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Alphaville: médico que matou dois tem contrato com OS investigada por propina

Carlos Alberto Azevedo, responsável pelo duplo homicídio em Alphaville, tinha contrato com OS investigada por propina. Polícia investiga o caso
Carlos Alberto foi preso em flagrante (Reprodução/Redes Sociais)

O médico Carlos Alberto Azevedo Filho, de 44 anos, acusado de matar dois colegas de profissão em Alphaville, Barueri, mantinha contrato com uma Organização Social (OS) citada em investigações sobre um esquema de corrupção. A informação foi divulgada neste domingo (18), pelo portal de notícias “Metrópoles”.

A hipótese é de que as mortes tenham acontecido por causa de brigas relacionadas a contratos na área da saúde. O crime ocorreu no fim da noite de sexta-feira (16), na porta de um restaurante de luxo.

De acordo com as informações publicadas no portal Metrópoles, a empresa do responsável pelo duplo homicídio possui acordos com uma OS acusada de participar de um esquema de propina em São Bernardo do Campo, a Fundação ABC, que gerencia os hospitais da cidade.

As entidades foram alvo da “Operação Estafeta”, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em julho de 2025. Na época, o então prefeito, Marcelo Lima (Podemos), foi afastado.

A Cirmed Serviços Médicos, cujo representante é Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, não foi citada. Segundo as investigações, a empresa do indivíduo foi contratada pela Fundação ABC para administrar diferentes unidades hospitalares ao longo dos últimos anos. Os contratos milionários para a prestação do serviço são assinados pelo médico.

Em um dos contratos, para atuar no Centro Obstétrico e de Parto Normal, firmado em março de 2024, por exemplo, ficou estabelecido que a Cirmed receberia R$ 6,8 milhões por ano. Para o Hospital de Clínicas Municipal, o contrato, assinado em maio daquele ano, previa R$ 4 milhões anuais.

Na representação que deu origem à Operação Estafeta, a PF afirmou que o dinheiro de contratos firmados pela Fundação ABC era distribuído entre servidores e agentes políticos.

“É relevante notar que a Fundação ABC, sendo uma entidade de direito privado e sem fins lucrativos, atua na gestão da saúde pública em São Bernardo do Campo por meio de repasses de dinheiro público, administrando uma rede de serviços através de ‘contratos de gestão’ firmados com a Prefeitura”, afirmou a PF no documento.

“Paulo Iran e Antonio Rene (apontados como operadores) são os agentes centrais de arrecadação e distribuição dos recursos, operando uma grande rede de contatos e um expressivo fluxo de recursos financeiros, sob a coordenação de Marcelo Lima Fernandes”, acrescenta.

Assassinatos em Alphaville: caso encarado como fato pessoal

Por meio de um comunicado divulgado à imprensa, após o duplo homicídio em Alphaville, a Cirmed Serviços Médicos disse que o desentendimento entre Carlos Alberto e os colegas aconteceu “em âmbito estritamente pessoal” e que o ocorrido não representa os valores da empresa.

“A empresa esclarece que o ocorrido não corresponde aos valores e princípios da instituição. Os fatos pessoais e isolados do sócio não se confundem com suas atividades institucionais, assistenciais, operações, contratos ou rotinas internas”, disse a Cirmed Brasil.

Conforme o delegado Andreas Schiffmann, responsável pelas investigações, os médicos Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, autor do crime, e Luís Roberto Pellegrini Gomes, uma das vítimas, são donos de empresas concorrentes de gestão hospitalar.

O terceiro médico envolvido, Vinicius dos Santos Oliveira, seria um funcionário de Luís Roberto e estava com ele no restaurante quando Carlos Alberto chegou ao local. Ele também foi morto a tiros.

Como ocorreu o crime em Alphaville

Ocorrência em Alphaville aconteceu na noite de sexta (16) (Reprodução)

Uma discussão entre clientes terminou em duplo homicídio na noite desta sexta-feira (16), em frente ao restaurante El Uruguayo, no bairro 18 do Forte Empresarial, em Alphaville, na cidade de Barueri. Dois homens foram mortos a tiros após uma briga que começou no interior do estabelecimento e se estendeu para a via pública.

De acordo com informações da Polícia Civil, o incidente envolve três médicos e uma mulher, que estavam no restaurante desde o início da noite tratando de negócios. Em determinado momento, houve um desentendimento, que evoluiu para agressões. A Guarda Civil Municipal (GCM) foi acionada após a informação de que um dos envolvidos estaria armado.

Os agentes realizaram uma averiguação no interior do restaurante, mas nenhuma arma foi localizada. Pouco tempo depois, os envolvidos deixaram o local. Já do lado de fora, a discussão continuou e terminou de forma violenta.

De acordo com o boletim de ocorrência, Carlos Alberto Azevedo Silva Filho sacou uma arma e efetuou diversos disparos contra Vinícius dos Santos Oliveira e Luis Roberto Pellegrini Gomes. As vítimas foram socorridas por equipes de resgate, mas não resistiram aos ferimentos.

Vinícius foi atingido por dois tiros, no abdômen e nas costas, e encaminhado ao Pronto-Socorro do Parque Imperial, onde não resistiu e morreu. Já Luis Roberto foi alvejado por oito disparos em várias partes do corpo e levado ao Pronto-Socorro SAMEB Central, também evoluindo a óbito.

A equipe da viatura GCM 211, composta pelos agentes Lúcio e Flávio Marcos, deu voz de prisão ao autor dos disparos logo após o crime em Alphaville. Ele se entregou sem resistência e foi conduzido ao Distrito Policial Central de Barueri. O delegado de plantão registrou o caso como homicídio e ratificou a prisão em flagrante. O indiciado permanece à disposição da Justiça.

A Polícia Civil apura a hipótese de que a arma utilizada no crime estivesse escondida na bolsa da mulher que acompanhava o autor. Consta ainda que Carlos Alberto possui antecedentes criminais no Nordeste por crime de racismo e agressão contra uma mulher em um motel.

Testemunha aponta falha na contenção

Uma testemunha que presenciou os fatos e pediu para não ser identificada afirmou que a confusão começou em uma mesa próxima e foi acompanhada por diversos clientes. Segundo a testemunha, uma das vítimas tentou intervir para defender um amigo durante a briga, o que teria motivado a reação armada do autor.

“A briga começou dentro do restaurante. Todo mundo sabia que ele estava armado. Os GCMs entraram, mas não afastaram a bolsa dele. Após alguns minutos, ele voltou correndo, abriu a bolsa do meu lado, carregou a arma e atirou várias vezes. Foi pânico total. Essa tragédia poderia ter sido evitada”, relatou.

Nota do restaurante El Uruguayo

Alphaville: médico que matou dois tem contrato com OS investigada por propina

Restaurante El Uruguayo, em Alphaville, localizado na Avenida Copacabana (Reprodução)

Em nota, o restaurante El Uruguayo, local onde ocorreu o crime em Alphaville, lamentou o ocorrido e afirmou que o episódio não tem relação com o funcionamento ou a conduta do estabelecimento.

O   El Uruguayo lamenta profundamente os fatos ocorridos nas proximidades do restaurante, envolvendo terceiros sem qualquer vínculo com nossa empresa.

Na ocasião, clientes que supostamente são sócios em uma empresa de serviços médicos  e que já possuíam desavenças pessoais entre si há algum tempo, iniciaram uma discussão no interior do estabelecimento. A situação foi prontamente identificada por nosso segurança, que agiu de forma imediata, solicitando a retirada dos envolvidos do local, sempre com o objetivo de preservar a segurança, o respeito e o bem-estar de todos.

O episódio de violência ocorreu já em via pública, após a saída dos envolvidos,  em frente a uma viatura da GCM e não tendo qualquer relação com o funcionamento, a conduta ou a responsabilidade do estabelecimento.

Reforçamos nosso compromisso com a vida, com o respeito e com a segurança. Somos um espaço frequentado pelas famílias de Alphaville  há 16 anos e mantemos uma política de tolerância zero à violência.

Nos solidarizamos com os familiares e amigos das vítimas.

Restaurante El Uruguayo

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