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Operação desarticula megaesquema de fraudes no setor de combustíveis

Operação é contra esquema no setor de postos de combustíveis envolvendo o PCC e a Faria Lima (Divulgação/Receita Federal)

Uma ação de grande porte contra o crime organizado no ramo de combustíveis foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (28). Mandados de prisão, busca e apreensão estão sendo cumpridos em oito estados, em uma iniciativa considerada a maior já realizada no país contra organizações criminosas. A ofensiva é conduzida por uma força-tarefa que reúne o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Receita Federal.

O alvo principal é uma rede de fraudes e lavagem de dinheiro que envolve desde a importação até a venda final de combustíveis, passando por usinas, distribuidoras, postos e fintechs usadas para disfarçar o rastro do dinheiro. Segundo a Receita, mais de 1.200 postos ligados ao esquema movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, mas recolheram apenas R$ 90 milhões em tributos, equivalente a 0,17% do total. Para ocultar recursos, operadores financeiros ligados à Faria Lima teriam usado cerca de 40 fundos de investimento avaliados em R$ 30 bilhões.

A operação, batizada de Carbono Oculto, tem como alvos instituições financeiras (BK e Banrow), usinas sucroalcooleiras (Itajobi e Carolo) e nomes conhecidos do setor, como Mohamad Hussein Mourad, o “Primo” ou “João”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. Ambos são ligados à distribuidora Aster e à Copape. Ao todo, cerca de 350 mandados estão sendo executados contra pessoas físicas e jurídicas em São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional também ajuizou ações para bloquear R$ 1 bilhão em bens, entre imóveis e veículos.

De acordo com as investigações, além da lavagem de dinheiro, o esquema gerava lucro com sonegação e adulteração de combustíveis, prejudicando consumidores e a arrecadação de impostos. As fraudes envolviam importação irregular de nafta e metanol, manipulação de notas fiscais e uso de empresas de fachada. Uma fintech identificada como “banco paralelo” do grupo teria movimentado R$ 46 bilhões em quatro anos, com depósitos em espécie e mecanismos de ocultação que dificultavam a fiscalização.

Para blindar o patrimônio, a organização investia em fundos exclusivos e bens de alto valor. Entre os itens adquiridos estão quatro usinas, um terminal portuário, mais de 1.600 caminhões, fazendas no interior paulista avaliadas em R$ 31 milhões e uma mansão em Trancoso/BA comprada por R$ 13 milhões.

Participam da operação cerca de 350 auditores da Receita Federal e integrantes de órgãos como o MPSP (Gaeco), Ministério Público Federal, Polícia Federal, Polícias Civil e Militar, Secretaria da Fazenda de SP, Agência Nacional do Petróleo e Procuradoria-Geral do Estado.

O nome Carbono Oculto faz referência tanto ao elemento químico presente nos combustíveis quanto à ocultação dos lucros ilícitos em instituições financeiras e fundos de investimento.

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