O primeiro dia de julgamento do casal Bruno Oliveira e Mayara Abrantes pelo Tribunal do Júri no Fórum de São Roque, terminou com o réu negando participação no crime da adolescente Vitória Gabrielly. Sua esposa permaneceu calada. Pais e imprensa acompanharam a sessão do lado de fora em decorrência da pandemia e restrições no local.
A sessão começou por volta das 10h desta segunda-feira (8), iniciando com o sorteio dos jurados que são quatro mulheres e três homens. Após as formalidades processuais, foram ouvidas, na sequência, as quatro testemunhas de acusação e as dez de defesa.
Por volta das 17h50, Oliveira foi interrogado negando com veemência sua participação no crime. Logo depois Mayara ficou muda e não respondeu as perguntas formuladas. Na terça-feira (9/11), a sessão está prevista para começar por volta das 9h com os debates entre a acusação (Ministério Público que é o autor da ação e o assistente de acusação, o advogado Roberto Guastelli) e a defesa dos réus.
O pai, Alberto Vaz, e a mãe, Rosana Guimarães, não puderam acompanhar o julgamento e ficaram do lado de fora aguardando que Justiça seja feita. Em uma rede social ela lamentou a não participação.
“Sem sono, pensando na vida, invadindo as madrugadas, e com uma certeza… a gente nunca vai entender. É impossível. Ligo minha TV e vejo um estádio lotado com mais de 40 mil pessoas assistindo a um jogo de futebol. Mas um pai, uma mãe, vítimas de um crime que chocou o Brasil e o mundo, não podem assistir ao julgamento de um caso onde se trata do assassinato de sua própria filha, por conta das restrições. Esse Brasil que não entendemos e não aceitamos é também o Brasil de um povo de fé. E mesmo com tantos motivos para nos derrubar, temos um Deus em quem confiar. A justiça do homem é falha, mas a de Deus é plena. Que Ele possa tomar a direção, iluminar os corações, para que nesta segunda feira, a partir das 09h da manhã, no Fórum de São Roque, possa haver justiça no julgamento do casal Bruno e Mayara, acusados do assassinato da minha filha, Vitória, quando tinha apenas 12 anos de idade”, desabafou Rosana.
O outro participante do crime, o servente de pedreiro Júlio Ergesse, foi condenado a 34 anos de prisão em 2019. A pena dele, no entanto, foi reduzida em quase 10 anos pela Justiça de São Paulo no ano passado. Os réus são julgados pelos crimes de sequestro, homicídio qualificado por motivo torpe, fútil, meio cruel, recurso que impediu a defesa da vítima e ocultação de cadáver.
Relembre o caso
Vitória foi vista pela última vez na rua Tocantins, no bairro Vila Nova, no dia 08/07/2018. De acordo com o boletim de ocorrência, a jovem saiu de casa às 13h30 para andar de patins em frente a um ginásio. As buscas começaram às 19h quando a mãe soube que a filha não estava na casa da tia. A Polícia Civil de Araçariguama encontrou o corpo da adolescente por volta das 13h de sábado (16/07/2018), na estrada da Aparecidinha, bairro Caxambu, em Araçariguama. O crime comoveu o País.







