Os influencers Rafael e Lídia Diedrich, moradores de Santana de Parnaíba, no bairro Alphaville, têm muita história para contar e motivos para isso não faltam. É que no fim de agosto deste ano, o jovem casal conseguiu realizar o sonho de dez entre dez pessoas: conhecer o mundo todo. Após viagem à malta, os dois se tornaram o casal mais jovem a visitar todos os países do planeta. A façanha é digna do Guinness Book, o livro dos recordes, e a dupla está atrás do recorde mundial. Os dois enviaram a documentação das visitas por 215 países, sendo 193 deles membros da Organização das Nações Unidas (ONU) e 22 que não são.
Lídia Prado, 30, é enfermeira formada pela Universidade Federal de Uberlândia, estudou Obstetrícia no Hospital Albert Einstein, especializou-se em aleitamento materno e, atualmente trabalha com consultorias na área.
Rafael Diedrich, 31, é teólogo, reverendo em uma igreja presbiteriana e dono de produtora, além de trabalhar com eventos e causas sociais. Para isso, estudou em Harvard, Stanford, Oxford e Cambridge. Tornou-se mestre em Educacion e doutor em Teologia em Montevidéu.
O casal começou a viajar ainda recém-casados, há 10 anos atrás, e, no começo, não imaginavam visitar tantos países em tão pouco tempo. Foi compartilhando suas viagens no Instagram @diedric, que atualmente tem mais de 1 milhão de seguidores, que os dois atraíram convites de grandes empresas para patrocinar suas viagens.
A reportagem do GIRO conversou com Rafael, que contou algumas curiosidades sobre as andanças com a esposa pelo mundo, que começou em agosto de 2012, no Chile. Desde 2013 em Alphaville, o casal atualmente é top avaliador no Google Maps e também no Trip Advisor e até hoje recebem propostas para visitar hotéis.
O início da trajetória
Ao ler o título desta matéria, talvez muitos pensem que o casal nasceu em berço de ouro e com a ajuda de uma ótima condição financeira conseguiu tal feito. Mas a história é muito mais profunda do que isso, por meio de ações de empreendedorismo, parcerias e uso da tecnologia conseguiram se tornar verdadeiros viajantes profissionais.
“Quem vê as Maldivas que a gente passa, não vê o Afeganistão que a gente pisa”, disse Rafael sobre o planejamento que o casal teve desde o início da trajetória.
Quando a jornada começou, os recursos financeiros dos dois não permitiam que pudessem conhecer o planeta inteiro. Lídia ainda estava terminando os estudos e Rafael ganhava pouco mais de um salário mínimo. Foi economizando bastante e até o projeto do casal decolar foram noites e noites estudando regras de geopolítica, como tirar vistos e entrar em países mais fechados.
“Foi um choque para nós conhecer tantos países em tão pouco tempo e nossa vontade era apenas compartilhar. Não tínhamos esse desejo de conhecer o mundo todo e nem se tornar influenciadores, foi algo que aconteceu. Nosso desejo era produzir bom conteúdo e inspirar as pessoas a viajar”, explicou.
Na primeira expedição, em 2012, eles se planejaram recebendo salários ainda muito baixos e por meio de uma promoção conseguiram percorrer e esquiar no Chile. Ano após ano fizeram expedições e viajaram por todos os continentes. Desta maneira, a aventura passou a dar retorno com fotos e vídeos vendidos em parcerias com empresas dos países. Foi então que os dois decidiram viajar pelo mundo e ir atrás do recorde no Guinness Book.
Lembranças da Islândia
Nesses 10 anos de viagens, Rafael contou que junto com sua esposa conheceu diversos cenários e passou por diversas situações. Mas entre todos, o país que mais chamou a atenção foi a Islândia. A nação nórdica insular europeu, situada no oceano Atlântico Norte, tem uma paisagem exuberante, com vulcões, gêiseres, geleiras, fontes termais e campos de lava.
“A Islândia foi um dos países que mais chamaram atenção, as paisagens são cinematográficas e icônicas ”, afirmou Rafael.
Apesar da ótima experiência que o país proporcionou, a culinária local não foi tão boa assim. A cultura Islandesa é conhecida pela culinária um tanto quanto extravagante.
“No café da manhã tivemos que comer escamas de peixe e isso nos assustou muito. Por conta da falta de sol no país, é comum comer esse prato que é rico em vitamina D. Além das escamas, faz parte da cultura comer carne de baleia podre”, explicou.
A experiência na Coreia do Norte
Não é segredo para ninguém o quanto o país é fechado e recluso do mundo. Comandada por Kim Jong-Un, a Coreia do Norte possui um regime ditatorial hereditário desde os anos 1940, quando seu avô, Kim Il-sung, assumiu a liderança do país. Para entrar no país, o casal passou por diversas burocracias que custaram muito tempo e dinheiro.
Na experiência de Lídia e seu esposo, a viagem para a Coréia do Norte foi a mais cara e complicada.
“ O processo para tirar o visto foi bem demorado, os voos são bem acima dos valores normais e é preciso pagar um guia local”, explicou.
Segundo Rafael, em termos de custos, a viagem foi a mais cara de todas realizadas e além disso, os dois foram proibidos de fazer muitas coisas no país.
“Por ser um país muito fechado, coisas que são comuns em outros países, na Coréia do Norte é bem diferente. Para tirar fotos de monumentos é necessário um enquadramento correto, não é permitido deixar partes das estátuas cortadas da foto. Também não é permitido filmar nada que pode denegrir a imagem do país. Durante uma enchente, o guia local instruiu o casal a não filmar o episódio.
A “parte boa” da viagem foi a curiosidade da população local, segundo Rafael, as pessoas perguntavam a todo momento sobre como era o mundo fora do regime socialista do país.
“Normalmente os turistas são os mais curiosos, mas na Coréia do Norte foi diferente, as pessoas ficavam muito intrigadas e nos perguntavam a todo momento sobre como é o mundo fora do país”, disse.
Experiências marcantes
Entre mais de 200 países, o casal já viveu tantas experiências que ficou difícil para Rafael escolher. “É difícil escolher uma entre tantas que vivemos”, disse. Mas entre tantos momentos marcantes, o casal Diedrich gostou muito da Austrália e de uma ilha em especial.
Os dois visitaram Rottnest Island, a ilha das quokkas (pequeno macrópode de tamanho similar a um gato doméstico). Além do bichinho fofo que é conhecido como o animal mais feliz do mundo, a ilha é repleta de belas praias e lindas paisagens.
“A ilha é paradisíaca, o povo é muito querido e as quokkas parecem um ursinho de pelúcia. Aquele cenário junto com as pessoas e os bichinhos tornaram a viagem muito divertida”, disse.
Outra memória marcante nas viagens aconteceu no Brasil, mais especificamente no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Na ocasião, os dois faziam um trabalho social quando se depararam com uma cena inesquecível.
“Nós estávamos fazendo um trabalho social no Vale do Jequitinhonha e numa noite percebemos uma árvore toda iluminada por um grande enxame de vagalumes. Parecia que as estrelas do céu estavam naquela árvore, foi extremamente emocionante. Na ocasião estávamos sem bateria e esta lembrança vai ficar gravada apenas na nossa memória” relembrou.
Os maiores perrengues e medos nas viagens
Quem entra no instagram do casal e vê todas as fotos com belas paisagens não imagina os problemas que os dois já enfrentaram. Na República Centro Africana, por exemplo, Rafael nos contou que ele e sua esposa viram a guerra de perto. Já na República da Gâmbia, a dupla presenciou um golpe de estado e diversas pessoas armadas. Apesar do perigo que passaram, o teólogo não condena os países.
“Não existe país ruim e sim país passando por um momento ruim. Todo país tem uma beleza para se oferecer, uma cultura para apreciar e algo para entregar “, afirmou.
Mas de todos os perrengues, o maior de todos e um livramento foi o que passaram em 2019. Rafael e Lídia estavam na Etiópia e iriam viajar para Nairobi, mas de última hora tiveram que trocar o destino para Camarões. O avião que iriam embarcar caiu e 157 pessoas morreram.
“Quando chegamos em Camarões recebemos muitas mensagens de pessoas para saber se estávamos vivos e foi muito chocante saber da notícia, já que nós conhecemos no hotel algumas pessoas que estavam no avião. Foi uma tragédia muito triste e um grande livramento para nós”, relembrou.
Completando a jornada com a primeira filha
Quando Rafael e Lídia começaram a expedição pelo mundo, não tinham a filha Liz, que já viajou 16 países com apenas 1 ano e meses de vida. A pequena nasceu em meio a pandemia do Coronavírus e foi com ela que o casal completou os 215 países. Para viajar com crianças, Rafael contou que um dos mais divertidos foi Belize, país da América Central.
“O mais divertido foi Belize por conta das praias, hotel e o voo sobre o Blue Hole. É um país muito bem preparado para o turismo e é bem legal para levar as crianças”, afirmou.
Dos 16 países que a filha Liz visitou, o menos recomendado por Rafael foi a Argélia. O clima local e a falta de preparo nas questões turísticas não ofereceram uma boa viagem para a filha do casal.
“A Argélia foi um dos países mais complicados, é muito quente, não é preparada para o turismo e não tem atividades para crianças. Se o turismo para adultos não é tão atrativo, imagina para as crianças”, afirmou.
O que não pode faltar para um viajante
Após 10 anos viajando pelo mundo, Rafael e Lídia têm muitas dicas para quem também compartilha a paixão de viajar. Nas viagens do casal, o que não pode faltar são itens como: tomada universal, passaporte e documento da viagem, cadeados para malas, balanças de viagem, lágrimas artificiais, lenços umedecidos, protetor de assento e power banks para manter a bateria dos equipamentos.
Outra dica importante é instalar aplicativos como: Flip Case (organizador de rotas), Moeda Mais (conversão de moeda) e Nomad (conta em dólar para utilizar em diversos países). Para se prevenir de imprevistos, ele indica baixar os mapas e as línguas do Google, caso acabe a internet do celular.
Além dos objetos e aplicativos essenciais, Rafael nos contou que um viajante, acima de tudo, deve respeitar o país que está visitando.
“Em termos emocionais, o viajante tem que estar preparado para conhecer o desconhecido e aprender a ser um bom estrangeiro respeitando a cultura local”, salientou.






