A Sabesp iniciou as obras da Interligação Billings–Alto Tietê, projeto voltado a ampliar a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo. A intervenção permitirá a captação de até 4.000 litros por segundo de água bruta no braço Rio Pequeno da represa Billings, em São Bernardo do Campo, com bombeamento até a represa Taiaçupeba, em Suzano, integrante do Sistema Alto Tietê. O investimento previsto é de R$ 1,4 bilhão.
A nova estrutura vai reforçar o Sistema Integrado Metropolitano e ampliar a disponibilidade de água para cerca de 22 milhões de moradores da Grande São Paulo. Embora a vazão transferida represente apenas uma fração da capacidade total da Billings, a Sabesp avalia que o volume terá papel relevante para o equilíbrio do abastecimento regional.
A quantidade de água prevista para a interligação já chegou a ser utilizada durante a crise hídrica de 2014 e 2015, por meio de uma estrutura temporária. Agora, a solução será permanente, com infraestrutura fixa e possibilidade de acionamento sempre que necessário, conforme critérios técnicos e operacionais.
A água captada no Rio Pequeno já é utilizada, em determinados períodos, para abastecer o Sistema Rio Grande. Com a nova obra, o mesmo volume poderá alimentar também o Sistema Alto Tietê, ampliando a flexibilidade operacional e permitindo que dois sistemas produtores sejam atendidos a partir da mesma fonte.
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Segundo a Sabesp, a vazão máxima do sistema é suficiente para atender, de forma contínua, cerca de 1,9 milhão de pessoas. Antes da distribuição, a água transferida passará por todas as etapas de tratamento, seja no Alto Tietê ou no Sistema Rio Grande.
A obra integra um conjunto de ações voltadas ao aumento da resiliência hídrica da Região Metropolitana, que enfrenta limitações históricas de disponibilidade de água. A oferta per capita local é estimada em cerca de 149 metros cúbicos por habitante ao ano, índice considerado baixo em padrões internacionais. Em 2025, a região registrou uma das estiagens mais severas da última década, com volumes de chuva entre 40% e 70% abaixo da média.
A Interligação Billings–Alto Tietê está prevista no Plano de Segurança Hídrica incluído no novo contrato de gestão da Sabesp, firmado em 2024, com horizonte até 2060. O plano prevê a diversificação das fontes de captação e maior integração entre os sistemas produtores como eixos centrais da estratégia de longo prazo.
Diferentemente da interligação emergencial operada entre 2015 e 2020, o novo projeto foi concebido como solução definitiva. Toda a tubulação será enterrada, reduzindo riscos operacionais e de vandalismo, e o sistema de bombeamento funcionará com energia elétrica, substituindo a antiga dependência de usina termelétrica a gás.
Para o Sistema Alto Tietê, a água será transportada por cerca de 38 quilômetros de adutoras de aço enterradas, com diâmetros que variam de 1,5 a 1,8 metro. O traçado foi definido para passar exclusivamente por vias públicas, atravessando os municípios de São Bernardo do Campo, Santo André, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Suzano e Mogi das Cruzes.
Até 2027, a Sabesp prevê investir mais de R$ 5 bilhões em obras de segurança e resiliência hídrica na Região Metropolitana de São Paulo, com acréscimo estimado de 8.000 litros de água por segundo na capacidade dos sistemas de abastecimento.
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