Na noite de segunda (14), o prefeito reeleito de Carapicuíba, Marcos Neves (PSDB), participou de uma entrevista exclusiva no estúdio GiroPlay, na sede do jornal Giro S/A, em Osasco. Na conversa, estiveram presentes a diretora de redação do Giro, Cláudia Azevedo, e o editor-chefe, João Felipe Cândido.
Essa entrevista faz parte de uma série que o GiroPlay promove com os prefeitos eleitos das 11 cidades da região oeste da Grande São Paulo que fazem parte do Cioeste. Já foram entrevistados Rogério Lins (Podemos), de Osasco; Dr. Sato (PSDB), de Jandira; Marcos Tonho (PSDB), de Santana de Parnaíba e Rogério Franco (PSD), de Cotia.
A seguir, confira os melhores momentos do encontro. O link da entrevista completa está no final da reportagem.
Prefeito, recentemente você surpreendeu a todos ao noticiar que testou positivo para a covid-19 pela segunda vez. Essa deve ser a primeira entrevista que você concede após ser curado. De que maneira a covid afetou a sua saúde? Pode dizer quais foram os sintomas da primeira e agora da segunda vez?
Na primeira infecção, que foi em junho, tive alguns funcionários da Comunicação que tinham testado positivo e alguns secretários meus que também tinham tido contato. Fiz o exame numa quinta-feira e no dia seguinte, deu positivo. Fiz o teste PCR, que constata o começo da doença, me isolei por 14 dias, não tive sintoma em nenhum deles. Fui assintomático. Após 15 dias, fiz o exame de sorologia. Nele, não havia anticorpos. Procurei um médico e ele disse para eu continuar tomando os mesmos cuidados, pois era uma doença nova, não sabíamos como era.
Agora, próximo do dia 24 de novembro, ao voltar de Brasília, comecei a ter suor à noite. No outro dia, quinta-feira, tive dor no corpo e foi piorando a situação. Foi aí que falei com a médica, que me pediu o exame e testou positivo. Mas aí foi diferente: fiquei um pouco febril no começo, depois dor no corpo, espirrava muito, tossia, aquela moleza, perda de paladar e olfato. Depois do quarto ou quinto dia, o paladar voltou. Os sintomas foram indo embora. No nono dia eu tive febre, e a médica pediu para eu voltar ao hospital e fazer uma tomografia. Ela tinha visto uma inflamação no pulmão e trocou os medicamentos e as doses. Pediu para tomar anticoagulante, junto da prednisona e do clavulin. E a partir daí melhorei. Fiz o teste rápido semana passada, e apareceu que já tenho anticorpos. Graças a Deus, está tudo bem.
Marcos, em janeiro o país não terá mais o auxílio emergencial e a expectativa dos analistas econômicos é de que o consumo seja reduzido drasticamente. De que forma você se prepara para enfrentar a questão e o que deve colocar em prática para fomentar a economia e geração de empregos em Carapicuíba?
Nós não paramos nenhuma obra pública dentro da cidade de Carapicuíba. Nossa ideia é ampliar o número de obras a partir de janeiro, fevereiro e março. Nós devemos dar ordem de serviço para algumas obras novas, coisa que não está acontecendo agora, pois temos obras em andamento. As obras novas, só a partir de janeiro ou fevereiro. Então, isso vai fomentar a economia e vai gerar emprego. Nós devemos fazer algumas mudanças também na questão tributária, reparcelamento de impostos, nós devemos lançar uma lei, a partir de fevereiro ou março, então isso vai dar também uma aquecida na economia. E, lógico, nós vamos tomar algumas medidas para desenvolvimento da cidade. Lógico que quando você gera emprego, quando você coloca as obras na cidade em andamento, quando você não para nenhuma obra, quando você continua com o trabalho de contratação do nosso programa de qualificação, você gera 200, 300 empregos diretos, na veia. Isso vai ajudar a cidade. Mas, eu vejo que São Paulo é um estado um pouco diferente dos outros. São Paulo puxa a economia, é um estado produtor, do agronegócio, um estado que realmente faz a diferença no Brasil. Está maior do que o Brasil hoje na questão de crescimento e não vai ser diferente. Acho que os meses iniciais de 2021 serão prósperos, vamos trabalhar pra isso. Mas, é lógico, quando você tem menos dinheiro entrando na economia, você tem uma diminuição do consumo. Mas, acredito que o governo federal também vai tomar medidas para que o consumo também possa aumentar, para que o dinheiro possa circular. A população quer ter um emprego. Auxílio emergencial é importante, foi uma ajuda. Acredito eu que se o governo achar que possa estender por mais um ou dois meses, de repente poderá fazer isso, mas vamos trabalhar pra que o governo gere emprego. É isso com que vamos trabalhar também em nossa cidade.
Ainda sobre a questão dos empregos, a manchete do jornal O Estado de SP desta segunda-feira aponta que mais de dois terços dos jovens têm emprego precário no País. Como reverter esse quadro na cidade?
O jovem é uma categoria que precisamos olhar um pouco diferente. Nós, em Carapicuíba, fizemos em 2018 o programa Jepoe (Jovens no Exercício do Programa de Orientação Estadual), para pessoas de 16 a 18 anos. Nossa ideia é fazer o programa já no começo de 2021 para trazer o jovem para o emprego, para uma nova atividade, para uma nova responsabilidade. Eu vejo que o jovem precisa aprender algum tipo de profissão ou característica de determinado trabalho, para que você possa encaminhá-lo. O jovem hoje é muito dinâmico, muito rápido com as coisas, muito inteligente nas decisões, então precisamos aproveitar isso. Nós vamos ter um olhar diferenciado para esse público, para que possamos tê-los como nossos parceiros e também encaminhá-los para sua vida normal do dia a dia.
Prefeito, a revista Exame divulgou um estudo elaborado pela consultoria Urban Systems, sobre as melhores cidades do país para fazer negócios. Carapicuíba consta entre as 100 melhores do país para fazer investimentos em um dos segmentos. Como o senhor recebeu essa notícia?
De forma muito positiva. Nesses últimos quase quatro anos, nós transformamos Carapicuíba. Quem a conheceu quatro anos atrás e vê-la hoje, percebe que a preparamos para ser uma cidade desenvolvida. É lógico que estruturalmente, quando assumimos, era uma cidade muito precária. Não tinha estrutura nas unidades básicas, nem infraestrutura na cidade para andar, havia muitos problemas de limpeza… Havia problemas para todo lado, onde colocava a mão tinha problema. Nós fomos consertando isso: as secretarias ganharam prédios para atender a população com dignidade; a gente tinha trânsito por todos os lugares, mas conseguimos remodelar e melhorar essa questão. Hoje, a cidade é vista com outros olhos, tanto a parte comercial quanto empresarial, e nossa ideia é ampliar isso. Trouxemos mais de R$ 200 mi de investimentos em infraestrutura, saúde, educação, esporte, em quatro anos. Um terço do nosso orçamento em quatro anos, coisa que nunca tinha sido vista em Carapicuíba. Nossa ideia é manter esse mesmo ritmo de investimentos, por isso minha ida a Brasília, a minha composição com o governo do estado, sempre muito próximo dos deputados estaduais e federais, para que a gente possa fazer esses investimentos. É diferente de quando você pega uma cidade como Barueri, Osasco ou Itapevi, que você tem um valor que cai todo mês no orçamento. São cidades que caem 5 a 10% do valor do orçamento para fazer investimentos. Carapicuíba não tem dinheiro para isso. O dinheiro que temos é para pagar contas e fazer a manutenção da cidade. Então, o que eu tenho que fazer? Buscar dinheiro fora. É igual aquele trabalhador que ganha R$ 2.000, mas quer comprar um carro: ele vai fazer um bico à noite, de Uber, de Ifood, para ele ganhar aquele dinheirinho para comprar o carro. Carapicuíba é a mesma coisa. Nós temos que fazer toda essa conversa com os deputados, com o governo federal e do estado para conseguir os recursos para fazer investimentos. É o que fizemos nesses quatro anos e o que pretendemos fazer novamente.
Carapicuíba, começa a ser vista com outros olhos: está do lado da Castello Branco, do lado da Raposo Tavares, você tem acesso ao Rodoanel, uma cidade que tem uma localização privilegiada, então precisamos aproveitar isso.
Recentemente, o senhor esteve em Brasília. O que o senhor pode antecipar?
Nós temos lá vários contatos federais, com ministros. Nós conseguimos nesse finalzinho de ano, para 2021, mais de R$ 10 mi em emendas para infraestrutura da saúde e educação. São emendas para aumentar o desenvolvimento e as obras da cidade. A cada 15 ou 20 dias, eu estou em Brasília para que a gente possa buscar esses recursos e fazer os investimentos necessários para a cidade. Nós temos dinheiro para fazer parte da ampliação da avenida Antônio Faustino dos Santos, para recapeamento de vias, construção de novas escolas. Fui lá também falar com o ministro de Saúde para conseguir testes PCR, que estavam estocados, ficaram de liberar. Estamos trabalhando em todas as áreas.
Com o fechamento de milhares de empresas, além das dificuldades que são reflexo da crise sanitária, o senhor teme uma queda na arrecadação de impostos?
Estamos trabalhando para que isso não aconteça. Esse ano o governo ajudou os municípios, teve um auxílio para os municípios na questão da perda da arrecadação. Carapicuíba não foi diferente. Teve uma perda, mas conseguimos equilibrar as contas. 2021 vai ser da mesma forma: vamos continuar economizando, vamos continuar investindo bem o dinheiro público e vamos buscar outras formas de receita, nunca aumentando impostos, sempre trabalhando nessa questão de cuidar bem do dinheiro público, economizar, para que você possa ter um pouco mais de recurso no caixa. Vamos torcer para que tudo caminhe bem e o estado de São Paulo possa continuar produzindo e investindo para aumentar a arrecadação.
Há três semanas, o governador do estado, João Doria, convocou cinco cidades da região, inclusive Carapicuíba, para uma reunião sobre os municípios que apresentavam alta nos índices de leitos ocupados em decorrência do coronavírus. Neste momento, como está a situação da cidade? Carapicuíba está preparada para uma possível segunda onda de covid?
Carapicuíba fez a lição de casa. Logo no começo da pandemia, as pessoas desconfiavam de nós: será que Carapicuíba vai conseguir? Tem pouco recurso.
Mas nós estávamos preparados para fazer investimentos na saúde e, lógico, boa parte deles foram para o combate ao coronavírus. Nós abrimos hospital de campanha, fizemos desinfecção das ruas, entrega de alimento solidário, entrega de kit merenda até dezembro. Fizemos o que tinha que ser feito. Em junho, começamos o programa de testagem em massa, que foi um diferencial na região. E não é o teste rápido, é o teste PCR, mesmo. Temos parceria com o laboratório Dasa e com o aplicativo Dados do Bem, que é parceria da rede D’Or, gratuito para a cidade. Então, você se cadastra nesse aplicativo e você tem lá data e horário para fazer o exame e para receber o resultado. E esse período todo fomos testando a população, e isso permite isolar e evitar a transmissão. Fizemos isso muito bem. Ao mesmo tempo, fizemos a contratação de leitos de UTI e de enfermaria para atender a cidade. Em junho, começamos com o Hospital São Camilo. São 50 leitos de enfermaria e 15 de UTI. É lógico que com o aumento da pandemia, em novembro, nós continuamos com o projeto, ampliamos a testagem, estamos testando no Ayrton Senna e em três escolas volantes, a cada dois dias, e um veículo também volante para testar a comunidade. Aumentou a espera por conta do volume no estado inteiro, mas as pessoas estão recebendo os resultados. Mais de 70 mil pessoas em Carapicuíba já foram testadas entre teste rápido e PCR, que é o teste ouro, o mais caro. E agora, temos os leitos de UTI, nesse momento em que as internações estão crescendo, e temos uma situação controlada. Nós temos 50 leitos de enfermaria e 15 UTI no São Camilo. Se tiver necessidade de ampliar, podemos ampliar nesse mesmo sistema do São Camilo, que é um atendimento de primeira linha, e nós só pagamos aquilo que usarmos.
Foi anunciado na semana passada que Carapicuíba já elaborou o plano de vacinação contra a covid-19. O que o senhor pode antecipar?
Nós já estamos comprando todos os insumos para o uso da vacinação, as geladeiras também estão preparadas para receber mais de 100 mil doses na cidade, nós estamos com o plano elaborado para os locais de vacinação. Tendo autorização do governo do estado, além das UBSs, podemos vacinar nas escolas, ginásios esportivos, nos lugares que conseguirmos. Nossa ideia é ampliar, sistema drive-thru. Estamos aparelhados para receber e começar a aplicação. É uma vacinação diferente; hoje tem um critério, é possível ter um controle maior. Acredito que o governo do estado está se preparando e produzindo as vacinas. Assim que a Anvisa liberar, aí as cidades poderão receber as vacinas Mas Carapicuíba já está preparada.
Ainda sobre a pandemia, no que diz respeito à educação, algumas cidades da região, como Barueri, retornarão às aulas presenciais no começo do ano. O senhor é favorável? Como fica a questão das aulas presenciais em Carapicuíba?
Nesse ano de 2020, não tínhamos informações corretas e técnicas de que as crianças poderiam ser mais ou menos infectadas, e acabamos acertando. Em janeiro, temos que planejar todo o momento da volta às aulas, em fevereiro ver a situação da pandemia e trabalhar para que a vacinação possa ocorrer de forma segura e rápida. A partir do momento em que você consegue vacinar as pessoas de maior risco, você começa a ter mais tranquilidade para que as crianças voltem às aulas. Crianças não podem ficar muito tempo fora de sala de aula. Elas têm um sistema a ser seguido, e também o controle das crianças. Elas ficam em casa e não tem ritmo de escola. Vamos trabalhar pra tudo ficar bem e voltar às aulas entre fevereiro e março.
Marcos, certamente você acompanhou a pesquisa de intenção de voto Instituto MAS, que foi divulgada pelo Giro poucos dias antes das eleições. A mostra apontava que você ganharia no primeiro turno com 71% dos votos válidos. Nas urnas, o resultado foi assertivo, quase na vírgula, ou seja, você foi reeleito com 72,64% dos votos válidos. Como você recebeu a notícia, uma vez que a cidade de Carapicuíba poderia ir para o segundo turno, sendo o seu principal adversário o candidato petista, o ex-prefeito Sérgio Ribeiro?
Quando assumimos em 2017, sabíamos do desafio por conta da falta de recursos. Nós tínhamos que fazer diferente do que foi feito nas últimas décadas. O discurso era que não tinha recurso, de fato é verdade, não tem recurso próprio para fazer determinadas obras, então tínhamos esse desafio de buscar isso. Foi o que fiz. Tinha deixado o mandato de deputado, as pessoas tinham certo receio, mas, para mim, é um orgulho ser prefeito da cidade onde nasci, onde meu pai foi prefeito também, e fazer a diferença. E foi aí que fomos buscar fazer a diferença, administrando bem a cidade. Sabíamos que a pandemia era um grande desafio. Mas tudo caminhou bem e fizemos tudo o que poderíamos fazer naquele momento. E a cidade evolui. A população soube reconhece o trabalho, nossa votação está aí, mesmo disputando contra dez candidatos. Os outros queriam levar para o segundo turno, mas nós sabíamos que a população estava convicta de nosso trabalho. E agora temos que continuar trabalhando, com boa avaliação e com muito afinco para fazer um grande governo.
A coligação que o elegeu conquistou maioria na Câmara. A oposição conta com apenas três cadeiras. Acredita que terá facilidade para dialogar com os opositores e aprovar as leis?
Nesses quatro anos como prefeito, sempre fui muito transparente com a Câmara Municipal. Todos os vereadores, mesmo os que não foram eleitos comigo, a grande maioria, que queria dialogar, nós nunca mandávamos nada de polêmico. Quando mandávamos um projeto que precisava ser votado, sempre nos reunimos com vereadores antes. Às vezes fazia uma mudança. Não tiramos nada de ninguém, não mudamos questões tributárias para prejudicar, apenas para facilitar. Queremos continuar fazendo um governo muito transparente, sempre conversando com os vereadores, para que a cidade possa crescer. Estamos remando para o mesmo lado.
Em um ano tão atípico, de tanta instabilidade econômica e com mudanças repentinas, do seu plano de governo o que você conseguiu entregar e o que fica mandato?
Não posso reclamar do ano de 2020, até porque fui reeleito. Essa questão da pandemia foi um aprendizado para mim, particularmente sua administração diária: cada dia era uma novidade. Graças a Deus, estamos no fim do ano, com outra perspectiva, com a questão da vacina, o tratamento mais eficaz. O brasileiro é bom nisso. Consegue se adaptar, passar por essas dificuldades, um pouco diferente do resto do mundo, a gente consegue se sobressair. Muitas vidas perdidas, ficamos tristes, mas, passamos esse período, falta muito pouco essa questão da vacina. Só precisamos do cuidado final. Costumo dizer que nunca vou reclamar. Falo aos meus secretários que quem tem que reclamar é quem está entubado, sem saber o que vai acontecer com a vida dela. A gente que está aqui, cuidando das pessoas, salvando vidas, com saúde e firme, tem que agradecer a Deus. A gente tem que continuar trabalhando. Um dia perdido é um dia que não volta mais. Tem que fazer hoje, a população não pode esperar. A população está trabalhando todos os dias e quer que a gente trabalhe da mesma forma. O ano de 2020, com todos os percalços e dificuldades, foi um ano positivo e de aprendizado.
Prefeito, qual será o maior desafio que o senhor deve enfrentar em sua próxima gestão?
Manter o mesmo ritmo acelerado de obras, investimentos, da desenvoltura da cidade. Hoje, temos um compromisso com a população: boa prestação de serviço nas unidades básicas, no atendimento à população nos serviços públicos. Vamos reforçar e pegar no pé para que possamos atender ainda melhor a população. A população tem que se sentir valorizada na sua cidade. Vejo hoje que a população está muito mais otimista, com autoestima bem melhor do que quando assumi. Nosso grande desafio e objetivo é esse: que a pessoa tenha muito orgulho de morar em Carapicuíba.








