“Mente e Coração” é o tema da CASACOR São Paulo 2026, que propõe uma experiência voltada à conexão com a natureza, ao bem-estar e às relações humanas. A mostra convida o público a percorrer ambientes que integram arquitetura, paisagismo, design e cultura em uma jornada marcada pela sensibilidade e pela afetividade. Mais do que apresentar tendências, a edição deste ano busca estimular a desaceleração e a reconexão com aquilo que é verdadeiramente essencial no cotidiano.
Em sua segunda passagem pelo Parque da Água Branca, o evento é mais do que uma mostra de arquitetura, se consolidando também pela ocupação temporária de edifícios históricos e espaços pouco acessados da cidade, promovendo requalificação urbana, novos usos e reconexão do público com patrimônios arquitetônicos e culturais.
Ao todo são 70 ambientes, entre casas, espaços de debate e áreas de estar, jardins, praças, instalações artísticas, escadarias, estúdios, lofts e tiny houses, ocupando uma área construída de mais de 10 mil m² no coração de um parque urbano com vegetação preservada.
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CASACOR 2026: 70 ambientes
Em meio à presença cada vez mais acelerada da inteligência artificial no cotidiano e aos efeitos provocados pelo excesso de informações, esta edição da CASACOR propõe um convite aos sentidos: uma pausa. O tema revela a força de outras inteligências — orgânica, psíquica, ancestral — como caminhos para nos religarmos a nós mesmos, aos outros e ao espaço que habitamos.
Confira alguns dos profissionais e ambientes da CASACOR:
Conhecer Para Preservar – a praça-jardim, de 275 m², da Pam Faccin, de Santana de Parnaíba, tensiona uma das questões centrais do patrimônio: como preservar um parque que, ao longo do tempo, também incorporou espécies exóticas? A paisagista responde com uma investigação do bioma original do território, utilizando exclusivamente espécies da Mata Atlântica e tratando o paisagismo como uma forma de escuta e reconhecimento do lugar. “A experiência busca despertar o entendimento sobre o bioma. Depois, vem a conexão emocional com ele”, diz a paisagista Pam Faccin.
O piso drenante hexagonal, colocado sobre uma camada de brita, cria um mosaico no caminho, repleto de vegetação nativa. Seguindo diretrizes do Parque, as espécies estão em vasos – muitas vezes imperceptíveis porque cada planta cobre o cachepô da anterior ou por causa da forração com casca de pínus. Com imagens da flora e avifauna brasileiras, o painel Túnel da Biodiversidade reitera a dimensão educativa.

Spa Raízes – Na CASACOR 2026, o banheiro de 60 m² do arquiteto Marcos Serrano Miralles, de Alphaville, Barueri, deixa de ser tratado como área de passagem para assumir o papel de refúgio, onde o ritual do banho conduz o visitante a uma relação mais lenta com o próprio corpo e com o tempo. Em meio ao ritmo acelerado da vida urbana, Marcos propõe um ambiente de recolhimento, inspirado na força simbólica das raízes. A raiz aparece como imagem de origem e sustentação, mas ganha forma na materialidade do espaço, da paginação do piso à luz filtrada pelo forro. As obras de arte ampliam essa leitura ao longo do percurso.
“O Spa Raízes nasceu como um convite à pausa. Eu queria criar um ambiente em que o cuidado cotidiano saísse do automático e ganhasse presença. A raiz aparece como metáfora daquilo que nos sustenta em silêncio, da memória que atravessa o tempo e segue conduzindo nossa forma de viver”, afirma Marcos Serrano Miralles.
A base neutra vem carregada de texturas, tais como o linho rústico do enxoval, a nogueira thar aplicada em portas e gabinetes e o travertino em cacos nos pisos e paredes. Já o forro emprega lâminas acústicas fabricadas com garrafas pet recicladas.

Living Ritmo Vital – A Maai Arquitetura Integrada, formada pelos arquitetos Mônica Pinto, Arnaldo Pinho e Isabel Veiga, faz um convite à reconexão, física e emocional, de valores e sentidos. O projeto é inspirado nas ancestralidades indígenas, que compreendem a natureza como um organismo vivo, interligado e em permanente transformação. Alinhado ao tema proposto pelo evento nesta edição, “Mente e Coração”, o espaço apresenta um conceito de lar como um santuário.
Com 83 m2, o espaço integra living, bar e lavabo em um percurso sensorial pensado em camadas. As cabines dos banheiros têm vidro comutável PDLC, que altera entre o transparente e o leitoso, garantindo privacidade ao fechar a porta.

Apartamento Deca – o ambiente tem 280 m² e é assinado por Dado Castello Branco e Guilherme Castello Branco. Inspirado no tema “Mente e Coração”, o projeto reúne referências da arquitetura europeia, arte, design e soluções integradas ao cotidiano em uma composição que equilibra memória e atualidade.
“Nossa intenção foi criar um apartamento com alma contemporânea, onde a arquitetura existente permanece presente, mas divide protagonismo com a arte, o mobiliário e os objetos que dão personalidade aos espaços. É um ambiente pensado para ser vivido, recebido e construído ao longo do tempo, sem excessos, mas com profundidade”, comentam os arquitetos.
O percurso atravessa hall de entrada, lavabo, living, cozinha, suíte master com sala de banho e varanda com paisagismo assinado por Daniel Nunes.

Co-Living Chiquitano – o ambiente de 32 m², do arquiteto boliviano Eduardo Baldelomar, foi concebido como uma travessia afetiva pela cultura da Chiquitania, região do leste boliviano, marcada pelo encontro entre os povos originários e a influência das missõs jesuítas. “Cada viagem foi de grande aprendizado e tive a oportunidade de conversar com líderes indígenas e os próprios artesãos”, relata o arquiteto.
A presença intensa da madeira estabelece uma atmosfera calorosa. A copa retrata a culinária local, enquanto os elementos dispostos acima do sofá refletem a mística do povo chiquitano. Para complementar, a parede oposta, com o oratório, designa a religiosidade inserida pelos jesuítas, além de desenhos e fotografias que apresentam a restauração das Igrejas Imaculada da Concepcion e San Jose de Chiquitos.
O arquiteto trouxe ainda um violino original atingido por um incêndio na regia o chiquitana. Ainda marcado pelas manchas escuras deixadas pelo fogo que acometeu a vila, que compõe a região Amazônica, o instrumento carrega gravada na madeira uma legislação de combate a s queimadas, tornando-se símbolo da resistência cultural e ambiental da região.

Casa da Marcenaria Brasileira – o arquiteto João Panaggio traz um ambiente de 250 m², desenvolvido em parceria com a Duratex. O percurso começa em um corredor estreito, onde o visitante é conduzido a se “aprofundar” no espaço. A madeira surge como presença primordial, matéria inicial que carrega marcas do tempo e do processo da construção manual. A partir dessa fissura, o espaço se abre em um ambiente iluminado, território dedicado ao ato de criar.
Ao fundo, uma grande estante modular ocupa toda a altura do pé-direito e organiza o cômodo a partir da repetição e da lógica dos encaixes. Em contraste com essa linearidade, a escada helicoidal altera o ritmo da circulação.
No mezanino, o trajeto desacelera, e é um momento para observar. Neste ponto, o visitante compreende a estrutura geral do espaço, percebendo os detalhes construtivos e reconhece a delicadeza presente nos encaixes, cortes e proporções que organizam o ambiente.

Cozinha Brastemp – Um lugar de Transformação – o espaço da arquiteta Beatriz Quinelato, em sua quinta participação na CASACOR São Paulo, evoca que a cozinha é feita para ser vivida, no gesto que se repete, na pausa do preparo, onde a tecnologia traz precisão e arquitetura devolve calma.
Com 72 m², o projeto foi desenhado para ser uma cozinha viva e funcional, preparada para receber visitantes, workshops e experimentos. Na ilha central organiza-se um espaço de preparação, enquanto copa e bar se conectam naturalmente. O espaço convida os visitantes a explorarem novas possibilidades de convivência e uso da cozinha, unindo acolhimento, tecnologia e praticidade em uma experiência imersiva, onde o visitante é provocado a descobrir outro mundo para transformar o seu.
A combinação entre verde e marsala define a atmosfera, onde o mármore Verde Pantanal, da Granos Mármores, aparece nas bancadas e na ilha, trazendo presença e textura. Ao longo das janelas, o paisagismo de Renata Florence aproxima o natural do interior e acompanha toda a extensão da cozinha.

Loft Carmin – Intenso, afetivo e sofisticado, este ambiente, assinado pelo escritório PN+ | Paula Neder para a CASACOR São Paulo 2026, traduz um morar sensível e cheio de personalidade. Com 84 m² divididos entre sala, cozinha, quarto, banheiro e área de ginástica, o ambiente foi concebido para uma mulher que expressa memórias, origens e emoções na maneira de viver.
A inspiração parte de elementos da tradição francesa, presentes nas boiseries e molduras reinterpretadas de maneira contemporânea e leve. A paleta predominantemente clara ganha contraste com elementos em preto e branco aplicados em tecidos, revestimentos, quadros e objetos decorativos, criando um ritmo visual sofisticado e equilibrado. Já o carmim aparece em detalhes como tapetes, obras de arte, banquetas, cadeiras e luminárias.
A sustentabilidade orienta diversas escolhas do projeto, como a preservação do piso original de taco, a ausência de forro de gesso para reduzir resíduos e o aproveitamento abundante da luz natural proporcionada pelas grandes janelas existentes. O uso de peças em madeira de demolição, pedra industrializada e obras produzidas a partir de resíduos têxteis reforça o compromisso ambiental.

Serviço
CASACOR 2026
Data: até 9 de agosto
Horário: terça a domingo, incluindo feriados, das 11h às 22h
Local: Parque da Água Branca – rua Dona Ana Pimentel, 37. Entrada permitida até 20h. Bilheteria presencial e acesso à mostra até 20h15. Em dias de jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, os horários poderão sofrer alterações.
Ingressos: adquiridos pela bilheteria online (clique aqui), pelo aplicativo oficial da CASACOR, disponível para Android e iOS, ou presencialmente na mostra. Crianças de até 10 anos não pagam mediante apresentação de documento comprobatório. Menores de 14 anos devem estar acompanhados por um responsável. Estudantes, idosos, professores e pessoas com deficiência têm direito à meia-entrada mediante comprovação.
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