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MP denuncia Conex Habitacional por fraude e desvios

MP aponta que Conex Habitacional prometia moradias, mas deixou famílias no prejuízo. Justiça analisa solicitação de suspensão da cooperativa
Terreno que deveria receber um dos empreendidos da Conex Habitacional em Barueri (Reprodução/Redes sociais)

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) entrou com uma Ação Civil Pública contra a Cooperativa Habitacional Conex, sediada em Barueri, e seus principais diretores por fraude, gestão temerária e desvio de recursos que, segundo a promotoria, ultrapassam R$ 100 milhões.

A investigação aponta que o empreendimento Morada Nobre Barueri, lançado em 2018 com a promessa de 1.760 apartamentos, nunca saiu do papel. Com isso, mais de mil famílias ficaram sem imóvel e perderam as economias investidas.

Irregularidades e empresas de fachada

Segundo o MP, a cooperativa reduziu o número de torres previstas no projeto — de oito para somente três — sem qualquer aviso aos cooperados. Mesmo após decisões judiciais favoráveis aos consumidores, a Conex deixou de devolver os valores cobrados indevidamente.

MP denuncia Conex Habitacional por fraude e desvios
Vítimas já fizeram manifestações em busca da devolução do dinheiro investido na Conex (Divulgação/Arquivo Pessoal)

A denúncia ainda afirma que a entidade criou empresas de fachada, como a Invicta Assessoria e a BRX Serviços, para ocultar bens e driblar bloqueios judiciais. O terreno onde o empreendimento seria construído também está registrado em nome de terceiros, visando frustrar cobranças.

Em vídeo, incluído no processo do MP, o presidente da cooperativa, Antonio Fernando Marcato, afirma que não pagaria os valores de volta aos cooperados desistentes, ainda que houvesse ordens da Justiça. Além disso, o MP destacou que o projeto não possui licenças ambientais e acumula uma dívida de aproximadamente R$ 70 milhões em contrapartidas urbanísticas não quitadas.

MP solicita dissolução da Conex e ressarcimento

 A Promotoria de Barueri solicitou à Justiça a dissolução da cooperativa e das empresas ligadas aos seus diretores, além do bloqueio imediato dos bens de Marcato e da sócia, Graciele Machado Marcato. Também foi solicitado o ressarcimento integral dos valores pagos pelos cooperados e a aplicação de multa de R$ 100 mil para cada novo contrato firmado pela cooperativa.

Apesar do terreno do empreendimento estar avaliado em R$ 32 milhões, o Ministério Público considera o valor insuficiente para quitar o passivo estimado, que pode chegar a R$ 100 milhões.

Recursos desviados pela Conex Habitacional

Ainda segundo o documento do MP, a investigação revelou que os valores pagos pelos cooperados foram movimentados por contas das empresas Invicta e BRX, administradas pelos mesmos dirigentes. A Justiça já determinou a quebra de sigilo bancário e o bloqueio de ativos financeiros dos envolvidos.

O processo está em análise e a Justiça pode determinar a suspensão imediata das atividades da Conex Habitacional. Se a ação for acolhida, os diretores ainda poderão ser responsabilizados criminalmente por fraude, estelionato e formação de quadrilha.

A equipe de reportagem do Jornal Giro tentou contato com os diretores da Conex Habitacional por meio de e-mail da empresa e telefone e WhatsApp, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O canal segue aberto para ouvir e publicar a versão da Conex Habitacional. 

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