Há cerca de três semanas, as secretarias municipais de Saúde de todo o País começaram a alertar para um problema que só tem se agravado dia após dia: hospitais, postos e farmácias de todo o Brasil estão com escassez de medicamentos, alguns deles essenciais para a população.
O Conselho Federal de Farmácias (CFF) já havia listado nas semanas anteriores mais de 40 remédios em falta, como amoxicilina com clavulanato e dipirona. Entre as causas para este fato estão a da falta de estoque por parte do governo federal, a instabilidade econômica, com a alta do dólar e a guerra na Ucrânia. Outro fator apontado como causador do problema é a alta da covid na China, de onde saem as matérias-primas para a produção de remédios e embalagens. Esta doença tem feito o governo chinês parar as exportações destes produtos essenciais para todo o mundo.
Na região metropolitana oeste da Grande São Paulo, municípios como Barueri, Osasco, Jandira e São Roque relataram a falta de medicamentos essenciais nos postos de Saúde e em outros locais à reportagem do Giro S/A. Outras prefeituras foram procuradas das cidades da região*, mas até o fechamento desta edição não haviam se manifestado.
Na região
Em Barueri, desde que a prefeitura reassumiu a administração da Farmácia Municipal, em março deste ano, a reposição dos medicamentos vem sendo normalizada. Dos 380 itens disponibilizados na Farmácia Municipal, atualmente, há falta de 14, devido à escassez de matéria-prima (os pregões estão resultando em deserto, que é quando nenhuma empresa se apresenta para a licitação – já foram 18).
Os medicamentos em falta na rede são: Amicacina, Sulfato 250mg/ml ampola; Amicacina, Sulfato 50mg/ml ampola; dimenidrinato 100 mg-cpd; Eritromicina 500 mg Estolato cpd; Fenobarbital 200 mg (100mg/ml) ampola 2ml; Furosemida 20mg (10mg/ml) ampola 2ml; hidrocortisona, acetato 10mg/g (1%) creme bisna; Permanganato de Potássio 100mg cpd; Pindolol 5mg; Poligelina 3,5%-bolsa sistema fechado; Sulfadiazina 500mg cpd; Sulfametoxazol 40mg/ml Trimetoprina 16mg/ml; Tiocolchicosideo 2mg/ml ampola 2ml; e Varfarina Sodica 2,5 mg cpd.
Na cidade de Jandira, farmácias e hospitais públicos e privados enfrentam dificuldade na aquisição de alguns medicamentos. As principais classes farmacêuticas afetadas são de antibióticos, mucolíticos, antialérgicos e analgésicos. O município está desabastecido de Amoxicilina suspensão (antibiótico). Porém, a apresentação em comprimido está disponível. De acordo com a Secom, a cidade dispõe de outras classes de antibióticos disponíveis para prescrição: Cefalexina comprimidos, Cefalexina suspensão, Azitromicina comprimido, Claritromicina comprimido e Amoxicilina comprimido. No que se refere às demais classes de medicamentos (mucolíticos, antialérgicos e analgésicos), o município não identificou o desabastecimento. “Caso a situação no desabastecimento dos medicamentos se complique, a secretaria de Saúde tem realizado discussões multidisciplinares para formalização de protocolos com escalonamento de antibióticos ou substituições de medicamentos, de modo a manter a terapêutica do paciente com o objetivo do tratamento”, informa a secretária de Comunicação.
A prefeitura de Osasco informa que alguns medicamentos essenciais estão em falta nos postos da cidade, tais como Azitromicina suspensão e claritromicina suspensão. Para a Secom da cidade, a solução é o ajuste da conduta clínica e adequação para alternativas farmacoterapêuticas disponíveis na rede. “Atualmente a secretaria de Saúde vem adotando medidas que envolvem empréstimos com outros municípios, busca junto a outros fornecedores, para assegurar a disponibilidade de alternativas terapêuticas que substituam os itens. Importante destacar que os medicamentos estão em falta no mercado para aquisição”, ressalta a Secom de Osasco.
O departamento de Saúde da prefeitura de São Roque informa que conta com dois medicamentos em falta: Amoxicilina suspensão e a Hidroclorotiazida. De acordo com a secretaria de Comunicação do município, esses dois medicamentos são disponibilizados pela FURP (Fundação para Remédio Popular) e sua falta se deve a escassez de matéria-prima para produção dos fármacos. “Ambos os medicamentos possuem similares que podem ser prescritos por um profissional médico e a previsão de normalização do envio dos medicamentos esta prevista para o 3° trimestre de 2022”, complementa a pasta municipal.
*Cidades da região metropolitana oeste da Grande São Paulo: Araçariguama, Barueri, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba, São Roque, Vargem Grande Paulista






