Na noite de terça-feira (15), o prefeito reeleito de Itapevi, Igor Soares (Podemos), participou de uma entrevista exclusiva no estúdio GiroPlay, na sede do jornal Giro S/A, em Osasco. Na conversa, estiveram presentes a diretora de redação do Giro, Cláudia Azevedo, e o editor-chefe, João Felipe Cândido.
Essa entrevista faz parte de uma série que o GiroPlay promove com os prefeitos eleitos das 11 cidades da região oeste da Grande São Paulo que fazem parte do Cioeste. Já foram entrevistados Rogério Lins (Podemos), de Osasco; Dr. Sato (PSDB), de Jandira; Marcos Tonho (PSDB), de Santana de Parnaíba; Rogério Franco (PSD), de Cotia e Marcos Neves (PSDB), de Carapicuíba.
A seguir, confira os melhores momentos do encontro. O link da entrevista completa está no final da reportagem.
Igor, segundo o TSE, você foi o prefeito mais votado do Brasil nas eleições municipais de 2020, com 98% dos votos válidos. A que você atribui essa votação histórica?
Foi uma grande surpresa até para nós mesmos. Nós trabalhamos muito. O segredo de toda essa expressiva votação, sem sombra de dúvida, foi o trabalho. Mas eu tenho que expressar a gratidão à população de Itapevi, que pôde abraçar uma causa nobre, que foi de resgatar a autoestima da cidade. Nesses primeiros quatro anos, esse era o nosso maior desafio. Obras são importantes e trazem o desenvolvimento necessário ao município, mas mudar a vida das pessoas é muito mais importante. E esse foi o desafio: mudar a vida do cidadão de Itapevi e fazer com que ele tivesse orgulho de viver ali. A gente conseguiu. Esse resultado representa essa mudança que a cidade de Itapevi conseguiu nos quatro anos. E ninguém faz nada sozinho. Então, eu credencio todo esse sucesso ao povo, aos nossos secretários, aos nossos valorosos servidores da prefeitura e a toda a equipe, que se desdobrou, que trabalhou muito. Acordamos muito cedo, dormimos muito tarde, algumas noites não dormimos e conseguimos entregar o melhor à cidade. Eu sou muito grato ao povo que foi às urnas e me fez o prefeito mais votado da história da região oeste e também o mais votado do Brasil em 2020.
Como você recebeu essa notícia, de que era o mais votado do Brasil?
Foi uma surpresa muito grata e também uma responsabilidade muito grande. Nós temos agora que dar continuidade a todos os projetos e trabalhos que iniciamos nesses quatro anos. Estamos preparados para isso. Peço sabedoria a Deus e que ele possa me guiar e que o povo também possa continuar me ajudando para que a gente possa levar os melhores projetos para a cidade e fazer de Itapevi um destaque na região. Itapevi, que era outrora conhecida como uma cidade-dormitório, uma cidade que só era noticiada de forma negativa, não digo apenas na questão da violência, mas dados negativos, por exemplo: quando assumimos, a cidade tinha uma nota C no Ministério da Fazenda, éramos muito mal avaliados, nós tínhamos nota zero na Controladoria Geral da União. Itapevi era muito mal vista pelos órgãos legítimos de controle do nosso país. Então, foi um resgate total, não só da autoestima das pessoas, de ter obras de qualidade, de ter escolas de primeiro mundo, mas também de termos a cidade voltando a ser bem falada nas páginas da imprensa e muito mais do que isso: fazendo como que a cidade fosse bem vista, uma cidade que paga bem os fornecedores. Nós encontramos a cidade com R$ 50 mi em dívidas. Tivemos que fazer um pacto muito grande naquele primeiro momento de gestão, para que pudéssemos colocar a casa em ordem. Então, fizemos a reforma administrativa, ajustes que foram necessários para que toda a nossa ideia inicial pudesse ser colocada em prática, e acabou acontecendo.
Prefeito, o seu partido, o Podemos, obteve expressiva votação em todo o país, inclusive na região, elegendo 18 vereadores e dois prefeitos, você e o prefeito de Osasco, Rogério Lins. Em sua opinião, qual será o projeto do podemos na região?
Hoje, o projeto do Podemos é ser configurado como um dos maiores e melhores partidos do Brasil. Quando falo melhor, eu tenho legitimidade para falar: é porque temos eleito bons quadros no partido. Não basta eleger só números. A Renata Abreu é a nossa grande líder e devemos muito do crescimento do partido a ela, que realmente encampou um novo partido e conseguiu fazer do antigo PTN um partido novo não só no nome, mas também num projeto diferente, que é de um partido que se posiciona de forma moderna e inteligente, mas sobretudo, sem entrar em discussões que causem polêmicas e fazendo com que o país avance. O partido não se posiciona nem à direita, nem à esquerda. Ele se posiciona à frente, olhando para a frente, com novos projetos, e se unindo à direita e à esquerda, para que o país possa progredir. Então, o Podemos é um partido que realmente veio para fazer a diferença e está provando isso a cada eleição. Nesta eleição, elegemos 17 prefeitos aqui em São Paulo, incluindo Osasco e também Mogi das cruzes, São Vicente, sem contar com o número de vereadores que mais do que triplicamos. Devemos muito a nossa líder, mas sobretudo ao novo jeito de fazer política que o Podemos vem implementando nas cidades que governa.
Ainda sobre sua coligação, que conta com partidos dos dois extremos, desde a direita, como o PSL, até o PT, da esquerda. Qual será o papel desses aliados tão distintos em seu novo governo?
Quando falei do Podemos, e credencio seu crescimento a esse novo jeito de fazer política, que é respeitando o cidadão e as diferenças. Nós vivemos em um país democrático e precisamos ouvir a todos e chegar a um atendimento. Itapevi é uma prova do que o Podemos quer para o Brasil: conseguimos unir PSDB, PT, PSL em uma coligação ampla, porque conseguimos convencer e provar para grandes lideranças desses partidos, que as questões de Itapevi tinham um valor mais que as bandeiras partidárias, é claro que respeitando cada um o seu estatuto e suas e ideologias, mas colocando os interesses da população em primeiro plano. Nós conseguimos fazer isso em Itapevi. As pessoas diziam que era impossível, e nós provamos na prática que é possível quando se faz uma política para o bem das pessoas, uma política do bem e transparente, é possível sentar em uma mesa com antigos opositores e fazer composições políticas sadias. Não negociações, mas realmente, composições que possam trazer benefícios à população. Fizemos uma coisa muito harmônica, e é disse que o Brasil precisa para avançar. Chega de extremos, de Corinthians contra Palmeiras, vamos deixar isso para o esporte, porque a política é a forma de mudar a vida das pessoas, e a gente não pode ficar duelando. O projeto do Podemos é cada vez ampliar mais. Nós temos hoje uma bancada que é a terceira maior do Senado. Fizemos uma grande bancada de deputados federais. Existe sempre a troca de partidos, então a cada momento, temos um quadro diferente. O que nós desejamos é que o Podemos eleja, na próxima legislatura, na Câmara Federal, no mínimo 30 deputados, e aí ele vai se configurar com um dos três maiores partidos também na Câmara. Então, o Podemos passa a ser visto de outra forma pela sociedade e também ter representatividade nessas duas casas de uma forma mais plena.
Prefeito, o cientista político Marcos Agostinho, à frente do Instituto Mas, afirmou que você conseguiu estabelecer o padrão máximo de hegemonia política, ou seja, uniu as principais forças políticas da cidade em torno de sua candidatura. Um fato que chama a atenção, é que você também atraiu, inclusive, ex-adversários como a Dra. Ruth, Dalvani Caramez e até mesmo o vice-prefeito Teco. De que maneira foi possível articular essa proeza?
Não tem uma receita. É o desejo de servir, é estar desarmado para fazer política. É saber que estamos ocupando um cargo passageiro. Aquela coisa de política antiga, de criamos feudos, isso passou. Acredito que a política moderna requer troca, novas lideranças. Isso eu deixei muito claro para Itapevi. Acredito que na história de Itapevi eu tenha sido o único que não perseguiu, que abriu a porta para todos, que estendeu o tapete vermelho para todos, pois todos tiveram sua parcela de contribuição. A gente precisa respeitar a história de cada um e saber que cada um ajudou com um tijolinho. Precisamos ter esse respeito pelo passado, mas entender que o presente e futuro devem ser de outra forma. E é essa forma que conseguimos implementar em Itapevi e acredito que conseguimos fazer com eles entendessem esse novo momento da política e quem sabe a tenha plantado uma semente para poder prosperar e poder espalhar esse jeito do Podemos de governar e espalhar pelo estado de São Paulo e pelo Brasil. É esse o nosso desejo.
Qual será o orçamento de Itapevi para 2021?
Enviamos um orçamento de quase R$ 700 milhões, que condiz com o crescimento da cidade, populacional e orçamentário. Nosso desejo é entregar uma prefeitura que arrecada R$ 1 bi. Para isso, vamos fazer um grande estudo.
Qual é sua opinião sobre a evidente disputa política em torno da vacina contra o coronavírus? Como avalia a condução deste assunto, tanto na esfera federal quanto estadual?
João Doria e Jair Bolsonaro deveriam deixar de lado essas discussões e o uso da imprensa para mandar recado, e sentar em uma mesa de negociação para tratar essa questão de forma una. Nós temos que essa esperança chegue logo, que as pessoas que mais precisam possam tomar logo, mas com essa politização, temos medo que isso possa atrapalhar o início disso tudo. Tem países que já começaram a aplicação. A planta da Pfizer na América Latina fica em Itapevi. Eu fiz contato com o CEO da Pfizer, mas ela não vai negociar nem com prefeituras e nem com governos estaduais. Eles têm uma política mundial de só fazer tratativas comerciais com os governos federais. Então, a vacina da Pfizer vai ser tratada diretamente com o governo federal, e a gente tem acompanhado na imprensa que são R$ 70 milhões de doses para serem fechadas. E em São Paulo temos o Instituto Butantan, que é uma referência de vacina na história do país e no mundo, agora precisamos despolitizar isso e fazer um diálogo sem pensar em eleições futuras, sem pensar em ideologias, mas pensando no cidadão e pensando em salvar vidas. Eu tenho esse desejo de que eles possam se entender e nós, prefeitos, temos feito esse pedido. Itapevi já fez um ofício aos governos pedindo as orientações primárias de como será a aplicação, se já tem estudo e planejamento. Como prefeito, vamos ficar na torcida para que se entendam e a questão seja despolitizada e o povo ganhe com isso.
Diante da crise econômica causada pela pandemia, que já fechou muitas empresas e aumentou o desemprego, o senhor teme uma queda na arrecadação?
Todo prefeito teme isso. Hoje saiu a informação do IDH e o Brasil caiu. Nós temos dados econômicos sendo publicados que não são muito positivos. Eu achava que seria ainda até um pouco pior, mas as coisas não foram tão brutas. Mas acredito que esse reflexo de 2020 venha para 2021. A arrecadação das cidades via ICMS, o repasse que o governo federal faz dos impostos que são recolhidos, às vezes, a base de cálculo é do ano anterior. Então, nós ainda não temos, de fato, esse reflexo nos municípios. Teremos no ano de 2021. Receio que o impacto econômico seja um pouco pior para os municípios em 2021. Agora, em Itapevi, fazemos o que é possível, não estamos cruzando os braços. Na primeira semana de janeiro, vamos levar à Câmara Municipal um projeto para o comerciante, para poder ajudá-lo a parcelar todas as dívidas que ele tem com a prefeitura, e vamos tirar juros e multa, inclusive de dívidas contraídas antes da pandemia. Outro projeto que vamos mandar para a Câmara é o Comércio Legal. Hoje, o maior desafio das cidades é a concessão de alvarás de funcionamento, porque muitos prédios não têm habite-se. Vamos criar forma rápida de permitir que o pequeno comerciante legalize o imóvel dele e trabalhar com tranquilidade, sem a fiscalização ficar ali na porta querendo fechar o comércio dele. Vamos desburocratizar. Estamos fazendo estudo para isentar o comerciante de ter o habite-se. Ele vai poder ter o termo técnico, assinado pelo CREA, ou por arquitetos e engenheiros da cidade, que possam fazer um laudo técnico que vai dar a licença de forma provisória, e não trabalhando na ilegalidade como hoje tem milhares pelo Brasil a fora, e não porque querem, mas porque não conseguem tirar a documentação para funcionar. Paralelo a isso, vamos também fazer uma mesa de negociação com as grandes empregadoras do município, os empresários. Temos a Pfizer, a Eurofarma, a Cacau Show e outras, para que elas possam criar um pacto com a cidade e não demitir nesse momento nesse momento tão difícil, e para isso, ver como a cidade pode colaborar. Através da Lei Desenvolve Itapevi, que dá incentivo a empresas e comércios de grande porte, vamos pensar junto com as empresas, e sermos parceiro para que não precisem demitir. A cidade tem hoje grandes farmacêuticas. Nesse momento de crise, não só a procura de medicamentos ligados ao tratamento de covid, mas de todas as outras patologias, cresceu. Então, o faturamento dessas farmacêuticas tende a apresentar uma alta em 2020, que vai refletir em nossa receita em 2021. O e-commerce também tem crescido muito, então acreditamos que os grupos de indústrias que existem em Itapevi, ficaram atentos para poderem prosperar nesse momento de crise. Nós vamos ajudá-los no que for
Prefeito, para finalizarmos a nossa entrevista, gostaria de checar uma informação que circula nos bastidores da política. Há quem diga que você deve alçar novos voos em 2022. Os rumores dizem que você pode vir a ser candidato a deputado federal. O que há de verdade nisso?
É muito cedo. A votação que tivemos nos credenciou de fato a Itapevi ter um filho dela voando mais alto. O número que eu represento, através do voto, credencia a cidade, que tem uma importância. Meu projeto é me entregar como me entreguei nos quatro primeiros anos, sou apaixonado, e também tenho o projeto de ajuda ao partido. Estive com a Renata Abreu para estar junto a ela construindo um partido mais forte. Vou me dedicar de fato à minha cidade e ao Podemos, para crescermos em qualidade e quantidade. Agora, vocês receberão o Rubens Furlan amanhã. Podem dizer para ele que, para mim, não é especulação, é vontade: ele seria um grande governador do estado. Falo sempre para Renata Abreu, que Furlan precisava ouvir da nova geração da política que aprendemos muito com ele. Ele fez muito pela região e faria muito pelo estado. Fica aqui minha expressa vontade que o Furlan seja candidato e represente nosso povo. Ele é a maior liderança que a região oeste teve e que, com certeza, nos próximos 100 anos terá. Pessoas lembram de feitos recentes, mas quando Furlan idealizou isso tudo que aconteceu… Existiu uma política pública que permitiu que Alphaville acontecesse. Furlan tem participação direta no sucesso de Barueri. E fez com que toda a região ganhasse. Itapevi, hoje, tem condição de sair na revista Exame como uma das 100 melhores cidades para se investir por causa de Barueri. Fica aqui minha gratidão a esse grande líder que ainda tem trabalhado e feito grandes gestões, e causado esse reflexo na região.
O senhor tem divulgado nas redes sociais ações para minimizar os impactos de uma possível segunda onda da covid. Com qual tendência a prefeitura trabalha para as próximas semanas?
Infelizmente, nós, como gestores de uma cidade, precisamos trabalhar pensando no pior. A gente precisa preparar o campo para o pior e torcer pelo melhor. Temos feito isso em Itapevi. Não cruzamos os braços. Desde o início da pandemia, acredito que Itapevi saiu na frente em várias ações no combate ao coronavírus. Nós fomos a primeira cidade do Brasil a abrir um centro específico de triagem, um centro de combate ao coronavírus. Nós também fomos a primeira cidade da região que ao invés de abrir leitos em hospitais de campanha, nós fomos buscar o que há de melhor e bem mais barato. Fechamos uma parceria com um hospital privado, as pessoas tiveram leitos de UTI com toda a infraestrutura de hospital particular por um preço muito menor do que a média nacional dos hospitais de campanha. Pudemos provar, na prática, que é possível fazer mais com menos. Agora, estamos recebemos informações das autoridades, de que essa possível segunda onda possa ser ainda mais forte que a primeira, mas estamos nos preparando para ter um campo de atendimento para não falar respirados, para não faltar EPIs, para não faltar o básico para nossa população. Eu estava prestes a entregar o Centro de Transferência Hospitalar, um anexo do Pronto-Socorro municipal para as pessoas que precisam de uma vaga nos hospitais grandes, de alta complexidade, eles ficariam ali esperando a vaga ser liberada. Íamos entregar no começo do ano para a população, mas achamos por bem adaptá-lo com leitos, com respiradores e pronto para triagem e socorro rápido e imediato caso a segunda onda aconteça. Já publicamos também, no Diário Oficial da prefeitura, o credenciamento de hospitais particulares, para repetir o que foi feito na primeira vez. Especialistas dizem que as festas de fim de ano podem acarretar em alto índice de contágio. Eu faço um apelo a você, de Itapevi, para que a gente possa continuar se cuidando: use máscara, use álcool em gel. Prevenir ainda é o melhor remédio. Nós não temos ainda de uma forma rápida o início da aplicação da vacina, então temos que nos prevenir e nos cuidar. Vamos torcer e ter fé, que seja mais um susto que um fato concreto.










