giro

Pesquisa aponta os riscos de aerossóis fecais contaminados de covid-19

Sabe-se que o vírus 'anda' pelo trato intestinal e pode contaminar fezes
O vírus pode estar nas fezes e em seus aerossóis (Foto: Divulgação)

Uma pesquisa da china fez um estudo inusitado. Conseguiram isolar uma amostra viável do novo coronavírus nas fezes de um paciente que morreu por conta da ação do microrganismo. A análise realizada por cientistas da província de Guangdong foi publicada no periódico Emerging Infectious Diseases.

Foram analisadas amostras de fezes de 28 pacientes; 12 deles testaram positivo para o Sars-CoV-2 ao menos uma vez. Os pesquisadores tentaram então isolar o patógeno em três desses indivíduos —e conseguiram em dois deles, indicando que a presença de vírus com potencial infeccioso “pode ser uma manifestação comum da covid-19”

A possibilidade de transmissão do coronavírus em fezes já foi estudada anteriormente e publicada pelo periódico JAMA que encontrou traços do novo coronavírus no cocô de alguns pacientes chineses. O estudo dizia que que os pacientes tiveram diarreia e náusea um ou dois dias antes de terem febre e dificuldade de respirar.

Segundo a infectologista Raquel Muarrek, da Rede D’Or, esse tipo de transmissão faria sentido. “Já sabemos que o vírus ‘anda’ pelo trato intestinal também, o que faz com que seja possível que ele seja eliminado pelas fezes”, explica.

No entanto, até agora, não se tinha certeza se o material genético encontrado nas fezes era capaz de causar infecção ou eram apenas fragmentos sendo eliminados pelo organismo.

“Nuvem de cocô”

A novidade está na indicação que exista a possibilidade de contaminação por contato fecal-oral ou fecal-respiratório é real e pode acontecer por meio de aerossóis fecais —uma espécie de “nuvem de cocô” que conteria vírus viável para infectar outras pessoas.

Na pesquisa, para comprovar isso, eles descreveram o caso específico de um dos pacientes que teve amostras com resultado positivo para o novo coronavírus. O indivíduo tinha 78 anos e passou pouco mais de um mês hospitalizado antes de morrer.

Foram coletadas amostras de fezes dele entre 17 e 28 dias após o início dos sintomas; todas testaram positivo para o vírus, que foi encontrado em sua forma viável para infecção. A carga viral, aliás, era maior do que nas amostras recolhidas do trato respiratório. Após esse período, no entanto, apenas pedaços do RNA (que não provocam a doença) foram encontrados nas fezes.

O resultado foi comparado pelos médicos com o resultado a uma situação ocorrida em 2003, durante a epidemia de Sars no país. Naquela época, famílias de um condomínio residencial foram contaminadas com o vírus mesmo estando em isolamento.

Uma análise posterior mostrou que a forma como o esgoto era armazenado e recolhido no local provocou a formação de aerossóis fecais contaminados —ou a tal “nuvem de cocô”— e que isso seria provavelmente a fonte de contaminação daquelas pessoas.

Produtos indicados para matar o coronavírus:

Água sanitária;
Desinfetantes em geral;
Limpadores multiuso com cloro;
Limpadores multiuso com álcool;
Álcool de limpeza (líquido, com concentração entre 60% e 80%);
Detergente;
Sabão

Editado do UOL