giro

Sesc deixa de vender água engarrafada a partir deste mês

As unidades do Sesc já tinham disponibilizado bebedouros com copos de acrílico para seus frequentadores

O Sesc deixa de vender água engarrafada em sua unidade de Osasco e em todas as demais espalhadas no Estado de São Paulo. A instituição incrementa a oferta gratuita de água filtrada em copos reutilizáveis e amplia a quantidade de bebedouros disponíveis para o público frequentador, funcionários e prestadores de serviço. A expectativa é que cerca de dois milhões de garrafas plásticas deixem de ser comercializadas nas unidades por ano. 

Em comunicado oficial, o Sesc destaca que a iniciativa leva o nome de “Água de Beber” e visa reduzir a geração de resíduos, além de abordar a água como um direito universal. A WWF destaca que estudos indicam que 241 em cada 259 garrafas de água também estão contaminadas com microplásticos. Apesar de alarmante, ainda são pouco conhecidos os impactos desta exposição humana, a longo prazo.(Foto: Freepik)

Segundo estudo lançado pelo WWF, o volume de plástico que vaza para os oceanos todos os anos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas, o que equivale a 23 mil aviões Boeing 747 pousando nos mares e oceanos todos os anos – são mais de 60 por dia. Para a ONG, até 2030 é possível dizer que serão encontradas o equivalente a 26 mil garrafas de plástico no mar a cada quilômetro quadrado.

O Brasil, segundo dados do Banco Mundial, é o 4º maior produtor de lixo plástico no mundo, com 11,3 milhões de toneladas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. Desse total, mais de 10,3 milhões de toneladas foram coletadas (91%), mas apenas 145 mil toneladas (1,28%) são efetivamente recicladas, ou seja, reprocessadas na cadeia de produção como produto secundário. Esse é um dos menores índices da pesquisa e bem abaixo da média global de reciclagem plástica, que é de 9%.

Mesmo parcialmente passando por usinas de reciclagem, há perdas na separação de tipos de plásticos (por motivos como estarem contaminados, serem multicamadas ou de baixo valor). No final, o destino de 7,7 milhões de toneladas de plástico são os aterros sanitários. E outros 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartados de forma irregular, sem qualquer tipo de tratamento, em lixões a céu aberto.

O levantamento realizado pelo WWF com base nos dados do Banco do Mundial analisou a relação com o plástico em mais de 200 países, e apontou que o Brasil produz, em média, aproximadamente 1 quilo de lixo plástico por habitante a cada semana.

Impacto socioambiental

O estudo elaborado pelo WWF aponta ainda que a poluição do plástico afeta a qualidade do ar, do solo e sistemas de fornecimento de água. Os impactos diretos estão relacionados a não regulamentação global do tratamento de resíduos de plástico, ingestão de micro e nanoplásticos (invisível aos olhos) e contaminação do solo com resíduos.

A queima ou incineração do plástico pode liberar na atmosfera gases tóxicos, alógenos e dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre, extremamente prejudiciais à saúde humana. O descarte ao ar livre também polui aquíferos, corpos d’água e reservatórios, provocando aumento de problemas respiratórios, doenças cardíacas e danos ao sistema nervoso de pessoas expostas.