Caso Uber: prefeito de Osasco afirma que não há guerra contra a Prefeitura da capital

Polêmica teve inicio após vereadores da Câmara de SP terem fiscalizado sede da empresa, em Osasco. Atitude gerou revolta dos parlamentares osasquenses
Prefeito Rogério Lins negou existência de briga com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (Divulgação/Uber)

O prefeito de Osasco, Rogério Lins (Podemos), afirmou que não existe guerra entre as Prefeituras de Osasco e São Paulo, comandada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). “Torço para que São Paulo vá bem, não estamos em guerra com São Paulo”, disse em entrevista ao jornal “Folha de São Paulo”.

Porém, apesar da resposta, politicamente correta, o prefeito disparou que é preciso saber perder. “Se uma empresa de Osasco se mudar para lá, eu jamais vou tumultuar. O pessoal tem que saber perder também. Tem que respeitar”, disse Lins à Folha.

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Aplicativos, responsável por investigar empresas por aplicativo que atuam no transporte de passageiros e de pequenas cargas, realizou diligências em endereços da Uber no município de Osasco e na capital paulista na terça-feira (29).

Os parlamentares apontaram indícios de prática de evasão fiscal com sede de fachada, uma vez que o local do CNPJ da empresa em Osasco apresenta baixa operação de funcionários. Também em Osasco, os integrantes visitaram o local onde a plataforma pretende erguer sua futura sede e um polo tecnológico. Já na capital, os parlamentares foram ao prédio da Uber na Barra Funda, onde os condutores do aplicativo são atendidos.

Reação na Câmara de Osasco
Ainda na terça-feira (29), o presidente da Câmara de Osasco, vereador Ribamar Silva (PSD), manifestou repúdio aos vereadores de São Paulo por interferência na fiscalização em Osasco. “Houve reclamação da Uber de que os vereadores de São Paulo foram fazer fiscalização na sede da empresa e eles não têm direito de fazer isso em outra cidade”, frisou Silva.

Ribamar Silva declarou, ainda, que o Poder Legislativo Municipal tomará as providências legais contra a ação dos vereadores de São Paulo em Osasco. “É um desrespeito com a nossa cidade, com a Câmara Municipal, e nós não vamos fiscalizar empresas em outras cidades. Se isso virar moda, vai ficar uma situação desconfortável entre municípios Brasil afora”, disse. “Essa prerrogativa é dos deputados estaduais e deputados federais. São eles que têm que fiscalizar eventuais problemas entre municípios. Aos vereadores cabe fiscalizar problemas internos de suas cidades. Não queremos inimizade com nenhuma cidade”, finalizou Silva.