Na terça-feira (6), o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou por unanimidade a resolução que autoriza o ensino remoto nas escolas públicas e particulares até 31 de dezembro de 2021. As regras valem para a educação básica e superior. De acordo com a resolução, cabe às secretarias de educação e às direções das instituições, a decisão de quais tecnologias utilizar nos métodos de ensino, que podem variar entre videoaulas, redes sociais, correio eletrônico e blogs.
Segundo o documento, se a instituição decidir voltar às aulas presenciais, deverá iniciar as atividades de maneira gradual, mediante a autorização das autoridades sanitárias locais. Outro ponto destacado é que deve ser garantido o “acolhimento aos estudantes e a preparação socioemocional de todos os professores”. Ainda de acordo com o CNE, estados e municípios deverão planejar a reposição da carga horária perdida e destacou que as reprovações fazem parte das escolhas das instituições. O texto segue agora para homologação do ministro da Educação, Milton Ribeiro.
De acordo com o levantamento do Giro S/A, nenhum dos 11 municípios da região que fazem parte do Consórcio Cioeste (Araçariguama, Barueri, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba e Vargem Grande Paulista) retornam para as aulas presenciais nas escolas públicas. Já as escolas particulares e ensino superior podem retornar suas atividades gradualmente, seguindo os protocolos de saúde e recomendações do governo do Estado. Veja matéria sobre esse assunto neste link.
Desafios
Para a diarista Rute de Jesus Santana, 47, que tem dois filhos em escolas estaduais na Vila Menk, em Carapicuíba, o ensino remoto só causa prejuízos à educação. “Tenho um filho de dez anos que está no 5º ano e mal sabe escrever. O ensino já era muito ruim, mas agora parece que está pior, embora haja boa vontade dos professores”, critica. Rute informa que acompanha de perto os estudos dos filhos durante suas folgas. “É uma loucura, muita atividade e pouca explicação. Mas procuro participar do grupo da escola, retomar as atividades com ele, e fico imaginando o que acontece com os alunos sem equipamentos em casa e sem os pais para acompanhar o dia a dia do seu filho na escola”, ressalta.
Para o diretor da Apeoesp (Associção dos Professores do estado de São Paulo) regional Osasco, professor José Jesus, o ensino remoto é uma necessidade. “Estamos em tempos de pandemia e ainda é preciso adotar esse sistema para segurança de todos. Lamentável que o governo do estado continue insistindo na reabertura das escolas”, critica. Segundo o professor, a modalidade de ensino também serviu para mostrar os desafios da educação “O EAD escancarou de vez o abismo social no Brasil. Com isso vimos como a as comunicações, a internet é cara e ainda inacessível para muitas famílias”, relata.
José Jesus salienta que é necessário debater o ensino para buscar melhorias. “Penso que o debate deverá ser como construir o plano de recuperação deste ensino. Nem falar de aprovação ou reprovação, mas de condições reais de educação para estes alunos.






