O Ministério Público do Trabalho de São Paulo (MPT-SP) abriu um inquérito para investigar irregularidades trabalhistas no “reality dos empregados” promovido pelo casal de influenciadores e ex-participantes do BBB, Viih Tube e Eliezer.
A atração chamada “As Patroas” consistia em 11 funcionários da família de Viih Tube e Eliezer disputando por premiações como folgas, prêmios em dinheiro e benefícios no ambiente de trabalho que seriam transmitidos pelas redes sociais.
Os prêmios podem ser conquistados por meio de dinâmicas como encontrar moedas escondidas em móveis, vasos sanitários, lixeiras e no lago artificial da mansão, localizada em condomínio de alto padrão na Granja Viana, em Cotia.
O caso gerou uma grande repercussão negativa nas redes sociais, após internautas criticarem Viih Tube e Eliezer por explorar trabalhadores por entretenimento. Entre os benefícios do programa estavam dinheiro, redução da carga de trabalho, entre outros.
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“Coisa mais nojenta é rico criar conteúdo em cima da classe trabalhadora”. “Acho muito esquisito transformar a rotina de funcionário em entretenimento. Tem coisa que não precisava virar conteúdo”, escreveram nas redes alguns usuários.
Como foi instaurado o inquérito para investigar Viih Tube e Eliezer
A investigação do MPT-SP se deu após a deputada Ediane Maria (PSOL) ter entrado com uma representação contra a influenciadora Viih Tube.
No documento, ela aponta que “a transformação de tarefas domésticas e da relação hierárquica de trabalho em espetáculo competitivo constitui prática que se amolda ao conceito doutrinário de assédio moral organizacional, entendido como o conjunto de condutas abusivas”.
A parlamentar destacou também que, mesmo que seja lúdico ou consentido, o programa expõe os trabalhadores a constrangimento sistemático e a pressão psicológica no ambiente de trabalho. A representação ainda ressaltou a publicação do reality com empregados em canais monetizados, já que o lucro obtido seria apenas de Viih Tube e Eliezer.




Investigação se deu a partir de representação de deputada (Reprodução/Redes Sociais)
“A subordinação estrutural da relação de emprego doméstico — em que o empregado depende do empregador inclusive para moradia, referências e continuidade do vínculo — fragiliza qualquer alegação de consentimento livre, o que reforça a necessidade de apuração pelo órgão ministerial quanto à real voluntariedade da adesão”, avaliou a deputada.
Em nota divulgada à imprensa, o MPT-SP afirmou que “tomou conhecimento da atividade anunciada pela influenciadora em questão por meio da imprensa e abriu procedimento para investigar os fatos”, afirmou o órgão em nota.
Em meio à polêmica, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) fez uma publicação condenando a exposição de empregados, onde alertou para situações vexatórias que podem caracterizar assédio moral e violação de outros direitos.
“Humilhação não é entretenimento. No ambiente de trabalho, inclusive no doméstico, respeito é dever”, escreveu o perfil da Corte.
Após os influenciadores apagarem o vídeo do primeiro episódio do “reality”, algumas funcionárias usaram as redes sociais para defendê-los. Uma delas destacou que os funcionários estão concorrendo a “prêmios maravilhosos” como dinheiro e moto.
*com informações da CNN e Metrópoles
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