Metanol: Unicamp alerta para falta de estoque de antídotos

Fomepizol é considerado mais eficiente e de administração mais simples, mas não faz parte da política nacional de antídotos contra o metanol
Polícia investiga o uso de metanol em bebidas que foram adulteradas (Divulgação/Biodiesel Brasil)

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Unicamp alertou nesta terça-feira (30) que o Brasil não possui estoque suficiente de antídotos para tratar casos de intoxicação por metanol. Segundo o órgão, tanto o fomepizol quanto o etanol puro — usados para inibir a enzima álcool desidrogenase (ADH) e impedir a formação de ácido fórmico, responsável pelas reações graves — estão em falta.

O fomepizol é considerado mais eficiente e de administração mais simples, mas ainda não faz parte da política nacional de antídotos toxicológicos criada no final de 2023 e não foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Na ausência do medicamento, a alternativa é o etanol, que também deve ser administrado em ambiente hospitalar. Em situações extremas, destilados como vodka podem ser usados, mas somente sob supervisão médica.

O CIATox informou que, no final de 2023, registrou um caso suspeito de intoxicação por metanol, possivelmente relacionado ao consumo de álcool combustível, embora isso não tenha sido confirmado. Esse episódio marcou a primeira vez que o Centro identificou casos envolvendo bebidas adulteradas.

Cobrança por política federal de antídotos

Durante a coletiva, o CIATox destacou a necessidade de revisão da política nacional de antídotos contra substâncias tóxicas, em parceria com a Associação Brasileira de Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Abracit). Atualmente, não há estoque de etanol para tratamento e o fomepizol ainda depende de importação emergencial autorizada pela Anvisa. O órgão defende que ambos os antídotos estejam disponíveis permanentemente no SUS, especialmente diante da expectativa de aumento no número de intoxicações.

O que é o metanol

O metanol (CH₃OH) é um álcool simples, incolor, inflamável e de difícil detecção, com cheiro semelhante ao álcool comum. Ele possui diversas aplicações industriais legítimas, como na fabricação de formaldeído, ácido acético, tintas, solventes, plásticos e biodiesel, além de produtos como anticongelantes e limpa-vidros.

Apesar de já ter sido usado como combustível em carros de corrida e pequenos motores, o metanol não deve ser comercializado para consumo humano nem adicionado em larga escala a combustíveis comuns. A ingestão da substância representa risco grave à saúde devido à formação de ácido fórmico durante sua metabolização no organismo.

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