O novo currículo do ensino médio foi provado em 29 de julho pelo Conselho Estadual da Educação de São Paulo e homologado no dia 3 de agosto pelo governador João Doria (PSDB). Uma das principais mudanças será a opção de 12 cursos (itinerários formativos) que permitirá aos alunos escolherem as disciplinas com as que mais se identifiquem.
Na nova proposta serão mantidos os componentes básicos do currículo, mas os alunos terão a opção para escolher até duas áreas de conhecimento para aprofundar seus estudos. Isso facilitaria para agregar uma disciplina voltada para uma área onde o aluno pretenda focar sua carreira futura. Caso ele queira ser médico, por exemplo, pode optar por um itinerário formativo em uma matéria voltada para sua área. O objetivo dessa mudança é atrair e manter os jovens na escola diante da crise econômica.
Em São Paulo, o currículo deverá ser implementado progressivamente em 2021 aos alunos do 1º ano, em 2022 para o 2º. ano e em 2023 para o 3º. ano.
Mudança polêmica
A intenção positiva da inovação na educação não é bem avaliada pelos professores que atuam na área. Um dos principais pontos de discussão da categoria é que existe uma preocupação de formação técnica que, segundo apontam, não contribuí para a formação dos alunos.
“Essa mudança de currículo no ensino médio não irá contribuir em nada com a melhoria da qualidade do ensino. O que existe é uma preocupação na formação técnica, de formação de mão-de-obra, entre outras coisas”, aponta o diretor estadual e coordenador da Associação dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp), Prof. José Jesus da Costa, da Regional Osasco.
Para o diretor, focar somente na questão técnica é preocupante. “Essa tentativa de criar um tecnicismo velho com uma nova roupagem, para poder melhorar a condição de vida do povo ou dos mais pobres, isso não vai acontecer. Não é formando técnicos, ou pessoas que só manuseiam ferramentas e que não saibam pensar que vai melhorar a educação”, critica.
Para Costa, as preocupações do governo deveriam ser outras. “O que precisamos de fato na educação, é investimento adequado e definido pelo Plano Nacional de Educação. Há vários projetos que foram aprovados ao longo da última década, que precisaria ser implementado e que não foi. A educação pública passa por outros elementos fundamentais”, pondera.
Itinerário de Estudos
Com o novo currículo, serão implantados os chamados “itinerários formativos”, que reúne disciplinas, projetos, oficinas, núcleos de estudo, entre outras situações de trabalho, que os estudantes poderão escolher no ensino médio.
De acordo com o MEC (Ministério da Educação e Cultura), com eles será possível se aprofundar nos conhecimentos de uma área (Matemáticas e suas Tecnologias, Linguagens e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas) e da formação técnica e profissional (FTP) ou mesmo nos conhecimentos de duas ou mais áreas e da FTP.
Os componentes do programa Inova Educação também farão parte dos itinerários formativos, com as disciplinas de eletivas (educação financeira, teatro, empreendedorismo), projeto de vida (aulas que ajudam o estudante na gestão do próprio tempo, na organização pessoal, no compromisso com a comunidade) e tecnologia e inovação (mídias digitais, robótica e programação).
Segundo o governo federal, as redes de ensino terão autonomia para definir quais os itinerários formativos irão ofertar, considerando um processo que envolva a participação de toda a comunidade escolar.
Na visão de Costa, na prática, existem muitos impedimentos nesta implementação. “Sim, teremos itinerário de estudos, mas nem o governo, nem o secretário sabem como vão colocar em prática. Porque as instituições de ensino não estão adequadas, uma vez que foram feitas para resolver um problema imediato.Por isso, deveriam ser derrubadas e construídas outras no lugar”, salienta.
O coordenador da Apeoesp Osasco afirma que essa mudança deveria ser melhor discutida com as áreas envolvidas. “Não é esse ensino médio que queremos, sem debate, sem discussão, que o secretário impõe, de cima para baixo. Não é verdade que houve debate. As pessoas interessadas, os grandes pensadores não foram ouvidos, os professores de um modo geral sequer discutiram esse assunto”, finaliza.






