Brasil é o país com maior percentual de depressão entre jovens na América Latina

Campanha Setembro Amarelo foca na prevenção de suicídios 

O Brasil é o país com maior percentual de depressão na América Latina, chegando a 5,8% da população, o que corresponde a 12 milhões de brasileiros. Isso é o que revelam dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A taxa é maior do que o valor global, que chega a 4,4%.

Presente em quase todo o mundo, campanha busca chamar a atenção para casos de suicídio.

Os dados reforçam, durante todo esse mês de setembro, inclusive no Brasil, a campanha Setembro Amarelo, que tem como objetivo abordar a prevenção do suicídio entre os jovens

A taxa de suicídio entre adolescentes de 10 a 19 anos, no Brasil, aumentou 24% de 2006 a 2015. A cada 46 minutos alguém tira a própria vida no País. Isso levou o governo federal, por meio do Ministério da Saúde, a anunciar que vai aproveitar o mês de conscientização sobre a importância da prevenção do suicídio para enfatizar a necessidade de atenção especial com o bem-estar e a saúde mental de crianças e adolescentes.

O psiquiatra Teng Chei Tung, coordenador dos Serviços de Pronto-Socorro e Interconsultas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP) e vice-coordenador da Comissão de Emergência Psiquiátrica da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), explicou que a alta incidência entre os jovens está ligada à grande expectativa externa e interna de que eles se comportem como adultos, mesmo sem ter ainda as habilidades de um adulto, e à pressão de que o adolescente seja pleno, potente, competente e reconhecido. 

Teng afirma que sentir tristeza é normal e que a frustração sempre traz alguma tristeza passageira, mas é preciso que as pessoas próximas fiquem atentas para perceber quando esse estado já se tornou uma depressão. Segundo ele, a tristeza é algo que gera introspecção, provoca reflexão e crescimento, mas o deprimido fica introspectivo por vários dias e semanas. 

“Um dos parâmetros é quando há sofrimento excessivo e quando começa a causar real prejuízo. Afeta as relações interpessoais, produtividade no trabalho, ou sofrimento individual, ou seja, a pessoa está sofrendo mais do que que precisaria naquela situação. Não é que não pode ter tristeza e emoção, mas isso não pode prejudicar a pessoa a ponto de afetá-la fisicamente”.

“Então ele faz as coisas, erra e se frustra. Nessas frustrações os jovens podem entrar na depressão. Os preconceitos são os mesmos e são agravados pela desinformação. Para o jovem existe a influência do pensamento de que a saúde mental é só uma questão social, existencial e psicológica”.

Psiquiatra Teng Chei Tung
Coordenador dos Serviços de Pronto-Socorro e Interconsultas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.