​Estudante de Osasco vence prêmio internacional

Jovem é primeira e única brasileira a ganhar uma competição internacional de astronomia
Adolescente reside em Quitaúna, Osasco (Foto: Divulgação/ Arquivo pessoal)

A osasquense Giulia Nóbrega da Costa, de 16 anos, ganhou a medalha de prata na Competição Eletrônica Global de Astronomia e Astrofísica 2020 (Global e-Competition on Astronomy and Astrophysics- GeCAA), competição criada para substituir a Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica. Destinada a alunos do ensino médio, a prova estava para ser realizada em agosto em Bogotá, na Colômbia, mas foi cancelada devido à pandemia do novo coronavírus. 

Estudante do 3º ano do ensino médio do Colégio Etapa, a adolescente integrou uma equipe formada por outros 10 estudantes que venceram na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica de 2019, realizado na capital do Rio de Janeiro. Por conta da pandemia, seu treinamento ocorreria em Vinhedo, interior de São Paulo, mas graças à sua colocação final, ela optou por participar individualmente da GeCAA.

Além de Giulia, outros três colegas do mesmo colégio disputaram campeonato internacional (Foto: Divulgação / Colégio Etapa)

Competição

“A modalidade individual, na qual concorri, contou com alunos de cerca de 40 países e se deu por meio de três provas (teórica, análise de dados e observacional), ocorrendo na última semana de setembro”, explicou a estudante. Na prova, os competidores tiveram de analisar em 3h, oito questões avançadas como encontrar a vorticidade -grandeza física empregada em mecânica de fluidos e no mundo meteorológico para quantificar a rotação das partículas de um fluido em movimento – da Grande Mancha de Júpiter e identificar condições para a prática de astrofotogradia.

Giulia passou mais duas provas que envolveram análises de dados, encontrar quatro estrelas em uma imagem do céu da Estônia, construções de gráficas, avaliar o cometa Newise, que esteve visível em 2020, e localizar costelações, planetas e nebulosas. Segundo a estudante, a prova foi bastante desafiadora porque “para que conseguimos um bom resultado tempos que saber se todas as 88 constelações de cor e trabalhar com agilidade”.

O resultado da competição saiu em 23 de outubro e o Brasil conquistou quatro ouros inéditos, duas pratas e quatro bronzes. A osasquense explicou que esse foi o melhor resultado do Brasil, no qual o país conquistou o terceiro lugar geral na disputa. ” Me tornei também a primeira e única menina brasileira a ganhar prata numa competição internacional de astronomia dessa magnitude” afirmou Giulia.

Uma das provas era analisar o céu da Estônia em busca de estrelas e planeta ( Foto: Divulgação/ Freepik)

Prêmios

Moradora de Quitaúna, Giulia começou a se interessar por física, matemática e astronomia em 2018, quando iniciou seus estudos no Colégio Etapa. Ela já venceu duas medalhas de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia em 2018 e 2019; uma menção honrosa (2018) e uma medalha de prata (2019) na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP); uma medalha de prata (2018) e uma menção honrosa (2019) na Olimpíada Brasileira de Linguística; uma medalha de prata (2018) e uma de ouro (2019) no Canguru de Matemática; além de uma menção honrosa na Olimpíada Brasileira de Física (OBF) em 2019.

Atualmente, a estudante está se preparando para conseguir uma bolsa em uma universidade nos Estados Unidos. Ela se candidatou a uma vaga em Yale. Para ela a conquistar a medalha foi um misto de orgulho com responsabilidade.

“Senti orgulho por ter chegado tão longe e representado tão bem as meninas e responsabilidade por saber que este prêmio não é só meu, mas de todo o Brasil, e especialmente das meninas que participam dessa olimpíada. Espero agora poder contribuir com as futuras equipes e fazer com que o Brasil se destaque cada vez mais nesse cenário”.