Especialista em conservação e restauro, João Rossi carrega em seu currículo restauros para o Iphan, além de restauro de muitas obras importantes de escultores como Aleijadinho, Frei Agostinho da Piedade, Frei Agostinho de Jesus, além de restauro de pinturas murais e telas, como Anita Malfatti, Benedito Calixto, dentre outros. Atualmente, Rossi trabalha na recuperação de peças vandalizadas por um grupo de quatro pessoas, na noite de 3 de maio, na tradicional Igreja Nossa Senhora dos Remédios, na cidade de Salto.
Conte-nos um pouco sobre você e sobre seu trabalho. Como chegou à Igreja Nossa Senhora dos Remédios? Eu trabalho com restauro há mais de 15 anos. Sou restaurador do Museu de Arte Sacra de São Paulo e cuido também do acervo e do restauro do Mosteiro de São Bento de São Paulo. Presto serviços a várias coleções particulares e instituições, principalmente igrejas e ordens religiosas. Conheci a Igreja Nossa Senhora dos Remédios quando o sr. José Carlos Marçal, diretor do Museu de Arte Sacra, comprometeu-se em viabilizar a recuperação das obras danificadas na igreja.
Quantas peças da Igreja dos Remédios, você terá de restaurar? Entre as imagens havia alguma considerada mais rara? Serão restauradas seis peças da igreja, dentre ela a imagem da padroeira, Nossa Senhora dos Remédios e a imagem de Santo Ubaldo, entalhada em madeira e trazida da Itália há mais de 70 anos.
É muito custoso fazer uma restauração? Quais as maiores dificuldades? Os valores dos trabalhos de restauros são bem diversificados, pois variam de acordo com os matérias, danos causados e mão de obra especializada. É sempre importante buscar um especialista, pois o restauro, diferente das reformas, deve preservar a memória, buscar o original e não tentar “embelezar” as obras. O restaurador deve ser fiel a criação do artista.
Qual seu sentimento ao ver essas imagens vandalizadas na Igreja Nossa Senhora dos Remédios? A situação desperta um sentimento de tristeza, remete a uma situação de desrespeito a história, a arte e a fé. Mas nessas situações vemos também a comoção, a união da comunidade nas tentativas de resgatar e preservar sua memória!
Você é morador da região? Fale-nos um pouco sobre onde mora e os laços que têm com a sua cidade. Moro em São Paulo. Eu tenho um laço afetivo com a cidade e procuro conhecer cada vez mais a história da cidade e da igreja, que possui um importante elo. Tenho publicado um livro sobre a cidade de São Paulo no período dos dois impérios, “São Paulo Cidade Imperial”, de coautoria com o historiador Paulo de Assunção. O bom profissional deve pesquisar sempre. Obras de arte são muito mais que simples objetos, trazem uma carga histórica importante com a história, a arte, a fé (no caso de arte sacra) e a cultura. Preservando o patrimônio, garantimos às futuras gerações o direito a história e a memória!
Relembre o caso das imagens da Igreja dos Remédios
Por volta das 21h30, do dia 3 de maio, quatro pessoas, dois homens e duas mulheres, invadiram a Igreja Nossa Senhora dos Remédios, localizada na Vila dos Remédios, em Osasco, e destruíram quatro imagens de santos. Um dos dois padres que moram nos fundos da igreja ouviu um barulho e foi verificar o que estava ocorrendo. Ele viu o grupo de jovens fugindo após o ataque e conseguiu alcançar um deles, que disse que havia destruído as imagens “em nome de Jesus”. Os vândalos conseguiram fugir e a polícia foi acionada para registrar o crime.







