Uma análise do Instituto Pólis, realizada em parceria com o LabCidade (Laboratório Espaço Público e Direito à Cidade), órgão ligado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, sugere que a Covid-19 está se espalhando de forma mais intensa onde os moradores utilizaram transporte público para trabalhar durante a pandemia.
Os pesquisadores correlacionaram bairros de São Paulo que mais registraram hospitalizações pela Covid-19 ou Síndrome Respiratória Aguda e Grave (SRAG) com o local de origem de trabalhadores que utilizam o transporte público como principal meio de locomoção.
A análise mostrou que os territórios com mais internações na cidade (DataSus), estão localizados em regiões que figuram como os principais pontos de origem das viagens diárias (Pesquisa Origem Destino e SPTrans).
“Em síntese, é possível afirmar que quem está sendo mais atingido pela Covid-19 são as pessoas que tiveram que sair para trabalhar. Entretanto, apesar de termos mapeado os locais que concentram os maiores números de origens ou destinos dos fluxos de circulação por transporte coletivo, não é possível ainda afirmar se o contágio ocorreu no percurso do transporte, no local de trabalho ou no local de moradia”, afirmam os pesquisadores.
“Se o maior número de óbitos está nos territórios que tiveram mais pessoas saindo para trabalhar durante o período de isolamento, temos que pensar tanto em políticas que as protejam em seus percursos como ampliar o direito ao isolamento paras as pessoas que não estão envolvidas com serviços essenciais, mas precisam trabalhar para garantir seu sustento”, completam.
Isolamento
Embora o estudo não tenha sido aplicado nas cidades da região oeste, o acesso ao transporte público para ir ao trabalho pode estar por trás das baixas adesões ao isolamento conferidos em Jandira e Barueri (leia aqui), cidades que têm polos industriais e comerciais e grande concentração de mão de obra. A intensa atividade econômica pode levar muitos trabalhadores a ficarem expostos justamente no trajeto.
Questionada, a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos sinaliza que vem seguindo o que diz a Resolução STM n° 41, de 15/06/2020, que determina que frota destinada ao atendimento dos passageiros dos sistemas de transportes, de responsabilidade do Governo do Estado, poderá ser disponibilizada em até 100% da sua capacidade, de acordo com o número de pessoas transportadas por modalidade.
Ainda segundo a empresa, no transporte metropolitano por ônibus, são realizadas fiscalizações sistemáticas, por linha e por faixa horária, em pontos estratégicos nas regiões metropolitanas. Fiscais não identificados também acompanham a operação, além do controle de forma eletrônica pelo Centro de Gestão e Supervisão da EMTU/SP.
A EMTU diz ainda que os ônibus intermunicipais são higienizados com os insumos indicados pelos órgãos da vigilância sanitária e que o uso de máscaras é obrigatório.
Já a CPTM, que transporta mais de 1 milhão de passageiros nas duas linhas que passam pela região (497 mil na linha 8 Diamante e 591 mil na linha 9 Esmeralda) afirma que vem realizando higienização dos trens, campanhas de conscientização, distribuição de máscaras, entre outras ações pontuais de apoio ao combate ao coronavírus.






