Cambismo: polícia procura palmeirense acusado de matar cruzeirense em 2024

Um homem havia sido preso posse ilegal de arma de fogo durante o cumprimento de um mandado na operação contra cambismo; veja mais
Um homem havia sido preso posse ilegal de arma de fogo durante o cumprimento de um mandado na operação contra cambismo; veja mais
Crime ocorreu em 2024 (Reprodução/G1)

A Polícia Civil de São Paulo realizou a “Operação Jogo Duplo”, que apura um esquema criminoso de cambismo digital de ingressos para assistir a jogos de futebol. As ações ocorreram nesta terça-feira (13) e incluíram o cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão em cinco cidades do estado de São Paulo, entre elas Cotia e Osasco.

Um dos investigados pelo caso nesta operação contra o cambismo ilegal é Sandro Santos de Souza, integrante da Mancha Alviverde. De acordo com o portal de notícias G1, o indivíduo é procurado por suspeita de participação na morte de um torcedor do Cruzeiro durante uma emboscada atribuída à torcida do Palmeiras, em Mairiporã, na Grande São Paulo, em 2024. O acusado ainda não foi preso.

Até as 9h, um homem havia sido preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, na operação contra o cambismo ilegal, na Zona Oeste da capital. Segundo a polícia, ele não era alvo de mandado de prisão, mas estava com uma arma sem registro.

Emboscada na Fernão Dias deixou um torcedor morto e 15 feridos

O palmeirense Sandro Souza (à esquerda) é procurado também pelo homicídio do cruzeirense José Santos (à direita) em 2024 na Grande SP (Reprodução/G1)

Sandro Santos de Souza já era procurado por suspeita de envolvimento na morte de José Victor Miranda dos Santos, torcedor do Cruzeiro assassinado em uma emboscada atribuída a integrantes da Mancha Alviverde, torcida organizada do Palmeiras.

O ataque aconteceu em 27 de outubro de 2024, na Rodovia Fernão Dias, em Mairiporã. Os cruzeirenses voltavam de Curitiba para Minas Gerais quando foram atacados por palmeirenses. Segundo o Ministério Público (MP), os integrantes da Mancha usaram paus, pedras, bolas de bilhar, pregos e rojões contra os ônibus da Máfia Azul, principal organizada do Cruzeiro.

Os veículos foram incendiados e torcedores agredidos. As duas torcidas já tinham uma antiga rivalidade, alimentada por outros confrontos. Além de José Victor, que morreu, outros 15 cruzeirenses ficaram feridos.

As cenas foram filmadas pelos próprios agressores e publicadas nas redes sociais, o que ajudou o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, a identificar os suspeitos.

Ao todo, 42 integrantes da Mancha Alviverde são réus por homicídio e tentativas de assassinato. Em outubro de 2025, um ano após o crime, a Polícia Civil ainda procurava 18 suspeitos, enquanto outros 24 estavam presos, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP). Vinte palmeirenses irão a júri popular, sendo 17 presos e três foragidos.

Eles são acusados de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, perigo comum e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas. Também respondem por 15 tentativas de assassinato e por causar tumulto, conforme a Lei Geral do Esporte. O G1 não conseguiu localizar a defesa de Sandro para comentar o caso.

Quem tiver informações sobre os foragidos pode ligar para o Disque-Denúncia, no 181. Não é preciso se identificar.

Operação contra o cambismo: sistema de reconhecimento fácil nos estádios é investigado

O objetivo da Polícia Civil é combater esse mercado clandestino (Divulgação/Polícia Civil)

Além dos dois municípios da Região Oeste da Grande São Paulo, a operação contra o cambismo ilegal ocorreu também na capital paulista, Jundiaí, Socorro e Bragança Paulista. As apurações foram conduzidas pela Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (DRADE).

Conforme a Polícia Civil, a investigação identificou o uso de ferramentas automatizadas, conhecidas como robôs, para comprar ingressos em grande quantidade. Os investigados também teriam usado indevidamente cadastros de terceiros vinculados aos sistemas de reconhecimento facial dos estádios.

A suspeita das equipes sobre o cambismo é que os recursos fossem utilizados para obter ingressos irregularmente e revendê-los no mercado paralelo, prejudicando torcedores que tentam comprar entradas pelos canais oficiais.

O delegado Cesar Saad, da Drade, afirmou que a operação busca combater essa modalidade de cambismo e responsabilizar os envolvidos.

“Essa operação é importante porque estamos combatendo uma nova modalidade de cambismo, que utiliza a tecnologia para adquirir ingressos de forma irregular. Identificamos a utilização de robôs para a compra de ingressos em grande quantidade, além do uso indevido de cadastros de terceiros nos sistemas de reconhecimento facial”, disse Saad ao g1.

“O objetivo da Polícia Civil é combater esse mercado clandestino, responsabilizar os envolvidos e, principalmente, proteger o torcedor, garantindo que ele tenha acesso aos ingressos de forma justa e pelos canais oficiais”, falou o delegado da Drade.

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