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Especialistas reforçam o papel essencial da advocacia como guardiã da democracia e Justiça

A Prefeitura de Araçariguama já havia sido condenada na 1ª instância e recorreu (Divulgação/Freepik)

A advocacia ocupa um lugar central na preservação da democracia e na defesa das garantias individuais. Essa é a avaliação de diferentes profissionais do Direito ouvidos pelo Jornal Giro, que ressaltam a função indispensável do advogado na busca pela Justiça.

Para o advogado Anderson Pomini, especialista em Direito Público e Eleitoral e presidente da Autoridade Portuária de Santos, o trabalho do advogado pode ser comparado ao de médicos que salvam vidas. “Se o médico é o profissional que preserva a vida, o advogado é aquele que preserva a liberdade das pessoas”, afirma ele.

Pomini destacou ainda que a carreira é desafiadora e exige preparo contínuo. “Apenas 5% dos profissionais conseguem realmente se destacar. Não basta o diploma: é preciso ter boa apresentação, capacidade de convencimento e construir relações sólidas. O advogado precisa reunir competências técnicas e interpessoais para conquistar confiança e espaço”, destaca.

Na visão do criminalista Lindemberg Pessoa, o advogado se torna o último recurso do cidadão diante do peso da máquina estatal. “O advogado é indispensável à Justiça. Quando alguém é acusado de um crime, tem contra si a vítima, a sociedade, a testemunha, o investigador, o policial, o escrivão, o delegado, o promotor e o juiz. Dos meus dez dedos, sobra apenas um: o advogado, contra tudo e todos”, afirma.

Ele ressaltou que, muitas vezes, a missão não é buscar absolvição, mas garantir que a aplicação da lei seja justa e adequada. “A Justiça tem que ser como uma porca e um parafuso: se encaixar perfeitamente”, exemplifica.

Já a promotora de Justiça Eliana Passarelli acrescenta que a advocacia atua em um espaço marcado pelo confronto entre o texto legal e a interpretação que dele se faz. “A Justiça deve cumprir a lei, mas, nos dias de hoje, a interpretação está por vezes divorciada do estrito cumprimento dela. O sistema carece de segurança jurídica para toda a população”, avalia.

Para ela, o Estado Democrático de Direito só se sustenta se houver justiça distributiva e igualdade real nas relações sociais. “No mundo do Direito não há espaço para falsas aplicações ou interpretações vagas das leis. O equilíbrio entre lei e Justiça é o que garante a democracia”, completa.

IA: profissional qualificado não será atingido com o avanço da tecnologia

O avanço da inteligência artificial (IA) tem alimentado previsões sobre a substituição de profissões, inclusive a do advogado, por softwares automatizados. No entanto, Anderson Pomini, especialista em Direito Público e Eleitoral, rebate essa visão. Ele ressalta que a tecnologia deve ser compreendida como instrumento de apoio, mas não como substituta da atuação humana. Além disso, bons profissionais não serão afetados.

“O bom advogado não será substituído pela inteligência artificial. Quem corre esse risco são os profissionais que não se atualizam, que não investem em capacitação e entregam um trabalho mediano. Esses podem, sim, perder espaço para sistemas como o ChatGPT”, avalia o profissional.

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