Queda de vacinação acende alerta para o aumento de casos de sarampo em todo o estado de SP

Prefeituras se esforçam para conseguir maior adesão dos pais na imunização dos filhos contra a doenç. Osasco vacinou 4.290 crianças no "Dia D"
Nas duas primeiras semanas maio, foram imunizadas 4.596 crianças em Barueri (Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O sarampo é uma doença grave, mas facilmente evitável pela vacina tríplice viral e SCRV, que protege as crianças não só do sarampo, como também da caxumba e da rubéola. A dúvida que fica nos pais é: por que o sarampo é tão perigoso? A resposta está em sua transmissão, que é extremamente fácil e acontece pela respiração. Caracteriza-se pela febre alta, tosse seca, coriza, vermelhidão e lacrimejamento ocular e erupção cutânea, que duram aproximadamente uma semana. É particularmente grave em crianças menores de cinco anos, podendo ocorrer diarreia, otite, pneumonia, encefalite, convulsões e até morte.

Toda a polêmica causada pela vacina contra a covid, e iniciada pelo governo federal na pandemia, acabou respingando também em outras vacinas. Para se ter uma ideia, a primeira dose da tríplice viral teve uma queda de cobertura de 93,12%, em 2019 para 70,52% em 2021; e a segunda dose de 81,55% para 49,31% no mesmo período. O resultado foi que em 2021, São Paulo computou cinco casos confirmados só no primeiro trimestre e atualmente cerca de 25 casos suspeitos de sarampo estão sob investigação no estado.

Voltando um pouco mais no tempo, e tendo a informação de que o vírus do sarampo circula de forma endêmica (que se manifesta e permanece no local) em diferentes países do mundo, descobre-se que a circulação endêmica desse vírus no Brasil foi interrompida em 2000 – nas Américas a interrupção aconteceu em 2002. Todo o continente americano foi considerado livre do sarampo em 2016. No entanto, em 2017, ocorreu um surto de sarampo na Venezuela,, relacionado ao genótipo D8. Em 2018, aquele surto extrapolou as fronteiras e chegou ao Brasil, Colômbia, Argentina, Chile, Equador e Peru. A doença, entretanto, poderia ter sido barrada se o movimento “antivacina” não estivesse já a todo o vapor em algumas partes do mundo naquele ano.

Ações do governo estadual e municípios
Há cerca de um mês, o governo de São Paulo intensificou a campanha de vacinação contra o sarampo, extrapolando as ações para os 645 municípios do estado. O “Dia D”, como foi chamada a ação, que aconteceu em 30 de abril, resultou em um pequeno aumento na procura do imunizante.

Na cidade de Osasco foram imunizadas naquele dia 4.290 crianças contra o sarampo; Já em Barueri, os números da vacinação contra a doença demonstraram que a população aderiu à campanha, mas os índices ainda estão aquém do preconizado como meta, que é vacinar 95% das crianças entre seis meses e cinco anos em todo o país. Desde o início de maio, a procura pelo imunizante tem crescido na cidade. Em 2 de maio, foram aplicadas 137 doses da vacina. E, em menos de duas semanas, no dia 12 de maio, foram imunizadas 4.596 crianças. Esses números, entretanto, representam 22,24% da cobertura vacinal da cidade. Há uma semana, o índice estava em 17,2% em Barueri, contra 16,1% no Estado de São Paulo e 17,09% no país.