Levantamento feito pelos departamentos regionais de saúde que abrangem os municípios da região mostram um dado curioso. O total de mulheres que contraem o novo coronavírus é maior do que o de homens.
Na diretoria Grande São Paulo Oeste, que abrange Osasco, Carapicuíba, Barueri, Santana de Parnaíba, Itapevi, Jandira e Pirapora do Bom Jesus, 51% dos 14.738 casos são do sexo feminino, e 49% são do sexo masculino. Já na Diretoria Regional Grande São Paulo Sudoeste, que abrange Cotia, Vargem Grande Paulista, Taboão da Serra, Itapecerica da Serra, São Lourenço da Serra, Juquitiba, Embu e Embu Guaçu, dos 25.373 casos, a variação fica 55% dos casos para mulheres e 45% para homens.
No entanto, ao analisar os detalhes dos casos que vêm a óbito, constata-se que os homens morrem mais de Covid-19. Até esta terça-feira (7), foram 1130 óbitos registrados na Diretoria Oeste, sendo 39% mulheres e 61% homens (letalidade para os homens de 9,6% e de 5,8% para mulheres). Enquanto que na Diretoria Sudoeste, foram registrados até o momento 1213 mortes, sendo 44% mulheres e 56% homens (mulheres com apenas 3,8% de letalidade e homens com 6%).
Nas duas regiões, a maioria dos casos se concentra na faixa etária dos 30 aos 39 anos (23,7% na Diretoria Oeste e 25,7% na Diretoria Sudoeste) e a maioria dos óbitos está na faixa etária dos 60 aos 69 anos (25,1% na Diretoria Oeste e 25,6% na Diretoria Sudoeste).
Estilo de vida e biologia
Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 58% dos óbitos por Covid-19 foram de pacientes do sexo masculino, mesmo que no país haja 4 milhões a mais de mulheres do que homens acima dos 60 anos – faixa etária a partir da qual a maior parte das mortes por Covid-19.
Os cientistas ainda não sabem porque o vírus acometem mais os homens, mas uma possível combinação entre biologia, estilo de vida e comportamento podem explicar o fenômeno. Os homens tendem a beber e a fumar mais do que as mulheres, ficando mais suscetíveis a desenvolver doenças pulmonares e cardiopatias. Além disso, vão menos ao médico. Porém, pesquisas mostraram que as mulheres geralmente têm sistemas imunológicos mais fortes do que os homens e, portanto, debelam infecções com mais facilidade. Segundo estudo publicado na revista científica Human Genomics por pesquisadores da Universidade de Oxford, o cromossomo X contém um grande número de genes relacionados à imunidade e as mulheres têm dois deles (os homens só tem 1).






