Mesmo com chuvas recentes, o nível de água do Sistema Cantareira vem baixando mês a mês. Em 20/4 estava com 52,8%. Em 20/9, 34,7%. Para se ter ideia, há um ano a capacidade estava em 54%.
De acordo com Malu Ribeiro, especialista em água da Fundação SOS Mata Atlântica, a crise hídrica ainda não terminou. “Para estarmos na zona de conforto deveríamos ter entrado na estiagem com reservatório em 70%”, explica. Em 21/6, o Cantareira estava com 44,9%.
Obras ajudam, mas são paliativas. “Não combatem a causa e sim o efeito.” Para Malu, a interligação dos sistemas Alto Tietê, Cotia e Cantareira e redução de perdas de água tratada são mais importantes do que buscar água cada vez mais longe.
Para trazer segurança hídrica à região, ela aponta dois planos: recuperação de florestas nativas no entorno das nascentes que enchem os reservatórios e despoluição dos mananciais, como a represa Billings. “O que enche mananciais não é a chuva, esse é um jeito errado de pensar. O que enche são as nascentes. Ajuda nisso o programa Adote uma Nascente e a recuperação das matas ciliares, na bacia de mananciais. Mas isso leva tempo”, afirma a especialista.
O uso racional de água também é importante. Mas por imposição do período eleitoral, a Sabesp está impedida de oferecer bônus a quem economizar, porque pode configurar “propaganda”. “Isso,sem dúvida, vai trazer prejuízos à economia e à população”, esclarece Malu.






