A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead) está preocupada com um possível aumento do consumo de álcool durante a pandemia.
Em entrevista à Agência Brasil, a presidente a entidade, Renata Brasil Araújo comentou que a bebida pode trazer euforia, mas um dos efeitos colaterais é o aumento da impulsividade, que pode ocasionar um aumento nos índices de violência, em especial, a doméstica e no número de feminicídios.
Em relatório divulgado nessa segunda-feira (20), o Fórum Brasileiro de Segurança Pública já registrou aumento no número de denúncias em vários Estados (leia matéria aqui).
Há uma semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também manifestou preocupação com o tema. “O álcool não protege contra a covid-19, o acesso deve ser restrito durante o confinamento” é o título de um artigo que a entidade publicou em sua página na internet (leia aqui em inglês).
Além disso, segundo o psiquiatra Jorge Jaber, o isolamento inédito faz com que as pessoas passem a trazer para dentro de casa hábitos que tinham na rua, como o de beber socialmente. Soma-se, ainda, possíveis dificuldades econômicas e muita ansiedade.
Renata Brasil Araújo destacou ainda o acesso ao tratamento de dependências químicas está mais difícil. Além disso, segundo ela, algumas pessoas que aumentarem o consumo da bebida durante a reclusão poderão manter esse hábito pós-quarentena e, a longo prazo, isso pode vir a se transformar em uma dependência, que tem um componente biopsicossocial.
Já Jaber ressaltou que, por conta do distanciamento social, muitos dependentes do álcool estão sem o suporte das reuniões presenciais de grupos de apoio, como os Alcoólicos Anônimos. “É importante lembrar a essas pessoas que as reuniões podem ser acompanhadas através do site da organização https://www.aa.org.br/.
Preocupada com o potencial do problema, a Abead lançou a campanha #sejaluz, para mostrar coisas positivas na internet. Além disso, psiquiatras associados estão atendendo, gratuitamente, até o próximo dia 26, dependentes químicos e seus familiares, pelas redes sociais. O foco são as pessoas de baixa renda que não teriam acesso a tratamento no curto prazo e que na ação recebem orientação em casa. O serviço pode ser acessado pelo Facebook ou Instagram da associação, ou pelo número de ‘Whatsapp’: 51-980536208, pelo qual as pessoas podem marcar consulta e recebem o telefone do terapeuta, psicólogo ou psiquiatra. O atendimento é diário, das 8h às 22h.
Aumento da fiscalização na região
As prefeituras da região, de maneira geral, intensificaram a fiscalização contra o funcionamento de bares, que, de acordo com o decreto estadual Nº 64.881, não podem mais servir clientes em suas dependências, apenas atender pedidos de entrega ou para viagem.
Em Carapicuíba, em apenas um final de semana, as blitz da prefeitura, feitas pela Guarda Civil Municipal com auxílio da Polícia Militar fecharam 73 bares em um único final de semana.
Já em Itapevi, 150 bares já foram fechados e outros 15 foram autuados pela fiscalização. Rubens Furlan (PSDB), prefeito de Barueri foi às redes sociais pedir ajuda para a campanha #fiqueemcasa e avisou que a fiscalização foi reforçada. O decreto vale até 10 de maio.






