Atriz Fernanda Montenegro cobra permanência do Teatro de Contêiner Mungunzá em área que Prefeitura de São Paulo quer transformar em moradia popular; gestão diz que “não é despejo”
A atriz Fernanda Montenegro, ícone do teatro brasileiro, enviou uma carta pública ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), pedindo que ele reconsidere a decisão de retirar o Teatro de Contêiner Mungunzá do seu atual endereço, na Rua dos Gusmões, região central da capital paulista. A manifestação foi escrita no dia 3 de junho, mas foi publicada nas redes sociais na noite desta terça-feira (10).
O pedido da atriz ocorre após a Prefeitura da capitar ter exigido a desocupação do terreno tanto pelo teatro quanto pelo Coletivo Tem Sentimento, no dia 25 de maio. O espaço, que já abrigou o chamado “fluxo” de usuários da Cracolândia, será utilizado, segundo a administração municipal, para a construção de um conjunto habitacional, com previsão de duas torres residenciais por meio de uma parceria entre a Cohab e a CDHU.

Em resposta à atriz, o prefeito alegou que “não se trata de um despejo, mas de uma realocação para um local melhor”. “Dei incentivo financeiro ao teatro, apoiei e continuarei apoiando”, disse Ricardo Nunes.
O terreno está localizado no triângulo formado pelas ruas General Couto Magalhães, dos Gusmões e dos Protestantes. A área pertence ao município e abriga uma construção abandonada remanescente do antigo muro da Cracolândia. Segundo a Prefeitura, a proposta inclui a demolição do prédio deteriorado, além da criação de equipamentos de lazer, como quadra esportiva, brinquedos e áreas de convivência.
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Apesar do argumento oficial de que a mudança visa ampliar o atendimento a pessoas em situação de rua e usuárias de drogas, integrantes do teatro e de movimentos sociais afirmam que a medida desconsidera a importância cultural do espaço. O grupo alega que está sendo afastado de forma arbitrária, mesmo após colaborar com a gestão municipal.
Desde agosto de 2024, a administração tem solicitado a devolução de partes do terreno, inicialmente para abrigar tendas de apoio aos agentes da Secretaria Municipal da Saúde. Em abril deste ano, a Prefeitura passou a pedir a desocupação total da área. Segundo documento oficial, a região seria essencial para ampliar os serviços da Cena Aberta de Uso, reforçando o atendimento e oferecendo melhores condições de trabalho às equipes de assistência.
Apesar da promessa de diálogo, os artistas denunciam a ausência de um plano claro de relocação e temem o apagamento simbólico de um espaço reconhecido por sua resistência e promoção cultural na região central de São Paulo.
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