​Mesmo com a pandemia, SP realizou mais de 2.800 transplantes de rins

Número de transplantes diminuiu com a chegada do coronavírus no interior do estado.
São Paulo é o Estado com o maior número de pessoas na fila de espera por um transplante de rim. (Foto: Pexels).

Um dos principais setores da saúde afetados pela pandemia do coronavírus é o transplante de rins. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, em 2020, há mais de 25 mil pessoas no País na fila de espera por um novo órgão. Mais da metade, 13.225 mil pessoas, se encontra em São Paulo. 

No início da pandemia, o Ministério da Saúde determinou a suspensão dos transplantes de rins por doador vivo. O objeto da medida é proteger e não expor pacientes ao risco de contaminação ao vírus.

A Sociedade Brasileira de Urologia, aponta que com essa paralisação, afetou cerca de 20% dos pacientes que dependem das doações de rins para sobreviver no Brasil.

Em São Paulo, o órgão que teve a maior queda no número de transplantes foi o rim vivo, que teve uma queda de 93%. Foram 15 cirurgias em 2019 contra uma única doação no mesmo período deste ano.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, boa parte dos órgãos transplantados em São Paulo vem de cidades do interior. Porém, com o avanço da Covid-19 nessas cidades, esse tipo de procedimento deixou de ser realizado, aumentando a fila de espera.

Em 2019, foram realizados aproximadamente 6,3 mil transplantes renais. “Hoje, temos perto de 25 mil pessoas ativas na lista de espera. Nos últimos dez anos, a média anual foi de 5,5 mil procedimentos.”, afirma o urologista Sérgio Ximenes, Chefe do Departamento de Transplante da SBU-SP, Doutor em Urologia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Cirurgias

De janeiro até a primeira quinzena de junho em 2020, segundo a Central de Transplantes Estadual, foi realizados mais de 2.680 transplantes.

Nesse mesmo período em 2019, foram 3.725, de um total de 8.328 procedimentos ao longo do último ano.

De 1997 a 2018, São Paulo realizou mais de 117 mil transplantes simples, de órgãos como coração, pâncreas, fígado, pulmão e rim.

Barueri

Em Barueri, segundo a Secretaria de Saúde, o Hospital Municipal realiza a capitação de órgãos para o Organização de Procura de Órgãos (OPO) do Hospital das Clínicas. Em 2019 foram captados 11 órgãos e 2 tecidos, e em 2020, não houve nenhuma captação.

Até 2018, a Central registrou um saldo de 101,3 mil doadores paulistas. Houve um crescimento de 916% no número de doadores-cadáveres (aqueles que tiveram morte cerebral), onde foi registrado 844 doadores desse tipo em 2017.

No primeiro trimestre de 2020, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes e Estatística de Transplantes, elaborado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, 1282 pessoas entraram na fila de espera por um rim, sendo 27 delas crianças.

No total, 213 pessoas faleceram. Três crianças também morreram nesse mesmo período.

O tempo de isquemia de um rim, período de retirada de um órgão e transplante deste em outra pessoa, é de 48 horas.

Outras cidades

De acordo com as Secretárias de Saúde de Osasco, Barueri, Cotia, Itapevi, Jandira e Santana de Parnaíba, os municípios não tem o controle sobre estes casos.

Sistema de Triagem

Todo o sistema de triagem, captação de doadores de órgãos, possíveis receptores e cirurgia de transplantes de órgãos em São Paulo é organizado pela Central de Transplante.

Para os pacientes que entram em insuficiência renal, na rede pública, todo o tratamento fica a cargo do Estado porque a doença é considerada de alta complexidade. Ele segue para um hospital para a terapia renal.

Caso haja a necessidade de transplante, ele é encaminhado para o banco de transplante da Secretária da Saúde Estadual e do OPO do Hospital das Clínicas.

Covid-19 e os doadores

Segundo o Ministério da Saúde, existem dois tipos de doadores de órgãos, os doadores vivos e os doadores-cadáveres.

O primeiro tipo deve concorda com o procedimento, e pode doar um de seus rins à parentes até o quarto grau e cônjuges. Não parentes, somente com autorização judicial.

Já o segundo, são pacientes com morte encefálica, geralmente vítimas de catástrofes cerebrais, como traumatismo craniano ou AVC (derrame cerebral).

No Brasil, a doação de órgãos só é feita após a autorização familiar. Para aqueles que desejam ser um doador, é importante deixar claro aos familiares a autorização a doação de órgãos em caso de falecimento.

Com o avanço da pandemia do coronavírus, o Sistema Único de Saúde implantou diversos protocolos de segurança para a doação de órgãos.

Entre eles, pessoas com diagnóstico da doença com menos de 28 dias da regressão completa dos sintomas não podem ser doadores de órgãos.

Os hospitais seguem os protocolos de triagem clínica dos potenciais doadores, realizando testes para COVID-19 antes de qualquer procedimento, prezando pela segurança dos profissionais de saúde e pacientes receptores.

Segundo o Sistema Nacional de Transplantes, as captações de tecidos, como córneas, estão temporariamente suspensas durante a pandemia. Os procedimentos eletivos seguem sendo reagendados para garantir a segurança de todos os envolvidos no procedimento.

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