Novo protesto na Favela do Moinho paralisa trens da Linha 8-Diamante

Manifestantes atearam fogo em entulhos na Linha 8-Diamante ( Reprodução/TV Globo)

Circulação de trens, na Linha 8, está paralisada entre as estações Júlio Prestes e Palmeiras-Barra Funda pelo 2° dia seguido devido a ações na favela do Moinho

O começo da tarde desta terça-feria (13), foi marcado por um novo protesto envolvendo moradores da Favela do Moinho, localizada na região central de São Paulo. A presença dos agentes da Polícia Militar acabou motivando as novas ações que resultaram na paralisação da Linha 8-Diamante da ViaMobilidade — pelo segundo dia consecutivo.

De acordo com a concessionária, manifestantes contrários à demolição de moradias desocupadas atearam fogo em madeiras e pneus sobre os trilhos, bloqueando a circulação dos trens entre as estações Júlio Prestes e Palmeiras-Barra Funda. Em comunicado, a ViaMobilidade atribuiu a interrupção a “ações externas nas proximidades da Estação Júlio Prestes, relacionadas à Comunidade do Moinho”.

Com a paralisação, passageiros foram orientados por avisos sonoros a buscar alternativas pelas linhas 3-Vermelha, 7-Rubi e 4-Amarela.

Segundo a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), a presença da PM no local é uma medida de segurança para proteger os trabalhadores encarregados da remoção das estruturas desocupadas. As demolições começaram na segunda-feira (12), sob protestos de moradores que ainda resistem à saída da comunidade.

O protesto de segunda-feira (12), também causou transtornos: pneus e entulhos foram incendiados, afetando as operações das linhas 8-Diamante, 7-Rubi, 10-Turquesa e 13-Jade, paralisadas por volta das 17h.

A CDHU afirma que, desde abril, 168 famílias deixaram voluntariamente o local com apoio de programas de auxílio-moradia e aluguel social. A expectativa é demolir todas as casas desocupadas e, futuramente, transformar a área em um parque público.

O órgão alega ainda que a presença da polícia foi reforçada após relatos de agressões aos funcionários, incluindo apedrejamento, pauladas e até cárcere privado durante as ações da segunda-feira.

A área pertence à União, que autorizou formalmente o Governo do Estado a conduzir as demolições. Em nota, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), ligada ao Ministério da Gestão, declarou que a descaracterização das moradias vazias é essencial para evitar novas ocupações e garantir a segurança e saúde pública.

A SPU também recomendou que as demolições sejam realizadas com cautela, para não comprometer estruturas vizinhas e minimizar impactos na vida cotidiana da comunidade. Segundo o governo federal, a implantação do Parque do Moinho deve respeitar os objetivos de desenvolvimento urbano e o direito à moradia no centro da capital.

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