Mesmo após uma condenação por estelionato na Justiça de São Paulo, Marcos Rodrigues Fontana, de 65 anos, voltou a se apresentar como religioso e é novamente alvo de denúncia por supostos golpes envolvendo fiéis na capital paulista.
O caso veio à tona após a artista plástica Elisa Stecca relatar que manteve contato com o homem por mais de dez anos. Nesse período, ele se apresentou como padre, frequentou eventos familiares e conquistou a confiança de parentes próximos, passando a ser tratado como uma liderança religiosa dentro do convívio da família.
Segundo Elisa, a aproximação ocorreu por meio de sua madrinha, uma católica praticante. Com o passar do tempo, o homem passou a participar de aniversários, celebrações e encontros familiares, consolidando a imagem de “padre da família”.
Após a morte da mãe, Elisa afirma ter feito uma doação em dinheiro ao suposto religioso, acreditando contribuir com um orfanato que ele dizia manter. A partir desse episódio, os pedidos por valores teriam se tornado recorrentes, sempre acompanhados de relatos sobre dificuldades enfrentadas por crianças em situação de vulnerabilidade.
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As suspeitas começaram a surgir quando Elisa passou a questionar a ausência de comprovações sobre a existência da instituição. De acordo com ela, o homem evitava permitir visitas ao local e justificava a restrição alegando proteção judicial das crianças. A falta de informações concretas e o envio de imagens sem identificação reforçaram a desconfiança.
A situação ganhou outro rumo quando Elisa e a madrinha decidiram pesquisar o nome de Marcos Rodrigues Fontana. Foi então que descobriram que ele não possui vínculo com a Igreja Católica nem com instituições religiosas reconhecidas.
Histórico de condenação
Em 2009, Fontana foi condenado pela 25ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo por estelionato. Na ocasião, ele se passou por padre para cobrar por celebrações religiosas, como missas em velórios e cerimônias de sétimo dia.
A Justiça considerou comprovado que ele utilizava a falsa identidade religiosa para obter vantagem financeira. A pena foi fixada em 1 ano, 11 meses e 10 dias de reclusão, inicialmente em regime semiaberto, posteriormente convertida em medidas alternativas, além do pagamento de multa.
Confissão e investigação
Confrontado pela madrinha de Elisa, o homem admitiu que o orfanato não existia. Ele também afirmou integrar uma vertente independente conhecida como Igreja Vétero Católica, que não possui reconhecimento do Vaticano.
Procurada, a Arquidiocese de São Paulo informou que Marcos Rodrigues Fontana não faz parte do clero e nunca foi ordenado padre pela Igreja Católica Apostólica Romana.
A família registrou boletim de ocorrência em 24 de março. O caso é investigado pelo 36º Distrito Policial, que apura possíveis crimes e ouve testemunhas. A reportagem não conseguiu localizar o investigado ou sua defesa. O espaço permanece aberto para manifestação.
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