União pediu fechamento da ponte antes da tragédia que matou jovem de Jandira

Pedido para impedir acesso à estrutura foi feito à Prefeitura de Limeira após acidente com ciclista em 2024; Maria Eduarda, de 21 anos, morreu durante salto de rope jump sem corda de segurança
A moradora de Jandira, Maria Eduarda, de 21 anos, morreu durante salto de rope jump em Limeira (Reprodução/Redes sociais)

A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante a prática de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no último sábado (13), trouxe à tona discussões sobre a segurança e o acesso à estrutura. A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) informou que já havia solicitado o bloqueio do local à Prefeitura de Limeira após outro acidente fatal registrado em 2024. A informação foi divulgada pelo Portal Metrópoles.

Segundo a SPU, o pedido foi encaminhado ainda durante a gestão do ex-prefeito Mario Botion (PSD), após a morte da ciclista Kelly Stefani de Oliveira Alves, de 39 anos. Na ocasião, a vítima caiu da ponte enquanto pedalava pelo local com amigos e familiares.

Após a morte de Maria Eduarda, a Prefeitura de Limeira divulgou nota afirmando que pretende acionar judicialmente o governo federal. A administração municipal argumenta que a responsabilidade pela fiscalização, manutenção e controle de acesso à área é da União e acusa os órgãos federais de omissão quanto às condições de segurança da ponte.

No entanto, a SPU afirma que, desde 2024, vinha solicitando apoio do município para restringir o acesso à estrutura. De acordo com o órgão, a ponte chegou a permanecer bloqueada por alguns meses, mas posteriormente houve discussões sobre sua reabertura em reuniões realizadas na Câmara Municipal de Limeira.

Ponte em Limeira: reabertura foi debatida após morte de ciclista

A reabertura do acesso à Ponte do Esqueleto foi discutida em uma reunião da Comissão de Saúde, Lazer, Esporte e Turismo da Câmara de Limeira após o acidente que matou a ciclista Kelly Stefani. Durante os debates, parlamentares indicaram que a ponte poderia voltar a receber visitantes após a instalação de placas alertando sobre os riscos existentes no local.

Uma dessas sinalizações aparece em registros publicados por Maria Eduarda pouco antes do acidente. Em uma foto compartilhada nas redes sociais, é possível identificar uma placa com os dizeres: “Perigo: Risco de Morte”.

Horas antes da tragédia, a jovem também publicou uma imagem da Ponte do Esqueleto acompanhada da frase: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”.

Jovem de Jandira caiu de altura de 40 metros ao praticar rope jump

Maria Eduarda participava de uma atividade de rope jump quando foi lançada da ponte sem estar conectada ao sistema de segurança. Vídeos gravados no local mostram o momento em que três instrutores a levantam para o salto. A jovem caiu de uma altura aproximada de 40 metros e sofreu múltiplos traumatismos. Ela morreu ainda no local.

Segundo o boletim de ocorrência, Maria Eduarda utilizava uma câmera GoPro para registrar a atividade. O equipamento não foi encontrado após a queda. Um amigo que acompanhava o salto passou mal ao presenciar o acidente e precisou ser encaminhado para atendimento médico.

Polícia prendeu três instrutores

Os três instrutores que aparecem nas imagens foram presos em flagrante e responderão por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte.

A Justiça converteu as prisões em flagrante para preventiva, mantendo os investigados detidos durante o andamento das investigações.

O que diz a União

Em nota, a Secretaria do Patrimônio da União informou que a Ponte do Esqueleto integra um trecho ferroviário que nunca chegou a ser implantado pela extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e destacou que jamais autorizou a realização de atividades esportivas no local.

O órgão também afirmou que a incorporação definitiva da estrutura ao patrimônio da SPU foi concluída apenas em março de 2026, mas ressaltou que vinha solicitando medidas para impedir o acesso à ponte desde 2024.

A pasta defendeu uma ação conjunta entre União, municípios e demais órgãos públicos para impedir novas invasões e definir o futuro da estrutura.

Jandira: quem era Maria Eduarda?

Moradora de Jandira, na Região Metropolitana de São Paulo, Maria Eduarda Rodrigues de Freitas tinha 21 anos. Em suas redes sociais, informava possuir formação em Educação Física e Gestão Esportiva e compartilhava regularmente conteúdos relacionados a treinos e atividades físicas.

Ela trabalhava em uma academia da cidade, que publicou uma nota de pesar lamentando a morte da colaboradora.

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