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Manifesto Ambiental mostra preocupação com nova via de ligação entre Raposo e Régis

O trajeto da via ainda agride a APA Embu Verde e a Reserva Florestal do Morro Grande, interrompendo os corredores de fauna entre elas. (Reprodução)

Além do desmatamento, as alterações previstas na nova ligação Raposo-Régis afetariam cursos d´água e diversos corredores de fauna, com impactos ambientais devastadores para Cotia, Embu das Artes e Itapecerica da Serra

O projeto da Nova Raposo vem causando preocupação aos ambientalistas da região oeste. O SEAE – Sociedade Ecológica Amigos de Embu publicou esta semana, o “Manifesto Ambiental Embu Itapecerica contra a Nova Raposo”.

Segundo o Manifesto, o projeto não se limita apenas à rodovia Raposo Tavares, mas também traz mudanças enormes na rodovia Castelo Branco e Estrada da Roselândia.

Ligação Raposo-Régis

Um ponto em destaque no Manifesto seria uma outra ligação entre a Raposo Tavares e a Régis Bittencourt, alargando ruas já existentes e em alguns casos abrindo caminho em áreas de mata o que, segundo a entidade, além do desmatamento, afetaria cursos d´água e diversos corredores de fauna, com impactos ambientais devastadores para cidades como Cotia, Embu das Artes e Itapecerica da Serra.

“Diante disso, a SEAE se posiciona contra o projeto e, juntamente a Preservar Ambiental (de Itapecerica da Serra), apoia o movimento Nova Raposo Não (NRN) por meio de apoio técnico, jurídico e de comunicação – para que nossa região e nossa população sejam respeitadas e preservadas”, finaliza o Manifesto.

Leia o Manifesto na íntegra:

“O projeto da nova Raposo, ao contrário do que o nome sugere, não se resume apenas à rodovia Raposo Tavares. Ele traz mudanças enormes na Raposo, Castelo Branco, Estrada da Roselândia (SP-29) e ainda cria novas vias, como a que ligaria a Raposo à Regis Bitencourt. Essas alterações impactam mais de 11 municípios e afetam a vida de milhares de pessoas.

A nova via proposta entre Raposo e Regis aproveitaria parte do traçado de ruas já existentes e, em outras partes, abriria caminho por áreas de mata. O que hoje são ruas com cerca de 7 metros de largura (uma faixa para cada sentido) passariam a ter duas faixas para cada sentido – com canteiro central – chegando a mais de 25 metros de largura e com um alto fluxo de caminhões em alta velocidade.

Os impactos ambientais desse trecho seriam devastadores para cidades como Cotia, Embu das Artes e Itapecerica da Serra, com milhares de metros quadrados de mata a serem derrubados, centenas de cursos de água afetados e diversos corredores de fauna interrompidos. Essas áreas são importantes mananciais da Guarapiranga e do baixo Cotia, responsáveis por fornecer água para milhares de pessoas diariamente. Se já vemos crimes de aterro de nascentes, várzeas e Áreas de Preservação Permanente acontecendo, imagine o que pode acontecer se a pressão por construções nessa região aumentar ainda mais.

O trajeto da via ainda agride a APA Embu Verde e a Reserva Florestal do Morro Grande, interrompendo os corredores de fauna entre elas. Estudos técnicos da SEAE já comprovaram a presença de pelo menos 19 espécies de mamíferos – como tatus, cutias, quatis, pacas, veados, bugios, saguis, gatos-do-mato, gato maracajá, jaguatirica, onça parda, entre outros – que podem ser vítimas de atropelamentos, da escassez de alimento e água, e até desaparecer da região com a ocupação desenfreada.

Além disso, a população local – com centenas de casas, comércios, escolas e igrejas – nunca foi consultada sobre esse projeto. Mesmo com o governo estadual trabalhando nessa concessão há quase um ano e o contrato já formalizado, não houve nenhuma audiência pública em Embu das Artes, Cotia ou Itapecerica.

O projeto da nova Raposo tem sido apresentado de forma limitada, como se fosse apenas uma questão de mais faixas na Raposo Tavares ou ajustes no número de pedágios. Mas, na verdade, trata-se de uma obra faraônica, destinada a aumentar o fluxo de carros na região de forma descontrolada, para favorecer a especulação imobiliária – vendendo nossas matas para a construção desenfreada de prédios, com a desculpa de que o trânsito deixará de ser problema.

Resolver o trânsito da Raposo, Regis, Castelo e região é realmente necessário. No entanto, isso só trará benefícios se houver também soluções de transporte de massa (como trem ou metrô), a participação da população afetada e o devido respeito ambiental.

Diante disso, a SEAE se posiciona contra o projeto e, juntamente a Preservar Ambiental (de Itapecerica da Serra), apoia o movimento Nova Raposo Não (NRN) por meio de apoio técnico, jurídico e de comunicação – para que nossa região e nossa população sejam respeitadas e preservadas.”

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