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Ensino médio: prós e contras do novo formato que entra em vigor nas escolas públicas e privadas

Modelo será mais voltado para habilidades do aluno e mercado de trabalho, mas precisa de professores capacitados e itinerários formativos bem elaborados
A grade curricular mudou e as horas letivas anuais aumentaram (Divulgação/Secretaria da Educação do Governo de SP)

Aprovado por meio da Lei n° 13.415/2017, o novo ensino médio passou a valer a partir do ano letivo deste ano. O formato promete mudar, gradativamente, o aprendizado tanto em escolas públicas como privadas. Mas quais são prós e os contras do novo modelo?

Houve aumento nas horas letivas anuais, além de mudanças na grade curricular e até no objetivo do próprio ensino médio. “Ele formará alunos mais participativos e empreendedores, mais conscientes em relação às questões da sociedade, e com habilidades mais desenvolvidas para a resolução de problemas”, afirma o professor Rogério Tognetti, coordenador do Colégio Presbiteriano Mackenzie. Segundo ele, os alunos conseguirão identificar com mais clareza qual profissão pretendem seguir. O que antes poderia ser visto como uma preparação para o ensino superior passará a ter um olhar voltado ao mercado de trabalho.

Mas Tognetti ressalta que as escolas precisam formar professores para ministrar o novo ensino médio. “Quando fizeram a licenciatura, nossos educadores não foram formados profissionais com características necessárias para essa nova realidade. Portanto, as escolas em geral precisam preparar cursos paras esses professores”, diz.

Outro ponto levantado pelo professor são os itinerários formativos, escolhidos pelos alunos. “Eles precisam ser interessantes, estimular o estudante a colocar a mão na massa e a desenhar um projeto de vida”, destaca o professor do Mackenzie.

Carga horária maior
O tempo de aula que era de, em média, 4 horas por dia, passará a ser de 5 horas por dia. No final do ano, o aluno terá cumprido mil horas letivas anuais, um aumento de 200 horas em comparação com o modelo anterior.

Até 2024, quando a primeira turma do novo ensino médio deverá estar concluindo a fase de ensino, os estudantes terão cumprido 3 mil horas letivas.

Tognetti explica que as grades de aulas nas instituições de ensino públicas são menores, em comparação à grade dos colégios privados, que, dessa forma, fornecem maior quantidade de conteúdo. “Na teoria, a defasagem entre as escolas públicas e privadas tende a diminuir, uma vez que ambas precisam aplicar a mesma carga horária”, afirma ele.

A lei não determina se o cumprimento da carga horária será presencial ou à distância. A legislação permite que 30% do ensino médio noturno e 20% do diurno sejam ministrados de forma remota.

Nova grade curricular
Outra grande mudança é na grade curricular. As disciplinas passarão a ser áreas de conhecimento, modelo tradicional no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e em outros vestibulares. São elas: linguagens e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; e ciências humanas e sociais aplicadas.

Estas quatro áreas de conhecimento vão abranger todas as disciplinas que já eram trabalhadas em aula: língua portuguesa, matemática, biologia, química, artes, língua inglesa, educação física, filosofia, história, geografia, sociologia e física.

E esta grade curricular ocupará 60% do total de horas letivas, o equivalente a 1.800 horas, divididas entre 1º, 2º e 3º anos do ensino médio. Por outro lado, conteúdos de português e matemática serão trabalhados nos três anos letivos.

Os conteúdos serão ministrados de maneira integrada nas salas de aula. Por exemplo, assuntos de artes poderão ser trabalhados junto aos conteúdos de história, relacionando duas áreas distintas.

As outras 1.200 horas são flexíveis e serão reservadas para a formação técnica e profissional. A tendência é trabalhar com o conceito “mão na massa”, desenvolvendo, por meio de atividades, várias habilidades como resolução de problemas, imaginação, criatividade, empreendedorismo e capacidade de se comunicar.

Por exemplo, a instituição de ensino pode oferecer curso de jornalismo, que dará noções básicas da profissão, como fazer um podcast, como funciona a mídia impressa, entre outros pontos. “Essas atividades podem levar o estudante à escolha de sua profissão”, afirma Tognetti.

Projeto de vida
O objetivo deste componente é ajudar os jovens a entender suas aspirações. A escola ajudará o aluno a compreender o que aspira para seu futuro, ao mesmo tempo que irá auxiliá-lo a alcançar essa meta.

Não é especificado se esta orientação deve ser feita por um profissional especializado, como um psicólogo, ou se um professor ou profissional da unidade de ensino ficará responsável pela função.

Itinerários formativos
Mas o que seria isso? Segundo o professor do Mackenzie, o itinerário formativo é o percurso que o aluno escolherá e cumprirá durante o ensino médio. Ele é composto pelas trilhas de aprofundamento que, por sua vez, são disciplinas que aprofundam aprendizagens de uma ou duas áreas do conhecimento, como comunicação, agronegócio, energia, alimentação, robótica, artes cênicas, processos políticos, astronomia, entre outros.

Os itinerários informativos vão depender da oferta da instituição. As escolas podem oferecer as aulas já a partir deste ano, mas só serão obrigatórias em 2023.

O professor do Mackenzie ressalta que eles aprofundam habilidades, conteúdos e competências. Mas que precisam ser muito bem desenvolvidos, “com trilhas de aprofundamento, e profissionais capacitados, para não deixar desejar”, finaliza Tognetti.