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​Osasco e Cotia registram altos índices de alunos matriculados no EJA

Região tem mais de seis mil alunos no EJA da rede estadual
Osasco, Barueri, Itapevi e Cotia somam juntas mais de 2665 alunos na rede municipal. (Foto:Arquivo – Agência Brasil)

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou o cenário da educação brasileira em 2019, com base nos dados levantados através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (PNAD). No estudo, a taxa de analfabetismo no Brasil teve uma redução. Em 2018, o valor era de 6,8% e passou para 6,6% no passado. Apesar da queda, que representa cerca de 200 mil pessoas, o país ainda tem mais de 11 milhões de analfabetos. 

Considerada uma das principais metas estabelecidas pelo Governo Federal através do Plano Nacional da Educação (PNE), programa que visa melhorar a educação brasileira até 2024, a erradicação do analfabetismo no Brasil ainda está longe de acontecer.

“Não acho possível à erradicação do analfabetismo entre jovens e adultos no Brasil até 2024”, explica Rosalina Gomes, professora na Educação de Jovens e Adultos (EJA), na EMEF Jardim Monte Belo em São Paulo. “Apesar dos esforços de alguns governos, infelizmente os estudos nos mostram que o Brasil é um país com oportunidades muito desiguais, inclusive educacionais” completas ela.

Outra meta apresentada no programa é aumento da oferta de vagas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) em 25% e integrar os ensinos fundamentais e médios à educação profissional.

“Aumentar as vagas para EJA penso, que seja o menor dos problemas, uma vez que as maiorias das escolas ficam ociosas no período noturno”, comenta Rosalina.

Segundo o estudo do IBGE, no Estado de São Paulo, em 2019 mais de 1419 estudantes abandonaram os estudos.

Uma das principais justificativas para o abandono dos estudos, apontadas pela pesquisa é a necessidade de trabalhar, a falta de interesse, gravidez precoce e nunca ter frequentado uma escola.

“O que faz os alunos deixarem a escola é o mesmo motivo que os levam a ela. O trabalho. Parece contraditório”, explica a professora. “Porém, as periferias estão muito distantes dos locais de trabalho dos nossos alunos o que faz com que eles gastem muito tempo em condução não sobrando tempo para ir à escola. Quando estão desempregados procuram a escola, quando se empregam não conseguem manter-se” ela diz.

EJA na região

Criado na década 1960 pelo Governo Federal e fundamentado pelo educador Paulo Freire (1927-1997), o EJA é uma das principais modalidades de ensino atualmente.
Ela é voltada para pessoas que não tiveram, por algum motivo, acesso ao ensino regular na idade apropriada.

A rede estadual de ensino atende, na região, mais de 6,4 mil alunos entre os anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.

Osasco, Barueri, Itapevi e Cotia somam juntas mais de 2665 alunos na rede municipal.

Confira abaixo mais dados sobre cada cidade. Até o final dessa edição, Santana de Parnaíba, Carapicuíba e Jandira não apresentaram os dados requisitados pela reportagem.

Osasco

Na rede municipal de ensino de Osasco, mais de 1806 alunos estão matriculados no EJA e no Movimento de Alfabetização (MOVA), sendo 1202 na modalidade e 604 no programa da prefeitura.

Osasco atende o fundamental I (1º ao 4º ano).

Ao Giro S/A, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo informou que Osasco tem 595 alunos no ensino fundamental e 1367 no ensino médio.

Segundo a Prefeitura, o munícipio atendejovens e idosos analfabetos que nunca frequentaram a escola.

Os perfis dos alunos são compostos em sua maioria de mulheres, que são em sua maioria donas de casa e principal garantia de sustento da família, oriundas da região nordeste do país (80%); homens, trabalhadores e também vindos do nordeste (20%).

A faixa etária dos estudantes é entre 15 e 87 anos.

“O município na contramão da maioria dos Estados, não possui registros de evasão na Educação de Jovens e Adultos. Além disso, o ensino fundamenta I na cidade de Osasco não apresenta demandas de evasão escolar”, explica a Prefeitura por meio de nota.

Para fomentar o estudo e aumentar a escolaridade e qualificação dos alunos, a cidade mantém o programa EJAPRO, onde é oferecido cursos de formação profissionais.

Em 2014, Osasco recebeu do Ministério da Educação, o Selo de Município Livre do Analfabetismo pelo baixo índice 2,4%.

Barueri

Em Barueri, a rede municipal de ensino possui 308 alunos do EJA, matriculados no primeiro ciclo do fundamental.

Segundo a Secretária de Educação, 117 alunos e 191 alunas em idades diversas. O órgão não os considera analfabetos, como a classificação do IBGE, no qual pessoas de 15 anos ou mais que não são capazes de ler e escrever nem ao menos um bilhete simples.

A evasão escolar no munícipio é de 9%.

De acordo com a Secretaria, foi implementadas salas de aula do EJA no Parque da Maturidade, na Secretaria da Mulher e na Cooperativa de Reciclagem CooperYara.

Segundo a Diretoria de Ensino de Itapevi, que cuida da educação estadual de Barueri, Itapevi e Jandira, há 580 alunos no ensino fundamental e 2.806 no ensino médio matriculados nessas três cidades.

Cotia e Carapicuíba

A rede municipal de ensino de Cotia atende 408 alunos matriculados no EJA, sendo 200 do ensino fundamental I e 208 no segundo ciclo do fundamental.

Segundo a Prefeitura, na última avaliação realizada pelo município em 2019, 50% dos alunos do primeiro ciclo do fundamental, não estavam alfabetizados.

Já os estudantes do segundo ciclo do fundamental, o índice era de 0%, pois todos os alunos estavam alfabetizados.

A cidade também não possui registros de evasão escolar.

O município também tem a Jornada Pedagógica do EJA. Segundo a Secretária é uma “Ação interescolar que prioriza o trabalho coletivo e a autonomia dos alunos enquanto protagonistas de toda a ação. Estava passando por um momento de reformulação e neste ano seria retomada. Agora, contudo, será necessário esperar passar a pandemia”.

De acordo com a Diretoria de Ensino de Carapicuíba, que cuida da educação de Cotia, há 580 alunos no ensino fundamental e 2.806 no ensino médio matriculados nessas duas cidades.

Itapevi

Em Itapevi, a rede municipal de ensino tem 143 alunos matriculados no EJA.

Segundo a Secretaria de Educação, há alunos entre 15 a 74 anos, sendo 66 homens e 77 mulheres. O perfil dominante está na faixa etária entre 40 e 49 anos tanto para homem com mulher.

Em relação à evasão escolar, em 2019, a cidade registrou 428 alunos evadidos tanto na educação infantil, ensino fundamental e no EJA.

Para a fase escolar EJA, Itapevi também registou a evasão de 70 alunos.

Santana de Parnaíba
De acordo com a Secretaria Estadual da Educação, não há escolas estaduais na cidade.

Desafios

Para a professora Rosalina Gomes, lecionar no EJA é um constante desafio.

“A maioria dos alunos já passaram por algumas experiências na escola, na sua maioria não foram bem sucedidas. Eles são resguardados, não se expõe muito”, explica a educadora.

Professora no primeiro ciclo do fundamental do EJA, nosso principal ação é acolher os alunos que voltam às escolas.

“O desafio é acolher esse aluno, quebrar essa barreira, construir uma relação de confiança para que ele volte a se sentir confiante e acredite no seu potencial. Procuro abordar os temas a partir das vivencias e necessidades cotidianas”, justifica Rosalina. “No início ficamos bem preocupados. Mobilizamo-nos, criamos grupos de WhattsApp, passamos com caminhão de som.Percebemos que os alunos que não estão acessando os grupos de estudo são por dificuldades de equipamentos ou internet”, ela relata.

“Lecionar na EJA é ter que trabalhar com a autoestima de adultos que passaram a maior parte de suas vidas sofrendo o estigma do preconceito e buscando estratégias para sobreviverem na nossa sociedade sem saber ler.”, explica a professora Nilma Slaskevicius, da EMEF Luiz Bortolosso em Osasco. “Ver o brilho nos olhos desses alunos quando percebem que estão lendo é a coisa mais emocionante. Contextualizar a alfabetização com problematizações trazidas pelos alunos é o que faz a aula ser diferente, mais atrativa, pois a problematização vivida no cotidiano deles é o que faz o diferencial tornando o aprendizado mais significativo” afirma a educadora.

Laureada com o Prêmio Educador Nota 10 em 2019 pelo projeto “Um sorriso negro, um abraço negro”, a educadora acredita que o conteúdo e abordagens metodólogicas devem estar alinhados com a história de vida desses alunos para planejar uma boa forma de ensino. 

Com a pandemia do coronavírus, a educadora busca se reinventar para ensinar. Ela diz que é uma mistura de sentimentos e preocupação, pois há alguns alunos que não possuem celular ou internet e nem o material pedagógico para acompanhar as aulas.

Para o País, a professora Rosalina aponta que o principal desafio que esse terá nos próximos anos será aumentar o investimentos nessa modalidade de ensino.

“O principal desafio que não só a EJA mas a educação como um todo vai sofrer é o ter que se reinventar, a educação integral vai ter que ser o eixo principal da escola, voltada não só aos estudantes mas também aos seus familiares, amigos e a comunidade na qual essa escola está inserida. O conteúdo vai ter que estar atrelado ao emocional e a todas sequelas que essa pandemia estará impondo a todos”, afirma Nilma.
Governo Estadual

Para fazer com quem as pessoas que interromperam seus estudos retomem às salas deu aula, o Governo Estadual criou a “Busca Ativa do EJA do público do EJA”. A ação se estende ao longo dos anos letivos e de forma sistemática, através de divulgação no Portal da Educação e das Diretorias Regionais de Ensino.

A Secretária também oferecem gratuitamente aos alunos da EJA, cursos de idiomas por meio das unidades do Centros de Estudo de Línguas.