Exames serão fundamentais para a Polícia entender as circunstâncias da morte de Adalberto Amarilio dos Santos Junior, encontrado dentro de buraco em uma obra no Autódromo de Interlagos
A Polícia Civil de São Paulo segue à espera de três exames periciais que serão cruciais para elucidar a morte do empresário Adalberto Amarilio dos Santos Junior, encontrado em um buraco de obra no Autódromo de Interlagos, na zona sul da capital, no dia 30 de maio. São aguardados os laudos toxicológico, necroscópico e de DNA do sangue recolhido no carro da vítima.
O exame toxicológico, que deve ser divulgado na segunda-feira (16), vai confirmar ou descartar o consumo de substâncias como álcool e maconha — elementos citados no depoimento do amigo Rafael Aliste. Já o laudo necroscópico será essencial para determinar com precisão a causa da morte e afastar a possibilidade de óbito por causas naturais. O exame de DNA visa identificar a origem do sangue encontrado no interior do veículo.
Suspeitas em apuração
Mesmo sem a conclusão dos exames, a Polícia trabalha com hipóteses preliminares. Uma delas é que Adalberto pode ter sido imobilizado com um golpe “mata-leão” durante uma suposta briga com seguranças do evento. Outra possibilidade em análise é o envolvimento direto de Rafael Aliste, amigo que acompanhou a vítima no dia do desaparecimento.
O corpo foi encontrado em um buraco de obra com cerca de três metros de profundidade e 45 centímetros de diâmetro. A polícia trata o caso como morte suspeita e ainda não descarta nenhuma linha de investigação, incluindo homicídio e ocultação de cadáver.
Leia também
Depoimento contraditório
Rafael Aliste foi ouvido novamente na quinta-feira (12), em depoimento que durou mais de cinco horas. Segundo os investigadores, ele apresentou versões consideradas incoerentes sobre o trajeto feito por Adalberto ao deixar o evento em Interlagos rumo ao estacionamento. A polícia também considera “estranhas” as justificativas dadas por Aliste para o momento da separação entre os dois.
Como foi o dia do desaparecimento
Segundo o relato do amigo, ele e Adalberto chegaram ao evento por volta das 14h30 e participaram de test rides de motos até as 17h. Depois, tomaram café e circularam pelo espaço. Em seguida, teriam bebido cerveja e assistido ao show do cantor Matuê às 19h45, momento em que, conforme o depoente, Adalberto teria adquirido e fumado maconha de desconhecidos. Eles consumiram cerca de oito cervejas, ainda segundo o relato.
O show terminou por volta das 21h, e, às 21h15, os amigos se despediram. Adalberto teria dito que precisava sair para jantar com a esposa. Aliste afirma que permaneceu no local, comeu um hambúrguer, tomou refrigerante e foi embora por volta das 22h30, chegando em casa às 23h. Já na madrugada de sábado (31/5), por volta das 2h, recebeu uma mensagem da esposa de Adalberto perguntando se sabia do paradeiro do marido.
No domingo (1/6), um dia após o sumiço, Aliste afirmou ter sido vítima de assalto. Segundo ele, quatro homens armados em duas motos roubaram sua motocicleta, celular e capacete.
Corpo foi achado por trabalhador
O corpo de Adalberto foi localizado na manhã de terça-feira (3) por um funcionário da obra na Avenida Jacinto Júlio, nas proximidades do Kartódromo de Interlagos. O trabalhador disse ter confundido o capacete do empresário com um boneco antes de acionar a polícia.
Segundo a diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Ivalda Aleixo, o corpo estava sem ferimentos visíveis, vestígios de sangue ou fraturas. A vítima foi encontrada apenas de cueca e com uma jaqueta, usando capacete e com os braços erguidos — o que impediu que o corpo afundasse ainda mais no buraco.
Para a delegada, é provável que Adalberto tenha sido colocado no local já desacordado ou morto, uma vez que não havia sinais de luta ou tentativa de fuga. A terra no rosto e nas mãos indica que o corpo foi parcialmente encoberto, e os exames em andamento devem oferecer pistas definitivas sobre o que ocorreu nas horas finais da vítima.
O caso segue sob apuração do DHPP, que instaurou inquérito para investigar a morte como suspeita e não descarta nenhuma motivação criminal até o recebimento dos laudos periciais.
—
Jornalismo regional de qualidade
Há mais de 16 anos, o GIRO noticia os acontecimentos mais importantes nos seguintes municípios: Araçariguama, Barueri, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba, São Roque e Vargem Grande Paulista. Agora, juntam-se a eles, as cidades de Jundiaí e Taboão da Serra.
Siga o perfil do jornal no Instagram e acompanhe outros conteúdos.






