Aneel recomenda fim do contrato da Enel em São Paulo após falhas no serviço

Decisão unânime da Aneel abre processo de caducidade; Enel terá 30 dias para apresentar defesa antes de análise final do governo federal
Enel tem 30 dias para apresentar sua defesa (Divulgação)

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica decidiu, por unanimidade, recomendar o fim do contrato de concessão da Enel em São Paulo. A medida foi tomada em reunião realizada nesta terça-feira (7) e ocorre após uma série de falhas na prestação do serviço de distribuição de energia elétrica.

Com a decisão, foi instaurado um processo administrativo de caducidade. A concessionária terá prazo de 30 dias para apresentar defesa. Após essa etapa, caberá à agência avaliar os argumentos e, se considerados insuficientes, encaminhar a recomendação de rescisão ao Ministério de Minas e Energia, responsável pela decisão final.

Entre os fatores considerados pela Aneel está o apagão ocorrido em dezembro de 2025, que atingiu cerca de 4,2 milhões de clientes. O episódio foi apontado como determinante para a abertura do processo.

O diretor da agência, Gentil Nogueira, relator do caso, afirmou que há elementos suficientes para a medida, citando o histórico de desempenho da concessionária e a resposta aos mecanismos regulatórios.

Além disso, a recomendação foi influenciada pela pressão de autoridades municipais, estaduais e federais pela revisão do contrato.

Aneel: próximos passos

Caso o Ministério de Minas e Energia acolha a recomendação, o governo federal poderá decretar o encerramento da concessão e definir um novo operador para o serviço. O processo pode envolver medidas como intervenção temporária, indicação de uma empresa provisória ou abertura de nova licitação.

A Aneel destacou que não tem competência para rescindir diretamente o contrato, sendo responsável apenas por conduzir o processo e encaminhar a recomendação ao governo federal.

Posição da empresa da Enel

Em nota, a Enel afirmou que o processo ainda está em fase inicial e que a abertura do procedimento não implica decisão definitiva.

Segundo a empresa, “quando concluídas todas as etapas de avaliação da agência, o processo poderá ser arquivado ou encaminhado ao poder concedente”.

A concessionária também declarou que continuará apresentando argumentos técnicos e legais para demonstrar o cumprimento das obrigações contratuais e dos indicadores estabelecidos, além de reforçar a confiança nos fundamentos de sua operação no país.

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