Na região metropolitana oeste da Grande São Paulo, os municípios de Barueri, Santana de Parnaíba e Osasco foram os que obtiveram o melhor desempenho no Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades: 176°, 201° e 446° lugares, respectivamente. Vale lembrar que o Brasil possui 5.570 municípios. Como o Giro S/A divulgou, o índice é uma iniciativa do Instituto Cidades Sustentáveis e foi apresentado na sexta-feira (8).
O índice considera 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) , da Organizações das Nações Unidas (ONU), além de 169 indicadores. “O índice é uma oportunidade para que gestões possam ver onde é preciso melhorar e estabelecer metas. Boas práticas, cooperações regionais e apoios estadual e federal colaboram com a superação dos desafios”, afirma Igor Pantoja, assessor de coordenação do Instituto Cidades Sustentáveis.
As três cidades obtiveram ODS atingidos parecidos, em “Indústria, Inovação e Infraestrutura” e “Energias Renováveis e Acessíveis”. Já Barueri e Santana de Parnaíba conseguiram esse resultado também em “Parceria para a Implementação dos Objetivos”. No indicador “Investimento público”, por exemplo, as três se destacaram positivamente.
Pantoja destaca que em Barueri, Osasco e Santana de Parnaíba, há poucas pessoas com renda muito baixa, de até 1.4 do salário mínimo. “Mas, acredito, ser uma característica da região”, diz ele.
O ODS também foi atingido em Energias Renováveis e Acessíveis, que considera os índices Domicílios com acesso à energia elétrica e Vulnerabilidade Energética. No primeiro índice, o valor para considerar que o objetivo foi atingido é 99. Barueri obteve 99,97.
O assessor de coordenação do Instituto Cidades Sustentáveis também ressalta que municípios metropolitanos do estado de São Paulo costumam ter o básico em infraestrutura, como serviço de água e atendimento por esgoto, entre outros. “Isso tudo, na verdade, é básico da região sudeste. A situação fica mais grave em pequenos municípios das regiões Norte e Nordeste”, afirma Pantoja.
Os três primeiros lugares ficaram com as cidades de São Caetano do Sul, Jundiaí e Valinhos, todas localizadas no estado de São Paulo. Confira o desempenho de Barueri, Santana de Parnaíba e Osasco no mapa de desempenho.
Barueri
Pontuação geral: 59,1, de 100.
Barueri destacou-se em investimento público em infraestrutura. “Ou seja, a cidade pega uma parte relevante do PIB principal e investe em melhoria da infraestrutura. Fator importante já que Barueri possui um polo empresarial. Percentual sai de um valor de referência em torno de 600 mil para 1 milhão e 200 no ano de 2019. Em 4 anos, 2015 a 2019, dobra esse valor”, explica Pantoja.
“Os investimentos em infraestrutura sempre trazem resultados muito importantes que atingem vários setores. Além de fatores como segurança, fluidez, conforto, acessibilidade, ampliação de serviços, entre outros, impactam diretamente no desenvolvimento da cidade, já que atraem novos investidores, empresas etc., gerando mais empregos e oportunidades para os moradores, que cresce economicamente. Isso gera uma cadeia de benefícios para todo mundo”, afirma o prefeito Rubens Furlan.
O município obteve também ótimo resultado em “Participação dos empregos em atividades intensivas em conhecimento e tecnologia. “Uma série de empresas de tecnologia e startups se instalaram em Barueri nos últimos anos. Com isso, chegam empregos com alto nível de formação”, diz o assessor do Instituto Cidades Sustentáveis.
Destaque ainda para o item “Receitas arrecadas”. O valor das receitas arrecadadas diretamente pelo município é bastante elevado – quase 50% – em relação ao total de receitas advindas de transferências estaduais e federais. “Com emprego de qualidade, investimento em infraestrutura e elevada arrecadação municipal, caminha-se para uma política redonda”, afirma o especialista.
Na área da Educação, Barueri obteve ótimos resultados nos itens relacionados à Prova Brasil, avaliação censitária que envolve os alunos do 5º e 9º anos do ensino fundamental das escolas públicas das redes municipais, estaduais e federal, com o objetivo de avaliar a qualidade do ensino ministrado nas escolas públicas. Mas há desafios na razão entre o número de alunos e professores na pré-escola e no ensino fundamental. “As turmas de alunos podiam ser menores”, afirma ele.
NA ODS “Igualdade de Gênero”, que inclui cinco indicadores, há grandes desafios no número de vereadoras na cidade, na taxa de feminicídio e na desigualdade de salário por sexo. Em 2020, o último dado, 19% dos vereadores eram mulheres. O número subiu; em 2012 eram 4% e em 2016 não havia parlamentares femininas. Mas como 50% da população é de mulheres, os números podem melhorar.
No setor da saúde, o estudo mostrou que há desafios na saúde preventiva no SUS em Barueri, na atenção básica aos munícipes, e em relação às Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Segundo o prefeito Rubens Furlan, nos últimos anos a saúde de Barueri deu um grande salto de qualidade e isso deve aparecer nas próximas métricas com mais clareza. “Realizamos muitos investimentos vêm sendo feitos nesse setor, como contratação de profissionais e especialistas na área médica, reforma das unidades de saúde já existentes, construção de novas unidades de saúde, ampliação de serviços, desburocratização de serviços com a criação de vários recursos tecnológicos, maior oferta de exames tanto laboratoriais quanto de imagem, oferta de equipamentos de saúde de última geração, construção de prontos-socorros (são sete na cidade) também equipados com o que há de mais moderno, etc”, garante o gestor.
Santana de Parnaíba
Pontuação geral: 58,7, de 100.
No indicador “Investimento público”, o município obteve valor 1426,48. O valor para considerar que o objetivo foi atingido é 563.26. Já no indicador “Participação dos empregos em atividades intensivas em conhecimento e tecnologia”, a nota foi de 36,10. O valor referência é 14.3.
Nos indicadores “Pessoas com renda de até 1/4 do salário mínimo”, “Acesso à internet nas escolas do ensino fundamental” e “Participação dos empregos em atividades intensivas em conhecimento e tecnologia”, por exemplo, o ODS também foi atingido.
No setor da saúde, no indicador “Gravidez na adolescência”, Santana de Parnaíba possui ótimo desempenho, apesar do indicador ter caído um pouco de 2018 para 2019 (último ano registrado). Mas há uma desigualdade a ser notada. “A chance de gravidez na adolescência de uma jovem negra é o dobro de uma jovem branca”, explica Pantoja.
Um dos grandes desafios do município é a questão do esgoto tratado, de apenas 9%. “Mas o problema não se restringe à Santana de Parnaíba, mas também à toda a região”, destaca Pantoja.
Outro desafio é o tempo de deslocamento que a população de baixa renda demora para chegar ao trabalho. “O indicador mostra que 20% das pessoas de baixa renda levam mais de uma hora até o local de trabalho”, afirma.
Osasco
Pontuação geral: 56,4, de 100.
Osasco obteve ODS atingido em dois itens: Energias Renováveis e Acessíveis e Indústria, Inovação e Infraestrutura. Em Domicílios com acesso à energia elétrica, o valor atingido foi de 99,95. O valor para considerar é 99.
Nos indicadores “Grau de maturidade dos instrumentos de financiamento da proteção ambiental”, “Violência contra a população LGBTQI+” e “Total de receitas arrecadadas”, por exemplo, o ODS também foi atingido.
No segmento de saúde, a cidade tem índices atingidos em “Cobertura de vacinas”, “Gravidez na adolescência”. “Porém aqui também é necessário dar mais atenção à saúde básica”, acrescenta o coordenador.
O esgoto tratado, por exemplo, atinge 24,8%, maior que outras cidades da região. Em investimento público, há desafios, com o aporte tendo diminuído em 2020.
Segundo Pantoja, há grandes desafios em “Percentual da população de baixa renda com tempo de deslocamento ao trabalho superior a uma hora”. “O número de domicílios em favelas é outro item que merece grande atenção”, acrescenta.
Índice
O Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR) é uma iniciativa do Instituto Cidades Sustentáveis, no âmbito do Programa Cidades Sustentáveis, em parceria com o Sustainable Development Solutions Network (SDSN), apoio do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e financiamento do Projeto CITinova.
As 17 ODS e 169 metas (indicadores) fazem parte da Agenda 2030. Aprovada em 2015 na Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Agenda 2030 foi assinada por 193 países, incluindo o Brasil, e tem como objetivo o enfrentamento da fome e da pobreza no mundo. E o ano de 2030 é o prazo para que a humanidade alcance os compromissos assumidos.
Alguns dados são referentes a 2020 e até ao Censo de 2010.
Confira o índice completo em https://idsc.cidadessustentaveis.org.br/.
Confira a colocação dos 12 municípios da região que integram um consórcio:
Barueri – 176
Santana de Parnaíba – 201
Osasco – 446
Cotia – 541
Vargem Grande Paulista – 533
Cajamar – 919
São Roque – 960
Itapevi – 1.283
Jandira – 1.447
Carapicuíba – 1.729
Araçariguama – 2.275
Pirapora do Bom Jesus – 3.102









