Com a chegada do Dia Água, é aberto espaço para discussão sobre a saúde dos Rios Tietê e Pinheiros
É notório que um dos maiores bens naturais importantes existentes no planeta é a água. Essa é fundamental também para o surgimento de diversas sociedades e países em volta de grandes rios. Por possuir uma grande extensão territorial, segundo o IBGE, o Brasil têm 12 grandes bacias hidrográficas e uma vasta quantidade de rios.
Localizado em três regiões hidrográficas o Atlântico Sudeste, o Atlântico Sul e o Paraná, o estado de São Paulo possuiu dois rios que se sobressaem em sua história e na criação de sua capital: o Pinheiros e o Tietê.
Juntos, são mais de 1125km, que cruzam tanto o estado quanto a maior metrópole do país.
“Eles são importantes porque a cidade nasce em volta deles. Quando os jesuítas vieram para participar da colonização do Brasil, eles fizeram uma estrutura na margem do rio Pinheiros e aí que São Paulo nasce”, explica o professor de Tratamento de Resíduos Sólidos, José Luiz da Paixão Filho do Mackenzie Campinas. “Eles são importante desde início, pois todo o desenvolvimento da cidade vem por conta dos rios. Avenidas crescem nas margens basicamente por isso”, completa.
Escondidos debaixo das grandes avenidas da capital e das cidades afluentes, ambos os rios sofreram o processo de retificação. “A retificação é feita basicamente para poder utilizar as vias próximas aos cursos de água, para melhorar as questões de enchente, de poder transportar essa água que nasce com segurança”, explica o professor. Entretanto, por conta das ocupações irregulares, as canalizações em galerias fechadas e as fortes chuvas que a cidade enfrenta, tal tipo de obra faz com que os rios transbordem.
“O Rio Pinheiro tem várias transbordações”, diz José, “inclusive nos sentidos dos rios, ele perde seu sentido de tão retificado que ele é, que ele mais se parece uma lagoa. Então isso muda a característica dele” reitera.
Poluição e medição de saúde
“A poluição dos rios existe desde que a cidade existe”, diz o docente. “Esses tem transformação desde a década de 1930, e principalmente na década de 1970. Mas o que é importante frisar que sobre a poluição dos rios, é a falta de tratamento de esgoto que os torna poluídos” completa.
Para monitorar a frágil saúde dos dois principais rios que o estado possuí, a Companhia Ambietal do Estado de São Paulo (Cetesb) e a organização sem fins lucrativos SOS Mata Atlântica, o Índice de Qualidade da Água (IQA). Obtido por meio da soma de parâmetros físicos, químicos e biológicos encontrados nas amostras de água. O índice começou a ser utilizado no Brasil, em 1974, pela Cetesb para avaliar a condição ambiental das águas doces no estado. Outros estados brasileiros adotaram o IQA e hoje é utilizado no país.
A classificação da qualidade da água, na escala do IQA que varia entre 0 a 100 sua classificação pode ser considerada entre ótima, boa, regular, ruim e péssima. Sendo boa classificada em 40 e em ruim em 20. A qualidade do rio Tietê, segundo o painel elaborado pelo Tribunal de Conta do Estado, na região metropolitana é de menos 20. Enquanto o Pinheiros tem várias classificações na qualidade de sua água, sendo também 20 principal registrada em boa parte de sua extensão.
“Com o recebimento de poluição, principalmente de esgoto sanitário, o rio não é mais rio, ele vira um esgoto a céu aberto”, explica José, “Então para melhorar a qualidade de água deles é importante realizar o tratamento da água do esgoto. O tratamento que eu falo é o avançado. No Brasil, nós temos três tipos de tratamentos: preliminar, primários e o secundário, e na Europa o pessoal faz mais o tratamento terciário. Aqui usamos os três primeiros, que lançam vários nutrientes, como fósforo e nitrogênio, e que vão poluir ainda mais os rios”, completa.
Recuperação e vida
Apesar dos poucos avanços, a mancha de poluição do Tietê vem diminuindo pouco a pouco, a cada ano. Em mais de 30 anos, de 530 km de poluição, hoje há mais de 122 km.
Desde o período também, o Estado criou o projeto Projeto Tietê que coleta e faz tratamento de esgoto para mais 11 milhões de pessoas na Grande São Paulo, um contingente de pessoas equivalente à população de um país como Portugal ou Suécia. O principal objetivo do projeto é trazer saúde e qualidade de vida à população local. A pretensão é que até 2028, o Tietê esteja próprio para navegação e que haja vida aquática. Até janeiro deste ano, todas as obras já gastaram R$ 1,73 bilhões.
Em 1998, surgiu também o projeto Novo Rio Pinheiros, que visa até 2022, fazer o mesmo que o projeto de despoluição do Tietê.
Para trazer a vida de volta aos rios da Região Metropolitana, o professor José destaca que será um trabalho árduo. Porém se seguido a classe Conama 357 – diretriz de 2005, que dispõem sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências – e que é classificada cinco classes.
“Para ter contato primário, para nadar o processo envolve um alta probabilidade de ingestão da agua, deve ser em classe 1 ou 2. O projeto que o governo quer trazer num futuro, é de classe 3, onde o rio já vai ter um oxigênio e poderá ter vida aquática, com alguns peixinhos. Isso pode ser possível para daqui a uns 5 anos. Para isso ser possível, temos de melhorar o tratamento de esgoto”, explica o professor.
Até agora somente os “ecoboats” – barcos coletores de resíduos flutuantes do rio – navegam o Pinheiros. De janeiro a setembro de 2019, foram recolhidas de suas águas 3.100 toneladas de lixo, a um custo de R$ 5,6 milhões.







