandes lideranças ficaram para trás e precisamos fazer a região voltar a ter um papel importante na política. Gosto muito de política, principalmente da política que chega à periferia, conhece as necessidades da população e sabe dialogar com as pessoas. Acredito que posso contribuir nesse sentido e, se eleito, ajudar a despertar esperança no país.

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