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Alphaville: médico citou disputa por contratos antes de duplo assassinato

Carlos Alberto foi preso em flagrante pelo homicídio dos médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes e Vinicius dos Santos Oliveira em Alphaville; veja mais
Bolsa onde estava a arma de fogo uado por médico em dupla assassinato em Alphaville, Barueri (Arquivo Pessoal/Reprodução)

O médico Carlos Alberto Azevedo Filho, de 44 anos, preso após duplo assassinato no bairro de Alphaville, na cidade de Barueri, chegou armado ao restaurante e relatou briga por contratos. No momento do ataque, ele foi até onde a bolsa estava, pegou a arma e efetuou os disparos. As informações foram divulgadas pelo portal “G1”, nesta quarta-feira (21).

Carlos Alberto foi preso em flagrante pelo homicídio dos também médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35. Ele foi detido na noite de sexta-feira (16) e teve a prisão convertida em preventiva após passar por audiência de custódia. O acusado também já havia sido preso no ano passado pelos crimes de racismo e agressão em Aracaju, Sergipe.

De acordo com o delegado Andreas Schiffmann, Carlos Alberto prestou depoimento na tarde de terça (20), onde admitiu que a discussão com a vítima Luís Roberto ocorreu por causa de contratos na área da saúde. Os dois mantinham empresas no setor de gestão hospitalar e se tornaram concorrentes. Já em relação a Vinicius, ele disse que não o conhecia.

Ainda conforme o delegado, o médico relatou que estava a caminho do banheiro quando percebeu que Roberto estava sentado em uma mesa e decidiu se aproximar. Ele afirmou que apenas encontrava a vítima ocasionalmente, pelo fato de ambos morarem em Alphaville.

O indivíduo contou que, ao chegar perto da mesa, Roberto teria falado para que ele parasse de atrapalhá-lo com os seus contratos. Teria citado São Bernardo do Campo e pedido que ele “deixasse o contrato de lado”.

Ainda segundo o depoimento, Roberto teria dito para Carlos Alberto “ficar esperto”, momento em que ocorreu um tapa, dando início à briga. A confusão foi contida, e o depoente afirmou que retornou ao local onde estava antes.

Pouco depois, a Guarda Civil Municipal (GCM) chegou ao restaurante em Alphaville, e, segundo ele, a situação aparentava estar controlada. No entanto, ao ver Roberto e Vinicius saindo do local, acompanhados de outras duas ou três pessoas, Carlos Alberto disse que acreditou serem seguranças de Roberto e que eles iriam em sua direção.

Carlos Alberto relatou que nesse momento pegou a bolsa, que estava no ombro da mulher que o acompanhava, e foi atrás dos dois homens, efetuando os disparos que resultaram na morte de Roberto e Vinicius.

Segundo o delegado, o médico contou que trabalhou na empresa de Luís Roberto, em Osasco, entre os anos de 2019 e 2020, no Hospital Municipal Antônio Giglio.

Em nota divulgada pelo G1, a defesa de Carlos Alberto disse que “está em fase de formalização da equipe técnica responsável pela análise minuciosa dos fatos relacionados ao caso”.

“Qualquer manifestação pública será realizada somente após a conclusão dessa etapa, a fim de garantir um posicionamento responsável, técnico e em estrita observância aos trâmites legais. No momento oportuno, a defesa se manifestará pelos canais institucionais adequados”, afirmou o advogado Antônio Carlos de Faria Júnior.

Outros depoimentos

Ainda nesta terça, o delegado ouviu a mulher que acompanhava Carlos Alberto no restaurante em Alphaville. Ela não teve sua identidade revelada e afirmou que não sabia que ele estava armado. Disse também que, após a confusão, sua intenção era apenas ir embora do local, motivo pelo qual pegou as bolsas dos dois.

Segundo a declaração, quando o médico pegou a bolsa que estava no ombro dela, ela imaginou que ele fosse apenas sair do estabelecimento, mas ouviu os disparos na sequência e entrou em estado de choque, afirmando que jamais imaginaria que ele estivesse armado.

Como ocorreu o crime em Alphaville

Crime ocorreu na noite de sexta (16) em Alphaville (Reprodução/Redes Sociais)

Uma discussão entre clientes terminou em duplo homicídio na noite desta sexta-feira (16), em frente ao restaurante El Uruguayo, no bairro 18 do Forte Empresarial, em Alphaville, na cidade de Barueri. Dois homens foram mortos a tiros após uma briga que começou no interior do estabelecimento e se estendeu para a via pública.

De acordo com informações da Polícia Civil, o incidente envolve três médicos e uma mulher, que estavam no restaurante em Alphaville, desde o início da noite tratando de negócios. Em determinado momento, houve um desentendimento, que evoluiu para agressões. A Guarda Civil Municipal (GCM) foi acionada após a informação de que um dos envolvidos estaria armado.

Os agentes realizaram uma averiguação no interior do restaurante, mas nenhuma arma foi localizada. Pouco tempo depois, os envolvidos deixaram o local. Já do lado de fora, a discussão continuou e terminou de forma violenta.

De acordo com o boletim de ocorrência, Carlos Alberto Azevedo Silva Filho sacou uma arma e efetuou diversos disparos contra Vinícius dos Santos Oliveira e Luis Roberto Pellegrini Gomes. As vítimas foram socorridas por equipes de resgate, mas não resistiram aos ferimentos.

Vinícius foi atingido por dois tiros, no abdômen e nas costas, e encaminhado ao Pronto-Socorro do Parque Imperial, onde não resistiu e morreu. Já Luis Roberto foi alvejado por oito disparos em várias partes do corpo e levado ao Pronto-Socorro SAMEB Central, também evoluindo a óbito.

A equipe da viatura GCM 211, composta pelos agentes Lúcio e Flávio Marcos, deu voz de prisão ao autor dos disparos logo após o crime em Alphaville. Ele se entregou sem resistência e foi conduzido ao Distrito Policial Central de Barueri. O delegado de plantão registrou o caso como homicídio e ratificou a prisão em flagrante. O indiciado permanece à disposição da Justiça.

A Polícia Civil apura a hipótese de que a arma utilizada no crime estivesse escondida na bolsa da mulher que acompanhava o autor. Consta ainda que Carlos Alberto possui antecedentes criminais no Nordeste por crime de racismo e agressão contra uma mulher em um motel.

Testemunha aponta falha na contenção

Uma testemunha que presenciou os fatos e pediu para não ser identificada afirmou que a confusão começou em uma mesa próxima e foi acompanhada por diversos clientes. Segundo a testemunha, uma das vítimas tentou intervir para defender um amigo durante a briga, o que teria motivado a reação armada do autor.

“A briga começou dentro do restaurante. Todo mundo sabia que ele estava armado. Os GCMs entraram, mas não afastaram a bolsa dele. Após alguns minutos, ele voltou correndo, abriu a bolsa do meu lado, carregou a arma e atirou várias vezes. Foi pânico total. Essa tragédia poderia ter sido evitada”, relatou.

*com informações do portal de notícias G1

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