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Dormir bem é viver melhor: como a falta de sono pode adoecer o corpo e a mente

Otorrinolaringologista Bruna Machado alerta que noites mal dormidas aumentam o risco de doenças como diabetes, depressão e até infarto.
Dormir bem garante benefícios como a recuperação celular (Divulgação/Freepik)

Dormir bem vai muito além de descansar. É uma necessidade biológica fundamental para manter o corpo e a mente funcionando de forma equilibrada. A Dra. Bruna Machado, médica otorrinolaringologista, da Clínica Alphasono, explica que o sono é essencial para a manutenção da saúde porque, durante esse período, o organismo realiza processos vitais de recuperação.

“O sono é essencial para a saúde porque é durante o período de descanso que o corpo realiza processos vitais para o funcionamento adequado do organismo. Uma noite de sono de qualidade contribui para a recuperação física, o bem-estar mental, a consolidação da memória e o fortalecimento do sistema imunológico”, afirma.

Segundo a médica, o tripé sono, alimentação e atividade física é a base de uma vida saudável. Dormir bem garante benefícios que vão da renovação celular e equilíbrio hormonal até o cuidado cardiovascular e o controle da imunidade e do peso corporal.

Os distúrbios do sono mais comuns

Entre os problemas que comprometem o descanso noturno, a Dra. Bruna cita os diferentes tipos de insônia — inicial, de manutenção e terminal —, além de ronco, apneia do sono, síndrome das pernas inquietas e bruxismo.

Para identificar corretamente o distúrbio, é fundamental uma avaliação médica detalhada.

“Para identificação e diagnóstico dos distúrbios do sono, é necessária uma boa história clínica, com busca dos sintomas mais importantes, além dos exames complementares, como polissonografia, nasofibrolaringoscopia e alguns exames de imagem”, explica.

Quantas horas são necessárias para um bom descanso

A recomendação da especialista é clara: a maioria dos adultos precisa entre sete e oito horas de sono por noite.

“Sempre indico entre 7 a 8 horas de sono por noite, mas existem exceções como os dormidores longos e dormidores curtos”, comenta.

Riscos da privação de sono

Ignorar a importância do descanso pode custar caro à saúde. Dormir pouco ou mal aumenta significativamente o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares (como infarto e AVC), além de obesidade, Alzheimer, depressão e ansiedade.

A médica alerta também para o perigo da sonolência ao volante. “A privação de sono pode causar acidentes de trânsito por sonolência excessiva e outros riscos à saúde”, observa.

Polissonografia: o exame que desvenda o sono

O principal exame diagnóstico para os distúrbios do sono é a polissonografia, também conhecida como “exame do sono” ou “exame de noite inteira”.

“É o exame em que o paciente dorme monitorizado com um aparelho que avalia parâmetros clínicos como ronco, saturação, apneia, batimento cardíaco, posição de dormir e atividade cerebral. Ela pode ser realizada em clínica, hospital ou até em casa”, explica a Dra. Bruna.

O procedimento é essencial para detectar condições como apneia do sono, síndrome das pernas inquietas, bruxismo e insônia, permitindo um diagnóstico completo.

Tratamentos e hábitos para noites melhores

O tratamento depende do tipo e da gravidade do distúrbio. “Nos quadros de insônia podemos ter terapia comportamental, higiene do sono e até uso de medicações — desde naturais e suplementos até indutores do sono com receita controlada”, afirma.

No caso do ronco e da apneia do sono, a médica explica que o tratamento varia de medidas simples a terapias mais complexas.

Remédios para dormir exigem cautela

O uso de medicamentos para dormir pode ser seguro, desde que seja feito com acompanhamento médico. “É seguro após uma minuciosa avaliação médica e acompanhamento de doses e efeitos colaterais. A principal indicação são os casos de insônia, seja por dificuldade para iniciar ou manter o sono”, orienta.

Ela reforça, porém, que o ideal é sempre usar a menor dose pelo menor tempo possível e ajustar o tratamento conforme a resposta do paciente.

O papel da higiene do sono

Mais do que remédios, a prevenção está em adotar bons hábitos antes de dormir. “Higiene do sono é tudo o que devemos fazer para dormir melhor, como ter horários regulares de dormir e acordar, evitar álcool e alimentos em excesso, praticar atividade física, ter um ambiente agradável em casa e evitar excesso de telas e estimulantes perto da hora de dormir”, orienta a médica.

Dormir bem é viver melhor: como a falta de sono pode adoecer o corpo e a mente
Dra. Bruna Machado é médica otorrinolaringologista

Quando o estresse tira o sono

Segundo a médica, a ansiedade e o estresse estão entre os maiores vilões do sono moderno. “A ansiedade e o estresse são as principais causas de insônia ou dificuldade para iniciar ou manter o sono. A ansiedade sem tratamento pode levar a quadros de insônia. A insônia sem tratamento pode levar a quadros de depressão”, alerta.

Dormir bem é, portanto, muito mais do que descansar: é um investimento direto na longevidade, no equilíbrio emocional e na qualidade de vida. E, como conclui a Dra. Bruna Machado, “um bom sono é o primeiro passo para uma boa saúde”, finaliza.

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