giro

Caso Vitória: Defesa de Maicol pede habeas corpus e anulação da confissão de crime

Maicol que confessou ter assassinado a jovem Vitória Regina em Cajamar não deve participar da reconstituição (Reprodução/Redes sociais)

Defesa solicita habeas corpus e deve pedir anulação da confissão de suspeito de assassinar Vitória Regina na cidade de Cajamar

A defesa de Maicol Sales dos Santos, 27 anos, entrou com um pedido de habeas corpus na Justiça para que ele responda em liberdade pela morte de Vitória Regina de Souza, de 17 anos, encontrada em uma área de mata em Cajamar. Os advogados também devem solicitar a anulação da confissão do suspeito, alegando que ele sofreu pressão para confessar o crime.

No documento, os advogados alegam contradições nos depoimentos de outros investigados, incluindo o ex-namorado da vítima, Gustavo Vinícius. Segundo a defesa, ele afirmou que não via Vitória há meses, mas registros telefônicos indicariam sua presença próxima à jovem.

+SIGA os canais de notícias do GIRO no WhatsappTelegram e Linkedin

Os defensores também argumentam que Maicol se apresentou voluntariamente à delegacia e disponibilizou seu veículo para perícia em três ocasiões, o que, segundo eles, não foi levado em consideração pela polícia.

A defesa destaca ainda que o suspeito tem residência fixa, emprego e é réu primário. Além disso, afirma que não há relatos de ameaças feitas por ele e que sua inclusão como suspeito teria ocorrido com base em especulações após a repercussão do caso na mídia.

Maicol Sales dos Santos, de 27 anos, preso que confessou ter matado Vitória Regina de Souza, foi transferido, na tarde desta quarta-feira (19/3), para o Centro de Detenção Provisória II de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Anteriormente, ele estava detido na Delegacia Sede de Cajamar — que comanda a investigação.

Confissão do Crime

De acordo com a Polícia, em depoimento Maicol revelou que teve “um envolvimento” com Vitória há cerca de um ano e meio, descrevendo o relacionamento como “troca de carinhos”. Na época, ele já estava com sua atual esposa e, ao descobrir isso, Vitória teria começado a ameaçá-lo, afirmando que revelaria tudo à companheira do suspeito.

Segundo Maicol, a adolescente manteve essa postura ao longo do tempo, o que o preocupava, pois temia perder a esposa. Na noite de 26 de fevereiro, ele foi até um ponto de ônibus onde Vitória poderia descer, mas, ao não vê-la, decidiu ir embora. No entanto, por coincidência, os dois seguiram pelo mesmo caminho e acabaram se encontrando. O suspeito disse que chamou Vitória para conversar e ela aceitou, entrando no veículo.

Dentro do carro, Maicol teria pedido que a jovem não falasse com sua esposa, alegando que, na época do envolvimento, ele ainda estava no início do relacionamento e que as ameaças não faziam sentido. Segundo ele, Vitória reagiu de forma agressiva, arranhando seu pescoço e antebraço esquerdo. O suspeito afirma que, tomado pela raiva, pegou uma faca entre o banco e o apoio de braço e desferiu os golpes contra a jovem.

Após o ataque, Maicol disse ter entrado em estado de choque e dirigido até sua casa. Lá, colocou o corpo de Vitória no porta-malas do carro, pegou uma enxada e seguiu para a Estrada da Macumba, na região do trevo de Jundiaí.

No local, ele relatou ter despido parcialmente a jovem, deixando-a apenas de camiseta e sutiã, acreditando que isso aceleraria o processo de decomposição. Com a enxada, cavou um buraco raso e enterrou o corpo, cobrindo a cova com duas pedras grandes. Em seguida, voltou para casa, onde estacionou o carro do lado de fora e guardou as roupas da vítima na área externa. Depois, tomou banho e tentou dormir, mas afirmou não ter conseguido.

Dia após morte de Vitória

Na manhã seguinte, Maicol seguiu sua rotina normalmente: levantou-se às 7h e foi ao trabalho, retornando por volta das 17h. Ele aproveitou que tinha lixo para queimar e incinerou as roupas e o celular de Vitória. Sobre a faca usada no crime, afirmou tê-la descartado em um lago.

O suspeito garantiu que nunca retornou ao local onde enterrou Vitória e disse não saber como ou por quem o corpo foi desenterrado. Ele também afirmou que não percebeu manchas de sangue no carro, mas que lavou principalmente o porta-malas, por suspeitar que o forro tivesse absorvido sangue.

Ao tomar conhecimento da repercussão do caso na imprensa, Maicol disse ter ficado apreensivo, mas tentou agir naturalmente. Quando soube da descoberta do corpo de Edna em uma cachoeira em Morungaba, afirmou que não se preocupou, pois acreditava que fosse um caso sem relação com o seu. Mais tarde, porém, descobriu que se tratava de Vitória.

_

Jornalismo regional de qualidade

Há mais de 17 anos, o GIRO noticia os acontecimentos mais importantes nos seguintes municípios: Araçariguama, Barueri, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba, São Roque e Vargem Grande Paulista. Agora, juntam-se a eles, as cidades de Jundiaí, São Paulo e Taboão da Serra.

Siga o perfil do jornal no Instagram e acompanhe outros conteúdos.