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Oeste pode ficar sem sede em Barueri a partir de setembro

O Oeste não manda seus jogos na Arena Barueri desde 22 de fevereiro de 2025, quando venceu o Linense na Série A2 do Paulistão; confira mais detalhes
ct vila porto barueri
A decisão extrajudicial foi publicada no Diário Oficial da cidade, no último dia 12 de julho (Divulgação/Oeste FC)

O Oeste Futebol Clube corre o risco de ficar sem sede fixa a partir de 1º de setembro. A Prefeitura de Barueri determinou que o clube desocupe até o dia 30 de agosto o Centro de Treinamento da Vila Porto, no Jardim Tupanci, onde está instalado desde que deixou a cidade de Itápolis, em 2017.

A decisão foi publicada no Diário Oficial do Município em 12 de julho e marca o fim da parceria com o governo barueriense, que vinha oferecendo suporte ao Rubrão nos últimos anos. O espaço deverá dar lugar a um hospital veterinário ou outro equipamento voltado à área da saúde.

Segundo o portal GE, a diretoria do clube tenta negociar a prorrogação do prazo para deixar o local. A prefeitura, por sua vez, afirma que a saída do clube não prejudicará as demais atividades da Secretaria de Esportes na região, como o campeonato amador, núcleos de formação, atividades físicas e eventos esportivos diversos.

Apesar do rompimento com a gestão municipal e da perda do uso gratuito do CT e da Arena Barueri, o Oeste não pretende deixar a cidade. No entanto, Osasco e Santana de Parnaíba surgem como alternativas viáveis caso a mudança de sede se torne inevitável.

Em nota à imprensa, o clube afirmou não ter sido oficialmente notificado sobre a desocupação, mesmo com a publicação oficial. Caso o Rubrão não deixe o espaço, a prefeitura pode recorrer à Justiça para retomar o imóvel.

Rubrão fora da Arena Barueri

O clube já não manda seus jogos na Arena Barueri desde 22 de fevereiro de 2025, quando venceu o Linense por 1 a 0 pela Série A2 do Paulistão, diante de apenas 184 torcedores. Desde então, o time passou a atuar em outras cidades.

Na Copa Paulista, o Rubrão tem utilizado o estádio José Liberatti, em Osasco. Já na última rodada da Série A2, enfrentou a Portuguesa Santista no estádio de Santana de Parnaíba, com público de 276 pagantes.

Além das obras no gramado — já concluídas —, outros dois fatores pesaram para a saída do Oeste da Arena Barueri: a eleição de Beto Piteri (Republicanos) como novo prefeito e a concessão da gestão do estádio para a Crefipar Participações, empresa de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.

Local recebe jogos do Verdão quando há eventos no Allianz Parque (Divulgação/Total Grass)

Ao vencer a licitação para administrar o estádio localizado no Jardim Belval, a empresa se comprometeu a investir cerca de R$ 500 milhões durante os 35 anos de gestão.

No antigo acordo, o Oeste utilizava as instalações da Arena Barueri sem custos como contrapartida por adotar Barueri em seu nome e na camisa, através de um projeto de divulgação esportiva. A ação foi idealizada pelo antigo prefeito da cidade, Rubens Furlan (PSB). Contudo, com a concessão do estádio, no entanto, isso mudou.

Entre as primeiras ações foram a troca do gramado natural pelo sintético, a mudança da iluminação e a reforma dos vestiários e camarotes, bem como a modernização de outros setores, como sala de imprensa e estacionamento.

Atualmente, a Arena Barueri abriga jogos dos times de base e feminino do Palmeiras. O empreendimento também recebe algumas partidas do time profissional masculino, quando o Allianz Parque está reservado para shows e eventos.

Mudanças para outro estádio

A empresa de Leila Pereira chegou a tentar um acordo para que o Oeste seguisse mandando os seus jogos no estádio, onde a equipe deveria arcar com os custos operacionais das partidas. O valor foi considerado alto pelo clube.

Na última partida que fez na Arena Barueri, conforme a súmula, o Oeste teve prejuízo de R$ 18 mil entre receitas e despesas. O custo operacional do estádio foi de pouco mais de R$ 20 mil.

Por conta disso, o Oeste passou a jogar no estádio José Liberatti, em Osasco. No entanto, a situação vem causando desconforto, pois clube não paga nada para atuar no local, enquanto o outro time da cidade, o Osasco Audax, ex-parceiro do Oeste, é responsável pela manutenção do estádio. Na última partida do Rubrão, o time recebeu apenas 104 pagantes e teve prejuízo operacional de R$ 9,4 mil.

Oeste em treino do CT da Vila Porto, em Barueri  (Guilherme Drovas/Oeste Barueri)

Em contato com o GE, fontes ligadas à administração municipal de Osasco negaram qualquer aproximação ou interesse em trazer o Oeste para a cidade. Desde que passou a mandar seus jogos em Osasco, o clube deixou de exibir o nome de Barueri no uniforme e adotou as cores branca, verde e vermelha, as mesmas da bandeira osasquense, o que gerou especulações sobre uma possível mudança.

Contudo, dois fatores dificultam essa transferência no momento. O primeiro é uma restrição da Federação Paulista de Futebol, que permite apenas dois clubes oficialmente registrados por cidade e estádio. No caso de Osasco, o Grêmio Osasco e o Osasco Audax já compartilham o Estádio José Liberatti.

O segundo obstáculo é financeiro: uma eventual mudança de sede exigiria o pagamento de uma taxa de R$ 800 mil pela transferência de município. Apesar disso, o Oeste planeja, a longo prazo, tornar-se uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

A linha do tempo da derrocada do Oeste:

  • Queda da Série B para a C em 2020;
  • Queda no Paulistão em 2020;
  • Queda da Série C para a D em 2021;
  • Eliminado na 2ª fase da Série D em 2022;
  • Sem divisão nacional desde 2023.

*com informações do GE.

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