Na onda da pandemia da covid-19, velhas doenças parecem perder a importância, mas é preciso cuidado. Esse é o caso do sarampo que, de acordo com dados do Ministério da Saúde ressurgiu no país em fevereiro de 2018, nos estados do Amazonas e Roraima. De lá para cá, a doença vem se espalhando de norte a sul, surfando nos “movimentos antivacina”.
De acordo com Cecília Buck, coordenadora do curso de Medicina no campus Piracicaba, da Universidade Anhembi Morumbi, os “movimentos antivacina”, importados da Europa e dos Estados Unidos contribuíram muito para a volta dos casos de sarampo no Brasil. Ela afirma que todas as notícias falsas espalhadas sobre a vacina ter mercúrio demais, ou provocar autismo, entre outros, mesmo sendo desmentidas por cientistas, induziram muitos ao erro de não mais vacinar seus filhos. “O sarampo voltou a matar crianças, adultos e idosos em nosso País”, constata.
A especialista explica que é necessário reforçar a importância da vacinação para que a maioria das pessoas fique livre de doenças como o sarampo, criando a tão falada imunidade de rebanho (forma de proteção que se obtém quando parte significativa de uma população fica imune a uma doença). “Ideal para crianças a partir de 1 ano de idade, a vacina pode (e deve) ser tomada por adultos de até 49 anos que não tenham sido vacinados. Até mesmo para aqueles que tenham essa idade e já foram vacinados uma ou duas vezes, a recomendação do Ministério da Saúde é revacinar com mais uma dose”, diz.
O que é o sarampo?
É uma doença causada por um vírus, que tem elevado poder de contágio. O sarampo é transmitido por contato direto com pessoas infectadas e pelo ar. Os principais sintomas são: febre alta, dor de cabeça, manchas vermelhas na pele (que surgem primeiro no rosto e se espalham pelo corpo), coriza, tosse e conjuntivite. Em alguns indivíduos, o quadro pode evoluir e causar pneumonia, encefalite e até levar ao óbito.
Como não existe remédio que cure o sarampo, o recomendado é a prevenção através de vacina conforme calendário:
Crianças (12 meses a 5 anos)
Uma dose aos 12 meses (tríplice viral: contra sarampo, rubéola e caxumba)
Reforço aos 15 meses (tetra viral: com as anteriores, mais a catapora)
Crianças e adultos
(5 a 29 anos de idade que ainda não se vacinaram)
Duas doses da tríplice,com intervalo de 30 dias
Adultos (de 30 até 49 anos)
Uma dose da tríplice
Casos de sarampo
De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2020 foram confirmados 8.419 casos de sarampo no País até meados de dezembro. Há, ainda, cerca de 371 casos sendo investigados. O Brasil teve cinco óbitos por sarampo em 2020, sendo três no Pará, um no Rio de Janeiro e um em São Paulo (na capital).
O estado de São Paulo totalizou ainda 864 diagnósticos. Na região oeste da Grande São Paulo, que inclui as cidades do Cioeste (Araçariguama, Barueri, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba e Vargem Grande Paulista). Osasco registrou quatro casos da doença no ano passado. Neste ano, apenas Itapevi está com um caso sob suspeita.







